Sou da Paz cria ferramenta inédita sobre as armas de fogo no Brasil

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Da Redação – O Instituto Sou da Paz lança, nesta terça-feira, 13 de outubro, o site Retrato da Violência Armada no Brasil durante evento realizado na mostra “Setembro Verde: Jovem Negro Vivo”, promovido pela Anistia Internacional do Brasil, na Matilha Cultural, em São Paulo. A ferramenta inédita busca informar o grande público sobre o panorama da violência armada no país de maneira visual e interativa, oferecendo também uma versão mobile do site.

O lançamento será acompanhado de uma mesa promovida pelo instituto, com presença de Ivan Marques, diretor executivo do Sou da Paz, Bruno Langeani, coordenador da área de Sistemas de Justiça e Segurança Pública do instituto, Stephanie Morin, coordenadora da área Gestão do Conhecimento do Sou da Paz e Marisa Villi, coordenadora de projetos do Instituto Paulo Montenegro.

O Brasil assumiu a liderança absoluta no ranking mundial de homicídios em 2012, segundo as Nações Unidas. Nesta tragédia, o principal agente da destruição de vidas é a arma de fogo, utilizada em 41% dos homicídios globalmente e 71% das mortes por agressão no Brasil em 2012.   Entre 1980 e 2012, a taxa de mortes por agressão por arma de fogo no país cresceu mais de 300%.

“Embora o fácil acesso às armas contribua claramente ao aumento da violência letal, alguns parlamentares tentam enfraquecer o controle de armas no país”, destaca Ivan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz. “O Retrato da Violência Armada no Brasil facilita a consulta de dados oficiais do Ministério da Saúde e permite que todos as pessoas verifiquem por si mesmas o impacto devastador das armas sobre a segurança pública. Esperamos que as informações do novo site ajudem a nortear o desenho e a implementação de políticas públicas eficazes no enfrentamento da violência”, finaliza Marques.

Parte da programação da mostra “Setembro Verde: Jovem Negro Vivo”, este é o quarto de uma série de mesas e debates que a Anistia Internacional promove em São Paulo, nos meses de setembro e outubro. A organização, que tem sede no Rio de Janeiro, está ocupando a Matilha Cultural desde o dia 22 de setembro, no centro da capital paulista.

No dia 20, também às 19h30, a ONG Justiça Global promove o debate “Desmilitarização da Segurança Pública”. Ambos os eventos serão realizados às 19h30.

Setembro Verde: Jovem Negro Vivo
Com exposição visual, ciclo de debates e programação de cinema, “Setembro Verde: Jovem Negro Vivo” é uma iniciativa gratuita que tem como objetivo promover a campanha Jovem Negro Vivo em São Paulo, para romper com a indiferença da sociedade a respeito dos altos índices de homicídios no Brasil, em especial entre os jovens negros.

De acordo com o Mapa da Violência 2012, dos 56 mil assassinatos registrados no país, 30 mil são de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 77% são negros. Para aprofundar o debate, a Anistia Internacional lançou no início de agosto uma pesquisa sobre a homicídios cometidos pela Polícia Militar, em especial no Rio de Janeiro. Nos últimos cinco anos, homicídios decorrentes de intervenção policial corresponderam em média a 16% do total de assassinatos na capital fluminense.

A mobilização pela campanha Jovem Negro Vivo em São Paulo acontece em meio às investigações sobre o envolvimento de policiais militares na chacina que vitimou 19 pessoas em Osasco no mês passado, e em um contexto de aumento das mortes praticadas por policiais no Estado. De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o número de pessoas mortas por policiais em serviço no estado aumentou 105% entre 2013 e 2014, saltando de 346 para 708 óbitos. Somente no primeiro semestre de 2015, foram 358 pessoas mortas pela polícia, um aumento de 9,8% comparado ao mesmo período de 2014.

“A crença de que vivemos uma ‘guerra às drogas’ e que matar ‘traficantes’ faz parte desse combate tem sido usada como justificativa para uma polícia que faz uso excessivo, desnecessário e arbitrário da força, com frequência inaceitável da força letal. Nessa dinâmica, o grupo social mais atingido é o de jovens negros moradores de favelas e periferias”, alerta Atila Roque, Diretor Executivo da Anistia Internacional. “A política de segurança pública não deve ser incompatível com o respeito à vida”.

Entre os parceiros da ocupação Jovem Negro Vivo na Matilha Cultural estão organizações e movimentos que atuam na agenda de segurança pública e juventude como Mães de Maio, Ação Educativa, Conectas, Instituto Sou da Paz e Justiça Global.

Serviço – Setembro Verde: Jovem Negro Vivo @ Matilha Cultural. Lançamento do site “Retrato da Violência Armada no Brasil” e debate “Os Jovens e as Armas de Fogo”, nesta terça-feira (13), das 19h30 às 22h. Coordenação: Instituto Sou da Paz. Participantes: Ivan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, coordenadorda área de Sistemas de Justiça e Segurança Pública do Instituto Sou da Paz, Stephanie Morin, coordenadora da área Gestão do Conhecimento do Instituto Sou da Paz e Marisa Villi, coordenadora de projetos do Instituto Paulo Montenegro. Entrada colaborativa de R$ 5. Debates e filmes sujeitos à lotação do espaço. 68 lugares; 2 cadeirantes. Horários de funcionamento: terça-feira a domingo, da 12h às 20h; exceto sábados, das 14h às 20h
Endereço: Rua Rêgo Freitas, 542 – República. Tel.: (11) 3256-2636. Wi-fi grátis
Cartões: VISA (débito/ crédito) www.matilhacultural.com.br

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