Série de Lives começa com conversa franca sobre temas relevantes

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O jornalista Abel Neto esmiuçou questões relacionadas ao Programa de Ética e Integridade com Paulo Schmitt, consultor jurídico da CBG

Da Redação – Uma conversa franca e profunda. Foi assim a primeira live de uma série lançada pela CBG, em torno do tema “Ginástica Segura e Saudável”. O carismático e experiente jornalista Abel Neto, apresentador do canal Fox Sports, entrevistou por uma hora o Consultor Jurídico da Confederação, Paulo Schmitt, sobre diversos aspectos do Programa de Ética e Integridade da CBG. O papo foi veiculado pelo Instagram.

A ação faz parte de um conjunto de mais de vinte atividades realizadas desde a criação do Programa de Ética e Integridade, em 2018.

Primeiramente, Schmitt explicou o que vem a ser o Programa. “A integridade é a qualidade daquilo que é integro, que é inteiro. E se tem uma coisa que é inteira é a honestidade, a transparência, a governança, o compliance. Essas são questões muito claras e importantes que norteiam a política dentro da organização CBG. Temos a face interna, que é regulada por todos esses princípios, e a face externa, que muitas vezes não gostamos de falar, mas temos que falar e enfrentar. É um conjunto de ações de combate à fraude, abusos, assédios, violências, preconceito, manipulações e doping. São temas que afligem o esporte no mundo e a ginástica”.

Schmitt teve a oportunidade de contextualizar, para um público mais amplo, as circunstâncias que envolveram a elaboração dessas iniciativas. “O alerta surgiu com o escândalo que ocorreu na ginástica norte-americana, protagonizado por Larry Nassar Isso acendeu uma luz amarela para vermelha nas organizações esportivas do mundo inteiro, e o Brasil não ficou fora disso. Entendendo esse recado emitido para o mundo, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) realizou um seminário sobre ginástica em conjunto com a CBG e incluiu o tema abusos e assédios em janeiro de 2018, um pouco antes daquele caso do treinador Fernando de Carvalho Lopes. Antecipamos algumas ações e iniciamos tratativas sobre integridade. Não era até então um tema muito recorrente na área do Direito. Foi isso que puxou todo o arcabouço de um projeto, que é uma coisa científica e estudada. Com a colaboração do Ministério Público do Trabalho, já lançamos em março de 2018 a nossa primeira cartilha que abordava esses temas”.

Indagado por Abel, Schmitt explicou que o escândalo protagonizado por Nassar impulsionou a criação de um canal específico no site para o acolhimento de denúncias, que podem ser anônimas. “Diversas parcerias estabelecidas, como as que temos com o Ministério Público do Trabalho e com o COB, que criou uma plataforma específica e promove cursos sobre o tema, ajudaram-nos a criar nossa estrutura. A grande missão da CBG é levar o conhecimento sobre essas questões. É o conhecimento que vai permitir a construção de uma base de proteção para a comunidade da ginástica. É de fundamental importância estimularmos e acolhermos as denúncias que forem encaminhadas. A gente tem como célula mais importante a educação, mas as denúncias é que alimentarão nosso sistema, que tem estruturas para controle, apuração e punição para os autores desses atos. Lógico que o ideal é educar para não ter que punir depois, mas temos estruturas e órgãos competentes para isso”.

Schmitt explicou também o que é o Comitê de Ética e Integridade. “Sou o único dos cinco membros que tem vinculação com a CBG. Os outros são o presidente do STJD, Fernando Silva Jr., Márcia Aversani (presidente da Federação Paranaense de Ginástica), Mosiah Rodrigues (campeão dos Jogos Pan-Americanos de 2007 na barra fixa) e Jaqueline Pires Gonçalves (árbitra internacional). É um organismo que tem todas as condições de acolhimento das denúncias, apuração e de eventualmente estabelecer sanções, conforme for a gravidade dos fatos relatados”.

Abel deu a Schmitt o ensejo de abordar o caráter didático das ações. “Nós desenvolvemos diversas ações coordenadas. Tivemos a preocupação de elaborar uma cartilha que aborda questões complexas, mas preparamos um cenário para oferecer informações já deglutidas, porque vivemos num mundo diferente, de redes sociais, em que existe um desestímulo a estudos mais aprofundados. Por esse motivo é que desenvolvemos mais de 20 ações, como seminários e palestras, para disseminar a contento o conteúdo dessas cartilhas e documentos”.

O especialista em Direito Desportivo procurou deixar bem claro que todo o esforço vai no sentido de expor essas questões à luz do sol. “As questões de integridade não são jogadas para debaixo do tapete. É desagradável falar de diversos temas. Tem pessoas que receiam a perda de patrocínios, por exemplo. Há quem diga que é um problema de polícia. Friso sempre que é uma questão de política de integridade. A polícia eventualmente pode ser acionada para a apuração desses crimes, mas é sobretudo uma questão de política de integridade, repito. Nosso esforço é grande para que os atletas se envolvam nesse esforço. E têm chegado reportes de casos que nunca havíamos antes ouvido falar. É óbvio que a ginástica não é um foco que preocupe em termos estatísticos, no Brasil. Mas não queremos que se criem precedentes preocupantes”.

Schmitt esclareceu que o esforço é multidisciplinar – e requer o engajamento de psicólogos, professores de Educação Física e comunidade acadêmica.

O Consultor Jurídico da CBG pôde demonstrar que as estruturas de proteção estão funcionando – e bem. Durante a pandemia, alguns pedófilos aproveitaram a exposição de algumas ginastas em lives de treinamento e tentaram abordá-las por meio das redes sociais. “O uso desse aparato de lives e videoconferências, que se intensificou devido a esse contexto imposto pela pandemia, nos deixou mais expostos. Nós monitoramos essa exposição e recomendamos, por meio de nossos canais, que se tomasse cuidado com as redes sociais. Chegaram a nós relatos de investidas não nos treinamentos das seleções, mas em outros. Os reportes permitiram que nós acionássemos as delegacias especializadas em crimes virtuais. Os processos estão em andamento. Já tivemos buscas e apreensões. Isso proporcionou uma sensação de segurança para a nossa comunidade”.

Abel não evitou nenhum tema delicado e perguntou a Schmitt a respeito do andamento do caso que envolve Ângelo Assumpção, ginasta que se queixa de ter sido alvo de repetidas injúrias raciais nas dependências do Esporte Clube Pinheiros. “Sob qualquer ponto de vista, o racismo é intolerável, não se pode aceitar. O Ângelo nos procurou antes da veiculação da reportagem (pela Rede Globo, no dia 24 de agosto). Sabíamos o que ele estava alegando. Antes de mais nada, saliento que não existe passar pano em nada. Intimamos o clube e treinadores envolvidos e obtivemos as primeiras informações. Obviamente, a CBG tem que acionar os órgãos judicantes e instâncias independentes Como o doutor Fernando Silva Jr. é o presidente tanto do STJD como da Comissão de Ética e Integridade, encaminhamos tudo a ele. Ao mesmo tempo, soubemos que o Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista também instaurou um procedimento. Na próxima semana, vai haver um primeiro julgamento do caso, para que não haja duplicidade de investigação. Será identificado qual vai ser o órgão que vai dar uma resposta para esse caso na seara esportiva. Independentemente disso, muita gente já foi ouvida, muita gente já se manifestou por escrito. Houve decretação de sigilo, para proteger todos os envolvidos. O que nós precisamos fazer é acolher, até para que o Ângelo possa se reinserir no mercado de trabalho esportivo. Haverá apuração, até porque todas as pessoas envolvidas na apuração são extremamente rigorosas e sérias”.

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