Tite e seus ‘Focas’

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – No último fim de semana, Tite concedeu uma entrevista exclusiva a um canal fechado de TV. Juro que esperava um bom debate, mas o que acabei vendo foi um “oba-oba” descarado por parte daqueles que deveriam questionar o técnico pelos diversos erros que já cometeu – e segue cometendo – no comando da Seleção Brasileira. Houve momentos em que pareceu, até mesmo, que o treinador conversava não com profissionais experientes, mas sim com jornalistas iniciantes, também conhecidos como “focas”.

Na verdade, houve apenas uma pergunta mais ácida àquele que eu chamo de “encantador de repórteres”. Um dos entrevistadores lhe indagou qual a razão que o fazia preferir jogadores que atuam na Europa em detrimento daqueles que jogam no Brasil, mesmo que alguns destes vivam as melhores fases de suas carreiras. A resposta de Tite foi direta: “Eu levo em consideração o nível de dificuldade da Champions League”.

Ou seja: na opinião do dito cujo, quem consegue se destacar diante de grandes adversários (no caso, clubes europeus) obviamente vive melhor momento do que os que se destacam diante de oponentes que, em sua opinião, são mais fracos (no caso, clubes brasileiros e sul-americanos).

De cara, o técnico brasileiro já relegou nossas equipes a um patamar inferior às europeias. Até entendo que os melhores times do planeta estejam no Velho Continente, mas diminuir desta forma os times do País porque disputam o Campeonato Brasileiro (sem dúvida alguma a competição nacional mais equilibrada do mundo), a Copa do Brasil e a Copa Libertadores da América é, além de desrespeito, também uma prova de incoerência, já que o treinador venceu duas vezes o Brasileirão e uma vez a Liberta quando dirigia o Timão e também levou o torneio tupiniquim em uma de suas passagem pelo Tricolor gaúcho. E não me lembro de, em nenhuma destas conquistas, ele ter dito que seus adversários haviam sido fracos.

Outro detalhe é que, se por um lado o campeonato europeu de clubes é, de fato, o mais equilibrado que se conhece, por outro não são apenas gigantes que o disputam. Já na fase de grupos da edição desta temporada, por exemplo, temos a participação de times como Brugge (Bélgica), Ferencváros (Hungria), Krasnodar (Rússia), Basaksehir (Turquia) e Midtjylland (Dinamarca), entre outros ainda menos importantes e ainda mais fracos.   

Obviamente, Tite respondeu aquilo que lhe foi mais conveniente, e não necessariamente a verdade. E o mais incrível é que ninguém o questionou sobre os pontos que salientei nos dois parágrafos acima.

É que jornalistas esportivos são como técnicos da Seleção Brasileira: não se fazem mais como antigamente.

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 32 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br

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