* Wilson Moço – São tantas disputas emocionantes e acirradas, nas mais variadas modalidades, ao longo do dia e em parte da noite nestes Jogos Olímpicos Rio 2016 que fica até difícil escolher um tema para a nossa coluna diária. Sem contar que falar de uma vitória ou bom desempenho de determinado atleta ou equipe no dia pode queimar minha língua no dia seguinte, quando a coluna é publicada.
Afinal, tudo muda e quem foi bem hoje poderá se sair mal amanhã. É tudo muito rápido, e não são raras as vezes em que o imponderável também aparece nas arenas, nos campos, nas águas, nas praias e onde mais estiver rolando as disputas. Ou será que alguém em sã consciência poderia imaginar que a poderosa seleção masculina da Argentina, bicampeã olímpica, diria adeus à Rio 2016 ao empatar com Honduras, país sem a menor tradição no futebol.
E por falar em futebol, a seleção feminina do Brasil entra em campo nesta sexta-feira, a partir das 22h, no Mineirão, em partida contra a Austrália que vale vaga na semifinal. E, mais do que a classificação, a vitória garante ao time comandado pela meia-atacante Marta a chance de disputar no mínimo a medalha de bronze.
As chances de avançar de fase existem, sobretudo se repetir o bom futebol dos dois primeiros jogos (…), desempenho que a equipe não repetiu no empate sem gols contra a África do Sul, quando o técnico Vadão achou por bem poupar várias titulares, inclusive Marta, que só entrou no segundo tempo. Na partida desta noite, com a volta das titulares, a expectativa é de que o Brasil volte a se impor, tanto pelo futebol quanto pela força da torcida. Menos mal que a partida será em Belo Horizonte e não em Brasília, onde os meninos foram tão mal que deixaram o campo sob sonora vaia.
Além de enfrentar um adversário complicado na noite desta sexta-feira, o Brasil estará desfalcado da atacante Cristiane, nada menos do que a recordista em número de gols do futebol em Olimpíada, incluindo os homens – ela já era a maior goleadora entre as mulheres. Na Rio 2016, Cristiane chegou a 14 gols em 15 jogos disputados em quatro edições dos Jogos. O artilheiro entre os homens era do dinamarquês Sophus Nielsen, autor de 13 em 1908 e 1912.
Recomeço – Mas se os meninos foram mal em Brasília e maltrataram a bola e a paciência dos torcedores, se redimiram em Salvador, na noite de quarta-feira, quando golearam a Dinamarca por 4 a 0 e se classificaram em primeiro lugar do grupo. Um resultado até certo ponto inesperado, a se julgar pelo péssimo futebol apresentado nos dois primeiros jogos, em dois empates em 0 a 0, contra Iraque e África do Sul.
Foi de fato uma grata surpresa o bom futebol exibido pelo time comandado por Neymar, que desta vez deixou as firulas e o jogo individual de lado para apostar no coletivo. Aliás, foi justamente o sentido de jogar coletivamente que mudou o comportamento do Brasil em campo. O conjunto, a humildade, a solidariedade e a seriedade também fizeram a diferença em favor dos brasileiros.
Eles sabiam que um empate ou derrota significaria a vexatória desclassificação logo na primeira fase, e que o nome deles ficaria gravado na história da Olimpíada como o pior desempenho do futebol tupiniquim. E o que é pior, na própria casa. O time teve, enfim, a atitude que dele se espera.
Atitude que deverá estar em campo também na noite deste sábado (13), quando enfrenta a Colômbia.
Frase:
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Não sei como agradecer. Foi o tipo de atmosfera que experimentei poucas vezes em minha carreira. Geralmente isso acontecia quando estava em meu país. Aqui no Rio parecia mesmo que eu era brasileiro!![]()
Novak Djokovic, tenista sérvio, ao falar sobre o apoio da torcida brasileira na sua partida de estreia, quando perdeu do argentino Juan Martin del Potro e deu adeus à Rio 2016
JOGO RÁPIDO
OLIMPÍADA COM TORCIDA DIFERENTE
- As arquibancadas são um caso à parte nestes Jogos Olímpicos do Rio, bem diferentes do que acontece quando a competição é realizada em outros países. Isso porque o barulho, as músicas e as provocações saíram do seu espaço tradicional, os estádios de futebol, e chegaram às disputas da Rio 2016. A energia e o repertório dos torcedores contagiam os donos da casa, mas muitas vezes também os adversários. Os estrangeiros abraçados pelos brasileiros se surpreenderam. Nas piscinas, o apoio ao astro norte-americano Michel Phelps, recordista em medalhas na história dos Jogos, foi impressionante. E ele sentiu: “Quando faltavam 25 metros pro término, comecei a ouvir os gritos e cheguei a pensar que tinha brasileiro na água. Quando acabou e vi que era por causa do meu recorde, fiquei muito feliz”, disse. E acrescentou: “Senti meu coração sair pela boca.”
DOPING
- O Ministério do Esporte da Bulgária emitiu nesta sexta-feira um comunicado acusando a atleta Silvia Danekova, inscrita na prova de 3.000m com obstáculos, de destruir a imagem do país após ter dado positivo para Eritropoietina (EPO) em um controle de doping nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “É inaceitável que destrua deste modo a imagem da Bulgária e coloque uma mancha sobre todo o esporte búlgaro”, destaca o comunicado oficial.
TETRACAMPEÃO OLÍMPICO…
- O nadador norte-americano Michael Phelps é mesmo um mito, e provou isso na Rio 2016. Phelps venceu os 200m medley nesta quinta-feira (11) e se tornou o primeiro nadador a ser tetracampeão olímpico na mesma prova individual. O fenômeno é até o momento o único na natação a repetir uma medalha de ouro de Londres-2012. Apesar de inédito na natação, o tetracampeonato não é único na história dos Jogos Olímpicos. Phelps se junta agora a um seleto grupo de esportistas com quatro vitórias em uma mesma prova individual: Al Oerter (lançamento do disco), Carl Lewis (salto em distância), ambos dos Estados Unidos; Paul Elvstrom (vela), da Dinamarca, e Ben Ainslie (vela), do Reino Unido.
…E RECORDISTA DE MEDALHAS
- Em um dia de recordes, Phelps ainda quebrou mais um: se tornou o atleta com mais medalhas individuais da história olímpica. Nesse quesito, ele ultrapassou a ex-ginasta ucraniana Larisa Latynina, que detém 14 pódios – o nadador, agora, tem 15.
FAZENDO HISTÓRIA
- A delegação brasileira de Canoagem Velocidade composta por oito atletas compete a partir da próxima segunda-feira (15), no Rio de Janeiro, em busca da inédita e sonhada medalha olímpica para a Canoagem Brasileira. As provas de Canoagem Velocidade acontecerão de 15 a 20 de agosto na Lagoa Rodrigo de Freitas e contará com os canoístas Isaquias Queiroz, Erlon Souza, Edson da Silva, Celso Oliveira, Roberto Maehler, Vagner Souta, Gilvan Ribeiro e Ana Paula Vergutz.
NEGRA, E DOURADA
- A americana Simone Manuel quebrou o recorde olímpico dos 100 metros livre feminino e empatou na final da prova com a canadense Penny Oleksiak na primeira posição, mas o ouro tem significado especial para a representante dos Estados Unidos: Simone foi a primeira nadadora negra a ser campeã olímpica em uma prova individual.
* Wilson Moço é jornalista, com passagens pelos jornais Diário do Grande ABC nas funções de repórter e editor-assistente de Esportes, de Política e de Setecidades, além de redator da Primeira Página; Gazeta Esportiva, como chefe de reportagem e editor-assistente; Bom Dia ABCD, como editor; ABC Repórter, como editor; e Revista Livre Mercado, como editor-executivo, além de atuar na Secretaria de Comunicação das Prefeituras de Santo André e São Bernardo. Contatos com o autor e colunista pelo e-mail wilsonmoco53@gmail.com



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