Volta, Carille!

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* Márcio Trevisan – Uma de minhas avós, a materna, com a sagacidade comum às velhas portuguesas, costumava dizer que o uso do cachimbo torna a boca torta. Em linguagem mais simples e direta, ela queria dizer que se não corrigimos logo um defeito, se não paramos de agir de forma errada, rapidamente fazemos com que este defeito ou este erro se incorporem ao nosso jeito de ser ou de agir, passamos a gostar deles e até mesmo considerá-los uma qualidade ou um acerto. E aí, amigo, já era.

Ao que parece, é isso o que vem acontecendo com o Corinthians. Enquanto comandado por Fábio Carille, o Timão se acostumou a uma forma horrorosa de jogar mas que, ao mesmo tempo, se tornou também vitoriosa, e que era de fácil compreensão: todo mundo atrás da linha da bola, jogando fechado e, como adoram dizer alguns dos meus colegas, “sabendo sofrer”.

Aí, era só esperar a primeira vacilada do adversário, marcar um golzinho e, então, se fechar ainda mais até que o árbitro encerrasse a partida com o placar apontando mais uma vitória alvinegra. Foi desta forma que em menos de um ano e meio a equipe de Parque São Jorge se tornou campeã brasileira e bicampeã paulista.

Mas Carille bateu asas e voou rumo aos petrodólares árabes, deixando a equipe nas mãos de seu sucessor, Osmar Loss. Considerado discípulo de seus antecessor, exatamente como este o fora de Tite, o atual treinador corintiano tem um péssimo início de trabalho: em quatro jogos, foram três derrotas e apenas uma vitória, obtida sobre uma equipe menor (o América/MG) e, ainda assim, graças à excelente atuação de Válter, o goleiro reserva de Cássio. Em todos estes tropeços, uma identidade: após se ver em desvantagem no placar, o Timão não teve forças para buscar o empate e muito menos a virada.

Dois me parecem ser os motivos para tal situação: o primeiro, claro, é que talvez Loss não seja tão retranqueiro quanto Carille, e por isso não consiga fazer sua equipe jogar tão fechada quanto jogava até cinco jogos atrás. O segundo, e sem dúvida o mais preocupante para a Fiel, é que a forma como joga a equipe já está mais do que manjada pelos adversários, o que facilita a vida de todo e qualquer time que enfrente o Timão.

Afinal, como também me dizia a velha de quem lhes falei no começo desta coluna, se não há mal que sempre dure, também não há bem que nunca se acabe.

 

Curtinhas

Celeiro sem fim – De tempos em tempos – ou melhor: de pouco em pouco tempo –, o Santos consegue descobrir um novo talento em suas categorias de base. E parece que o mais recente já tem nome: Rodrygo. Com apenas 17 anos, o adolescente já se tornou o novo xodó da torcida, e neste domingo, diante do Vitória/BA, foi o autor de três dos cinco gols da goleada por 5 a 2. Não à toa, já tem grandes clubes europeus de olho em mais esta joia da Vila.

21 x 4!!! – Desde que inaugurou sua nova arena, o Palmeiras recebeu sete vezes a visita do São Paulo – e ganhou todas! A mais recente delas no sábado, por 3 a 1, resultado que deu uma sobrevida ao técnico Róger Machado às portas da demissão. Para piorar o retrospecto são-paulino, na soma dos placares de todos os jogos o Verdão aplica uma goleada quase inacreditável: 21 gols marcados contra apenas quatro sofridos. Como se vê, para dar um passo rumo à saída da crise, nada melhor para o time de Palestra Itália do que jogar em casa diante de um velho freguês.

Tá cheirando bem – O Flamengo/RJ tem um início de Brasileirão muito melhor do que poderiam imaginar seus mais fanáticos torcedores. Cumpridas as nove primeiras rodadas (ou praticamente um quarto de toda a competição), o rubro-negro lidera a competição com 20 pontos. E como tem quatro a mais do que Cruzeiro/MG, Grêmio/RS e São Paulo, respectivamente os 2º, 3º e 4º colocados, permanecerá por pelo menos mais uma rodada isoladamente na ponta.

Será que ele aprendeu? – O técnico Rogério Ceni já caiu nas graças da galera do Fortaleza/CE. Sob o comando do ex-jogador e ex-treinador são-paulino, o tricolor do Ceará lidera a Série B do Brasileirão com 22 pontos e quase inacreditáveis 91.7% de aproveitamento (sete vitórias e um empate). Se mantiver tais números (ou mesmo que os diminua um pouco), o maior ídolo de toda a torcida do SPFC poderá recolocar sua atual equipe na principal divisão do futebol brasileiro, a qual não disputa desde 2006.

 

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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