São Bernardo deixa no passado o ar de cidade do interior

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Da Redação – Dá para imaginar que na década de 1950 a diversão da garotada de São Bernardo era brincar no límpido rio, com peixes e muitas pedras ornamentais, que corria a céu aberto onde hoje é a Avenida Faria Lima? Quem viveu nesta época tem muita história para contar de um tempo em que brincar nos rios e subir em árvores era o que tinha de melhor. Nascida no Bairro Assunção, a dramaturga Hilda Breda, 63 anos, conta com riqueza de detalhes fatos de sua infância e juventude vividas nesta São Bernardo que ficou para trás.

Ela brincou muito no rio da Faria Lima, mas antes de se mudar para perto dele, para a Vila, como era chamado o Centro da cidade, convivia com outros rios e nascentes que percorriam o Bairro Assunção, onde morou por nove anos. Hilda lembra que o pai ia na casa dos parentes, todos descendentes de italianos, de barco, em pleno Bairro Assunção. Dá para imaginar isso?

A diversidade de verduras e frutas cultivadas em vários cantos da cidade também era muita. A família Breda cultivava no quintal vários tipos de hortaliças e frutas como araçá, banana, uva, laranja. Criavam galinhas, porcos e coelhos para consumo doméstico. A comida era feita no fogão à lenha e não faltava a polenta e a minestra, sopa de feijão e verduras, pratos típicos da cozinha italiana. Nesta época, o Assunção tinha não mais do que uma dezena de casas: “As casas eram de chão batido, não tinha forração e até cobra se via penduradas no telhado”, diz Hilda Breda.

O Centro da cidade não era diferente. Nas ruas principais, a Marechal Deodoro e a Jurubatuba, o comércio era bem tímido, com poucas ruas no entorno, com algumas casas de famílias tradicionais italianas.

Cidade se expande – Com a chegada das montadoras, no fim da década de 1950, a cidade começou a mudar de cara. As fábricas de móveis que basicamente sustentavam a economia começaram a perder espaço, porque a novidade eram as montadoras, e todo mundo queria trabalhar nelas porque o salário era melhor. A cidade então começou a se expandir.

Novas ruas foram criadas e o número de residências aumentou, pois muita gente veio de fora morar em São Bernardo. Na década de 1960 a cidade ganhou o primeiro prédio (antigo Banco Noroeste, hoje Santander) na esquina das ruas Marechal Deodoro e Dr. Flaquer. Depois veio outro, esse residencial, na esquina da Dr. Flaquer com Faria Lima, e assim a cidade também começava a crescer verticalmente. No início da década de 1970 surgiram as primeiras favelas.

A verticalização aumentou consideravelmente nas duas últimas décadas, em especial em bairros centrais como Nova Petrópolis, Baeta Neves, Santa Terezinha e áreas próximas ao Paço Municipal.

Para a aposentada Eliana Marques, 59 anos, todas as épocas têm seus encantos e desencantos. Ela lembra do tempo em que morava em casa térrea na região de Rudge Ramos, numa São Bernardo mais sossegada, mas é enfática em dizer que a vida hoje é bem melhor. “Temos todas as facilidades à mão. Não troco a vida de hoje pela que vivia na minha mocidade. Estou muito feliz agora.”

A aposentada mora hoje em apartamento no Bairro Chácara Inglesa e se diz muito satisfeita. “Sinto-me mais segura em um condomínio, que além da segurança me traz outros benefícios, como áreas de lazer.”

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