Todo são-paulino deveria ser palmeirense…

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* Márcio Trevisan – Ainda que São Paulo e Palmeiras mantenham há mais de 80 anos uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro, todo e qualquer torcedor do tricolor paulista deveria, a partir de agora, reservar um pedacinho do seu coração ao eterno alviverde do Parque Antarctica. E mais: deveria, também, se juntar ao milhões de palmeirenses espalhados pelos quatro cantos do mundo e fervorosamente torcer para que os comandados de Felipão cheguem às finais tanto da Copa do Brasil quanto da Libertadores.

Mas por que a – enfim! – novamente feliz galera são-paulina assim deveria agir? Elementar, caríssimo leitor: quanto mais tempo o Verdão permanecer nas duas competições eliminatórias, menor será a atenção que dedicará ao Campeonato Brasileiro. Consequentemente, maiores serão as já grandes chances de o clube do Morumbi voltar a ser campeão depois de uma fila que, hoje, dura seis anos.

Muitos podem dizer que a excelente campanha do São Paulo neste Brasileirão já é suficiente para que o time caminhe com suas próprias pernas e não precise se preocupar com o Palmeiras ou seja lá com qual time for. Diego Aguirre, por sinal de forma surpreendente se levarmos em conta seu apenas razoável currículo como treinador, conseguiu fazer sua equipe jogar um ótimo futebol, conseguir expressivos resultados e chegar, com todos os méritos, ao simbólico título de campeã do primeiro turno da competição.

Mas não é bem assim: em um torneio tão equilibrado quanto este (por sinal o mais equilibrado dos últimos anos), quanto menos gente para atrapalhar o Tricolor paulista, melhor – para o Tricolor paulista, claro. Aliás, para ser bem sincero, neste momento todo são paulino deveria ser não apenas palmeirense, mas também flamenguista e gremista, pois tanto o time carioca quanto a equipe gaúcha seguem dando às Copas uma atenção muito maior do que têm dado ao Campeonato Brasileiro.

Se, desta forma, Palmeiras, Flamengo/RJ e Grêmio/RS forem eliminados, só lhes restará o torneio nacional, e então a briga pelo título se lhes tornará a única chance de salvar o ano. Sei que não é nada fácil para um são-paulino se vestir de verde ou de quaisquer outras cores que não sejam as suas, mas a verdade é que isso lhe seria muito benéfico. E pode estar certa, galera do Tricolor paulista: ser palmeirense, mesmo que por um pequeno espaço de tempo, pode se tornar uma maravilhosa experiência.

Sei bem do que falo.

 

 

Curtinhas 

Um muito bem. Outro nem tanto. – Começaram neste final de semana as quartas-de-final da Série C do Campeonato Brasileiro, e as duas equipes paulistas nela presentes tiveram resultados diferentes. O Bragantino, jogando em casa, venceu por 3 a 1 o Náutico/PE e, agora, poderá até mesmo perder (desde que por apenas um gol de diferença) na Arena Pernambuco, no próximo domingo, 26.08, para não só se classificar às semifinais do torneio mas, ainda melhor, garantir o retorno à Segundona de 2019. Já o Botafogo de Ribeirão Preto/SP precisará de muito mais para atingir idêntico objetivo: é que a Pantera foi a Paraíba e, lá, perdeu para o seu xará por 1 a 0. Agora, terá de vencê-lo com pelo menos dois gols de vantagem no Estádio Santa Cruz, também no domingo que vem.

A Lusa – e a luta – continuam – A Portuguesa Desp. segue sua batalha para ressurgir no cenário nacional. Na semana em que completou 88 anos, a equipe do Canindé apenas empatou com o Ituano, em casa, por 1 a 1, mas com o resultado se manteve invicta e líder, ao lado do Nacional, de seu grupo na Copa Paulista. A “Namoradinha do Brasil” precisa ser campeão deste torneio para voltar a disputar uma competição em nível nacional (no caso a Série D) na próxima temporada.

Quem diria? – Da Série B de 2017, na qual aliás repetiu o “feito” do Botafogo/RJ de 2003 e ficou apenas com o vice-campeonato (o campeão foi o América/MG), à vice-liderança do Brasileirão de 2018 após o término do primeiro turno. Esta é a trajetória do Internacional/RS que, sem alarde, é a equipe momentaneamente mais próxima da taça (depois do São Paulo, obviamente). Méritos para o trabalho do desconhecido treinador Odair Helmann que, em breve, poderá contar com mais um importante reforço: Paolo Guerrero deverá estar em campo domingo que vem, contra o Palmeiras, no Beira Rio.

Três pesos e uma medida – Eu nem deveria comentar a convocação da Seleção Brasileira para os amistosos contra os “fortíssimos” Estados Unidos e El Salvador, no mês que vem, já que como todos vocês sabem deixei de ser pacheco há anos. Mas a lista de Tite é tão sem nexo que não me contive. Por exemplo: visando ao equilíbrio e à justiça, ele convocou apenas um jogador de Flamengo/RJ (Paquetá), Cruzeiro/MG (Dedé) e Corinthians (Fágner), envolvidos nas semifinais da Copa do Brasil. Ao ser perguntado por que não fez o mesmo em relação ao outro semifinalista, o Palmeiras (que cederia Bruno Henrique), o treinador disse que não poderia deixar Fred de fora. Por quê? Acho que vocês já sabem a resposta.

 

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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