Só países que elevaram a participação da Indústria acima de 20% do PIB aumentaram rendimento médio da população
Da Redação – Ao analisar com preocupação a queda da renda média dos trabalhadores brasileiros para R﹩ 995,00 no primeiro trimestre, patamar mais baixo da séria histórica, iniciada em 2012, conforme estudo da FGV Social divulgado nesta terça-feira (15/06), Rafael Cervone, vice-presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), afirmou ser prioritário reverter esse quadro. “O auxílio emergencial do governo é importante e necessário, mas tem limites. Ademais, o meio mais eficiente e sustentável de inclusão socioeconômica é a geração intensiva de empregos”, afirmou.
Os resultados do trabalho da FGV Social significam queda de 11,3% da renda média em relação aos R﹩ 1.122,00 registrados nos primeiros três meses de 2020, quando ainda não era grande o impacto da pandemia. O estudo considera o rendimento recebido do trabalho dividido por todos os integrantes da família. “A consequência mais perversa é o aumento das desigualdades, refletido no Índice de Gini, que alcançou 0,674 no primeiro trimestre de 2021, ante 0,669 nos quatro meses imediatamente anteriores e 0,642 em igual período do ano passado”, frisou Cervone (quanto mais perto de 1 estiver o resultado, maior é a concentração de renda).
Para o dirigente da FIESP/CIESP, a queda da renda média do trabalho apontada pela FGV Social indica ser urgente adotar medidas que acelerem a retomada do crescimento, como as reformas tributária e administrativa. “Também é prioritário fomentar a indústria brasileira, que tem perdido competitividade e diminuído sua participação na riqueza nacional. Precisamos olhar com atenção o que ocorre no mundo e observar como vários países conseguiram aumentar de modo significativo a renda per capita. Só conseguiram isso aqueles que, em período de 15 anos, elevaram a participação do setor manufatureiro a um patamar superior a 20% do PIB”.
Segundo Cervone, para atingir esse patamar, a indústria, hoje representando 11% do PIB brasileiro, precisa agregar ganhos expressivos de competitividade. “Conforme tenho mostrado às autoridades econômicas, produzir no Brasil custa R﹩ 1,5 trilhão a mais por ano do que na média das nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), segundo mostra estudo do Boston Consulting Group, do qual participaram diversas entidades de classe”. Nessa conta, os tributos são responsáveis por diferença de R﹩ 270 bilhões e os encargos trabalhistas, R﹩ 300 bilhões.
Para Rafael Cervone “É essencial reduzir os impostos e os custos atrelados à folha de pagamentos, bem como eliminar os gargalos da infraestrutura, insegurança jurídica e burocracia. Também precisamos de uma política industrial, com planejamento e previsibilidade, baseada em P&D e que inclua linhas especiais de crédito, incentivos à produção conforme vocações regionais e mercadológicas e regime tributário incentivador aos investimentos voltados à inovação, incluindo os bens de capital”, ressaltou o dirigente da FIESP/CIESP, concluindo: “O Brasil tem potencial, pode e deve promover um novo e duradouro ciclo de crescimento sustentado e desenvolvimento inclusivo”.


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