“Seleção Brasileira não é uma coisa séria”

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* Márcio Trevisan – A frase que intitula a coluna desta semana não está escrita entre aspas por acaso. Trata-se de uma citação de muitos anos atrás, mais especificamente de março de 1977, feita pelo técnico Rubens Minelli.

Então tricampeão brasileiro – pelo Palmeiras em 1969 e pelo Internacional/RS no bicampeonato de 1975/1976 (e ainda seria tetra, pelo São Paulo, no ano seguinte) –, ele era o nome certo para substituir Oswaldo Brandão no comando da “Canarinho”, que disputaria a Copa do Mundo da Argentina em 1978. Porém, sem contar com o apoio da Imprensa do Rio de Janeiro pelo fato de nunca ter dirigido um clube daquele Estado, acabou preterido pelo carioquíssimo – e até então também desconhecidíssimo – Cláudio Coutinho.

Lembrei-me das palavras do antigo craque das táticas nesta semana, quando Tite anunciou a lista dos convocados do Brasil para os jogos contra Equador (31.08, em Porto Alegre/RS) e Colômbia (03/09, em Barranquilla/COL), válidos pelas Eliminatórias. Pelo fato de já estar matematicamente classificado à Copa do Mundo de 2018, o treinador acenava com a possibilidade de convocar alguns jogadores que vêm se destacando no Campeonato Brasileiro, até para descobrir, de repente, se um ou outro poderia fazer parte do grupo que irá à Rússia no ano que vem.

Daí que algumas especulações começaram a ganhar peso, casos dos corintianos Cássio, Rodriguinho e Jô, do santista Vanderlei, dos gremistas Luan e Pedro Geromel e do palmeirense Dudu, só para me a ter a poucos exemplos. Mas, na hora da divulgação dos 23 convocados, os únicos nomes lembrados foram o do goleiro do Timão e do atacante do Tricolor gaúcho. Por outro lado, jogadores que há tempos não justificam tantas oportunidades, como os goleiros Alisson e Ederson, o zagueiro Rodrigo Caio, os meias Willian e Giuliano e os atacantes Taison e Firmino mais uma vez vestirão a “amarelinha”.

Claro que todo treinador tem as suas preferências e, muitas vezes, estas extrapolam os limites do gramado. Atletas são chamados por simpatia, por amizade, por agradecimento até. E o técnico da Seleção Brasileira tem, sim, o direito de assim agir.

O problema é que, optando por esta filosofia de trabalho, ele gera não apenas uma tremenda injustiça, mas também uma desconfiança por parte da torcida. Vou dar um único exemplo: não há um único torcedor que não saiba que Vanderlei, do Santos, é o melhor camisa 1 do País neste momento, mas sabe-se lá por que o treinador de goleiros do selecionado nacional, Taffarel, não gostou do que viu nos treinamento que acompanhou “in loco” no CT Rei Pelé. E aí o humilde e tímido herói do Peixe ficou fora da lista.

E então começa, novamente, aquela história de que quem convoca alguns jogadores não é o treinador, mas sim os patrocinadores da CBF e os empresários dos atletas. É verdade? Talvez. Mas juro: quando Tite foi anunciado como sucessor de Dunga, tive a mais absoluta certeza de que, se algumas vezes isso havia acontecido, jamais voltaria a acontecer.

Se Rubens Minelli ainda está certo sobre a definição que deu sobre a Seleção Brasileira em 1977, parece que me equivoquei.

Curtinhas

Parabéns! – O ano de 2017 ainda está um tanto quanto longe de acabar, mas três equipes já têm motivos de sobrar para esperar 2018 com muito otimismo. Juazeirense/BA, Atlético/AC e Globo/RN garantiram neste fim de semana seus acessos à Série C do Campeonato Brasileiro do ano que vem. A última vaga será decidida nesta segunda, 14/08, entre Operário/PR e Maranhão/MA, mas o representante do Sul está bem mais perto da classificação: além de jogar em casa, ainda poderá perder por até um gol de diferença.

Sem brincadeira – O meia Kaká foi expulso no último sábado, durante a derrota do seu time, o Orlando City, para o RB New York por 3 a 1, em jogo válido pela MLS – Major League Soccer, o Campeonato Norte-Americano de futebol. Motivo: durante uma confusão entre jogadores das duas equipes, da qual o craque não participou, ele resolveu brincar com seu ex-companheiro de time, Collin, segurando duas vezes com as mãos o rosto do agora adversário. O gesto, que gerou risos no francês, não agradou o árbitro da partida, que expulsou o brasileiro mesmo após o “agredido” ter confirmado que tudo não passou de uma brincadeira entre amigos.

Torcida de campeão – O São Paulo vive uma das piores fases dos últimos tempos, completará no fim de 2017 cinco anos sem a conquista de um título (sendo nove sem garantir uma taça expressiva) e, neste Brasileirão, segue lutando arduamente para não ser rebaixado. Mas seus torcedores agem como se a equipe ainda vivesse os áureos e gloriosos anos de Telê e Muricy. Na manhã deste domingo, mais de 56 mil são-paulinos quebraram o recorde de público do torneio e viram a equipe vencer o Cruzeiro/MG por 3 a 2. Prova que péssimos momentos não espantam aqueles que realmente amam o clube.

Dinheiro não traz felicidade – Considerado, com toda a justiça, o time mais rico do Brasil, o Palmeiras não costuma ter problemas tanto na hora de reforçar sua equipe como nos momentos de dizer “não” a propostas de outros clubes por seus principais jogadores. Porém, tal situação parece não ser garantia de sucesso: neste ano, o Verdão foi eliminado do Campeonato Paulista pela Ponte Preta, da Copa do Brasil pelo Cruzeiro/MG e, o que doeu muito mais em seus milhões de torcedores, da Libertadores, na última quarta-feira, pelo Barcelona/EQ. Para piorar, a última chance que tem de levantar uma taça neste ano, a do Campeonato Brasileiro, fica mais distante a cada rodada: neste domingo, o time não passou de um empate com o Vasco/RJ fora de casa e, agora, está “apenas” 11 pontos atrás do líder, Corinthians. Detalhe: com um jogo a mais.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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1 comentário on "“Seleção Brasileira não é uma coisa séria”"

  1. Paulo Gomes

    “Este não é um país sério”.
    Na nossa seleção também.
    Cada vez me convenço mais de que o general francês Charles de Gaule sempre esteve certo…

    Mais uma vez, agradeço e reverencio o bom tom e lucidez de suas análises, amigo Márcio Trevisan.
    Um forte – e legítimo – abraço, amigo!

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