Seminário em Diadema encerra mês da Luta Antimanicomial

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Da Redação – Discutir o modelo de atendimento em saúde mental e lutar contra a existência de hospitais psiquiátricos foi o foco do Seminário “Por uma Sociedade sem Manicômios”, promovido pela Prefeitura de Diadema nesta sexta-feira (31/5), no auditório do Quarteirão da Saúde. O evento reuniu palestras sobre o tema, apresentações culturais e de trabalhos dos usuários de serviços de saúde mental.

Para o secretário adjunto de saúde de Diadema, Flavius Augusto Olivetti Albieri, é preciso lembrar a data para que não aconteçam mais situações desumanas que existiam em hospitais psiquiátricos. “Hoje é um marco importante. São 32 anos de luta junto com o sanitarismo brasileiro”, afirmou. O Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio) surgiu em 1987, durante o Congresso de Trabalhadores de Serviços de Saúde Mental, em Bauru, para dar visibilidade ao movimento de respeito à dignidade das pessoas com transtornos mentais e estimular o tratamento fora dos manicômios.

Após a exibição do webdocumentário Mentalmorfose (produção de alunos de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo), a economista do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (CONSEMS) de São Paulo, Mariana Melo, palestrou sobre os Desafios Atuais da Política de Saúde Mental. “O SUS é um direito pelo qual a gente luta todos os dias. Ele surgiu com responsabilidade financeira de três esferas: municipal, estadual e União, mas vem se mostrando uma questão bem delicada, justamente por conta de restrição orçamentária. O que observamos é uma descentralização da responsabilidade e não do recurso. Quem arrecada mais é a União, porém quem gasta mais é o município”, afirmou. Atualmente, Diadema investe cerca de 40% do orçamento municipal em Saúde.

Após os movimentos psiquiátricos da década de 1980, a legislação federal garantiu que os recursos gerados pela eliminação dos leitos psiquiátricos devem ser necessariamente destinados à rede de serviços extras comunitários de saúde mental, como Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs) e residências terapêuticas. Em 1990, Diadema já iniciava esse modelo pioneiro de atendimento com um Centro. No país, eram apenas 12 unidades. Já em 2002, eram 424 CAPS no Brasil. No ano de 2016, o número saltou para 1.620 equipamentos.

Todos cuidam

Hoje, aproximadamente duas mil pessoas são acompanhadas nos CAPSs. Os serviços oferecem atendimento multiprofissional, já que o adoecimento psíquico é multifatorial. “A ferramenta fundamental e mais importante para o cuidado em saúde mental somos nós, a ferramenta humana”, evidenciou a psicóloga do Instituto Sedes Sapientiae, Patrícia Vilas Boas.

A palestrante convidada ainda ressaltou a importância de o cuidado ser disponibilizado em Redes de Atenção Psicossocial de Diadema (RAPS). “A rede é muito mais abrangente para cuidar das pessoas do que um equipamento especializado em saúde mental. Não se consegue construir saúde mental se não há diálogo com a escola e a assistência social, no território ou no bairro, e com os muitos atores que envolvem o cuidado, pois a vida se dá no cotidiano e não no hospital”.

A RAPS de Diadema reúne três CAPSs tipo III, um CAPS Álcool e outras Drogas, um CAPS Infanto-Juvenil, equipes de saúde mental em todas as 20 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), uma residência terapêutica e um pronto socorro com enfermaria psiquiátrica no Hospital Municipal.

Mês de Maio

Para lembrar a data, todos os CAPS realizaram ações e discussões sobre a luta antimanicomial. Também foi realizado, em 28 de maio, um dia de atividades especiais na Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Paulina como apresentações de coral, videodocumentário, oficinas de pulseira de macramê e espeto de frutas, rodas de conversa e atendimentos como avaliação e orientação de saúde bucal, orientação nutricional, acompanhamento de hipertensos e diabéticos e realização de teste rápido para HIV, sífilis e hepatite.

O evento terminou com a apresentação do coral dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs) de Diadema.

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