Tchau, Tite!

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A pachecada – e aqui incluo não apenas torcedores, mas muitos jornalistas também –, que me perdoe, mas eu não engrosso o coro daqueles que puxam o saco do Tite.

Ainda que reconheça nele um bom treinador, infinitamente superior ao seu antecessor no comando da Seleção Brasileira, e também elogie a educação com a qual sempre atende a toda a Imprensa (bem diferente, por sinal, daquele que comandou o Brasil na Copa do Mundo de 2014), o fato é que ser bonzinho e educadinho é muito pouco, em meu modo de ver, para que ele permaneça no comando do selecionado nacional.

Sei bem que existe uma intenção da CBF em manter o treinador, que tal decisão conta com o apoio de grande parte, ou de quase a totalidade, da mídia esportiva, e que o próprio Adenor, antes reticente, agora parece mais propenso a continuar, mas espero sinceramente que isso não aconteça. Para tanto, relato abaixo 11 erros cometidos pelo treinador que se tornam motivos mais do que plausíveis para que ele e toda a sua comissão técnica levem o que mais merecem neste momento: um pé na bunda.

1 – A indefinição quanto ao capitão da Seleção Brasileira. Se o time não tinha um líder nato, como ele próprio explicou, então o erro foi de convocação. Toda equipe precisa de alguém que a lidere dentro do campo, e este alguém não pode ser um jogador diferente a cada partida.

2 – A não convocação de jogadores que viviam excelente fase no futebol brasileiro, como o próprio goleiro do Santos/SP (citado acima), o volante até pouco tempo gremista Artur, o também gremista Luan, o até bem pouco tempo palmeirense Keno, etc.

3 – A priorização quase que total de jogadores que atuam no exterior. Nada menos do que 20 dos 23 atletas vieram de fora do País, o que distancia a seleção do torcedor, que não se vê representado. Detalhe: dos três “brasileiros”, apenas Fágner foi titular – e isso porque Daniel Alves e Danilo se machucaram. Além disso, quem atua na Europa ou na China estava em fim de temporada, e se a base fosse montada com aqueles que jogam por aqui é certo que fisicamente estaríamos à frente das demais seleções.

4 – A convocação de seis jogadores que atuaram em 2014: Thiago Silva, Fernandinho, Marcelo, Paulinho, Neymar e Willian. E o número só não foi maior porque Daniel Alves se machucou dias antes da convocação final. Para piorar, destes apenas Fernandinho era reserva. Ou seja: Tite manteve em 2018 a base da equipe que fez com que a Seleção Brasileira passasse a maior vergonha de toda a sua história.

5 – A aposta em jogadores “de confiança” que o ajudaram no Corinthians, mas que no Mundial da Rússia fracassara de forma incontestável – Paulinho e Renato Augusto. Fágner, outro corintiano do grupo, não foi tão mal, mas também não chegou nem perto do lateral que se destacou em Itaquera. Por fim, o ótimo Cássio sequer jogou.

6 – A permissão para que Taffarel decidisse não só os goleiros que seriam convocados como também aquele que seria o titular da equipe, algo que o próprio ex-jogador admitiu. Com isso, voltou à tona a conhecida prepotência do treinador de goleiros e, também, o seu evidente bairrismo e clubismo. Que o digam Vanderlei, que não é gaúcho, e Marcelo Grohe, que não é do Internacional/RS.

7 – Ser democrático em excesso com sua Comissão Técnica. O resultado foi o erro na escolha de dois dos três goleiros, o excesso de preparação física, que resultou em contusões musculares, entre leves e fortes, de Danilo, Douglas Costa, Marcelo e Neymar.

8 – A chamada de atletas que apresentavam visíveis problemas físicos e clínicos, que acabaram se agravando total ou pelo menos parcialmente durante a Copa. Não à toa, em apenas um treinamento Tite pôde contar com todos os convocados.

9 – A pra lá de suspeita convocação de vários jogadores representados pelos mesmos empresários. Dos 23 que ele escolheu, nada menos do que 10 “pertencem” a apenas três agentes: Kia Joorabchian, Carlos Leite e Jorge Mendes.

10 – A ausência de pelo menos um meia de armação, capaz de fazer a bola chegar aos atacantes com mais qualidade. Nenhum dos jogadores chamados por Tite tinha tal característica.

11 – A descaracterização de Gabriel Jesus, cujas características ofensivas que o levaram a brilhar no Palmeiras e a ser contratado pelo Manchester City foram substituídas por uma função tática que obrigou o caçula da equipe a ser mais um marcador de adversários do que um marcador de gols.

Se após ler tudo isso você, prezado internauta, ficou satisfeito com o 6º lugar nesta Copa do Mundo e ainda prefere que Tite continue à frente da Seleção Brasileira, sem problemas: esta é a sua opinião, e eu a respeito. E, para ser sincero, se ele seguir no cargo, por mim, tudo bem.

Já faz muitos anos, mas muitos anos mesmo, que eu deixei de ser pacheco.

 

Curtinhas

 

Todo mundo de casa – Após 28 anos, a Inglaterra conseguiu chegar às semifinais de uma Copa do Mundo. Em sua equipe, todos os jogadores – isso mesmo: todos! – atuam em clubes ingleses. Para “meio” entendedor boa palavra basta.

Tá bom, certo? – A Rússia, que para muitos sequer se classificaria às oitavas-de-final, conseguiu o enorme feito de chegar às quartas e, por pouco, não foi até mesmo à semifinal da Copa que realizou. Para um timeco retrancado e feio de doer, a 8ª colocação na classificação final ficou de bom tamanho.

A falta que ele fez – O Uruguai foi o melhor sul-americano neste Mundial, terminando-o na 5ª colocação. E nossos vizinhos do Sul só não foram ainda mais longe, segundo muitos, porque o centroavante Cavani não pôde enfrentar a França na partida das quartas-de-final. Para uma equipe que tem apenas 11 jogadores (ou seja, não dispõe de reservas à altura dos titulares), a ausência de uma única peça acaba fazendo a diferença.

O próximo – Não vai demorar muito para que a Seleção Brasileira volte a ser formada. Em setembro os brasileiros têm um amistoso marcado contra os Estados Unidos, em solo norte-americano. Trata-se apenas uma partida caça-níquel, claro, mas que poderá marcar a estreia de um novo treinador no selecionado nacional. Tomara que este seja um ex-craque da ponta direita do Grêmio/RS…

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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1 comentário on "Tchau, Tite!"

  1. Antônio Manara

    Essa é minha opinião, não tivemos um meia com qualidade de armar o jogo. O único com essa condição era o Casemiro, não jogou o time perdeu a referência.

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