Senna, Dêner, a Chape e os meninos do Flamengo…

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Papo de Esporte – Quando alguém decide se tornar jornalista e escolhe a área esportiva para abraçar, invariavelmente o faz por uma razão em especial: poder trabalhar ao lado de seus ídolos.

Além da paixão por esportes – ou ao menos por um esporte, como no meu caso –, poder conviver com pessoas sobre as quais até pouco tempo somente lia, ouvia e via é sempre uma emoção indescritível. Foi assim comigo, foi assim com todos.

O problema é que existe um outro lado desta história. Quando estes mesmos ídolos se vão, o sentimento de perda do jornalista esportivo é infinitamente maior, por exemplo, do que sente um jornalista que cobre Política no momento em que um político parte desta pra melhor – ou, em alguns casos, certamente pra pior.

Senti isso na pele quando, em um espaço de apenas 13 dias, tive de cobrir dois velórios e dois enterros (o do craque Dêner, ex-Portuguesa Desp., que nos deixou em 18 de abril de 1994, e o do piloto Ayrton Senna, que retornou ao Plano Espiritual em 01.05 daquele mesmo ano).

Muito embora a história de ambos nem possa ser comparada, já que um teve tempo para se tornar um dos maiores ídolos do Brasil em todos os tempos e o outro era um jovem de apenas 23 anos com um imenso futuro pela frente, acabei sentindo muito mais a perda de Dêner do que de Senna.

E o motivo é simples: como nunca cobri Fórmula 1, só entrevistei o piloto uma única vez, ainda nos tempos de estudante e por casualidade, quando ao lado do amigo e então estudante da Faculdade Cásper Líbero (e hoje também jornalista) Sérgio Quaranta o encontramos à porta do Cine Gazeta em 1987 – ou seja: antes que ele se tornasse o craque das pistas.

Já o meia-atacante da Lusa vi despontar na Copa São Paulo de Juniores de 1991, quando a Lusa faturou seu primeiro título do torneio. Acompanhei seu início no time de cima, em que aliava à genialidade do seu futebol um sem-número de atitudes extracampo incompatíveis com alguém que possuía seu talento.

Estava no Canindé naquele 14.11.1991, quando ele driblou meio time da Inter de Limeira/SP e fez o gol mais lindo de toda a sua carreira. Vi a cara de espanto de Maradona após um drible desconcertante daquele negrinho que lembrava Pelé, em um amistoso do Boca Juniors/ARG contra o Grêmio/RS, clube pelo qual atuou emprestado em 1993. E chorei quando soube que, ao contrário do que fazia com seus marcadores, ele não conseguira driblar uma árvore e à ela se chocara com seu Mitsubishi Eclipse, dirigido por um amigo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro/RJ.

Mas nem as mortes de Dêner, de Senna ou mesmo daqueles que partiram no voo da Chapecoense, em 2016, me causaram um baque mais forte do que a dos 10 jovens atletas das categorias de base do Flamengo/RJ que tão cedo partiram desta vida na última quinta-feira. Não: eu não os conhecia pessoalmente e, para ser sincero, nem mesmo sabia de suas existências até que tudo aconteceu, mas é que quando um sonho tão próximo de ser realizado é interrompido de forma abrupta e incompreensível (pelo menos para nós, que estamos aqui embaixo) surgem algumas perguntas, que podem ser resumidas em apenas uma: por quê?

Eu não tenho a resposta, meus amigos, pelo menos não sem entrar em um campo com o qual o objeto desta coluna não se faz compatível – o da filosofia religiosa. Por isso, muito mais importante do que prematuramente julgar quem é e quem não é responsável, de se tentar saber, de fato, o que causou tamanha tragédia, é elevarmos nosso pensamento e nossas orações, independentemente da crença religiosa de cada um, às famílias e aos amigos destes 10 garotos. Foi assim comigo, e espero que seja também com todos.

A coluna Papo de Esporte desta semana dedico, com toda a humildade, a Athila Paixão, Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva Matos, Rykelmo de Souza Vianna, Samuel Thomas Rosa e Vitor Isaías.

Curtinhas

A vaga ou a rua – A diretoria do São Paulo pode desmentir o quanto quiser, mas se o time não eliminar o Talleres/ARG na próxima quarta-feira e seguir adiante na fase preliminar da Copa Libertadores da América não haverá quem segure André Jardine no comando da equipe. Como perdeu o primeiro jogo por 2 a 0, apenas uma vitória por três gols de diferença garantirá a classificação são-paulina no tempo regulamentar.

Vitória sabor derrota – o Brasil venceu a Argentina por 1 a 0, ontem, em Rancágua/CHI, na última rodada do hexagonal final do Campeonato Sul-Americano Sub-20. O gol foi de Lincoln, através de um pênalti extremamente mal batido mas que, para sorte do atacante brasileiro, acabou entrando. Mas de nada adiantou: como precisava vencer por pelo menos 3 a 0, nossa Seleção terminou em 5º lugar e, assim, ficou de fora do Mundial da categoria. Equador (campeão), Argentina (vice), Uruguai (3º) e Colômbia (4ª) representarão a América do Sul representarão a América do Sul no torneio que acontecerá em maio, na Polônia.

Mas já? – A pífia campanha na primeira metade da fase de classificação do Campeonato Paulista (ocupa apenas a 3ª colocação de seu grupo e estaria eliminado da competição caso ela terminasse agora) já incomoda – e muito – o Corinthians. A prova disso foi a pressão que a Fiel fez neste domingo, logo após mais uma derrota (a terceira em seis jogos), desta vez para o Novorizontino/SP. Na saída dos jogadores, sobrou até para o inatingível Fábio Carille, que teve de ouvir dezenas de torcedores o chamando de “mercenário”. E isso porque o Timão venceu o derby na semana passada, e no estádio do Palmeiras…

Meio com cara de fim – Devido à tragédia no Ninho do Urubu, as semifinais da Taça Guanabara foram adiadas do último fim de semana para o meio desta. Assim, Vasco da Gama/RJ x Resende/RJ jogarão quarta-feira, às 21h30, no Maracanã, enquanto o Fla-Flu que decidirá o outro finalista será jogado no dia seguinte, na mesma hora e no mesmo estádio.

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