Santo André passeava e se encontrava na Coronel Oliveira Lima

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* Carlos Alberto Coquinho Bazani – Nesta edição da coluna Do Fundo do Baú, iremos prestar uma homenagem à nostálgica Coronel Oliveira Lima e seu entorno, que tanto contribuiu para o desenvolvimento do comércio no Centro da cidade.

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Passeando através do tempo, relembramos alguns locais que foram referência para muitos de nós. No finalzinho dos anos 50 e até meados dos anos 70, a Rua Coronel Oliveira Lima fez parte de uma época de mudanças, transformações, de novas atitudes e costumes, principalmente entre os jovens que revolucionaram a moda, as artes e o comportamento político e social.

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A Oliveira Lima e o seu entorno fizeram parte dessa renovação. Começando pelo Largo da Estátua, na Padaria Central, ponto de encontro de algumas lideranças andreenses. Passando pela pastelaria, caldo de cana e churros de propriedade do Mestre Lope, depois pelas Lojas Americanas em busca do bauru no pão de forma, do cachorro quente no grill, do sundae e banana split, e outros atrativos gastronômicos. Na Kopenhaguen, os cobiçados e desafiadores de calorias, os deliciosos e atraentes bombons e chocolates.
13349020_1822871521280861_1868028239_nEntrando na Nova Galeria, precisamente na Lanchonete A Gôndola, com seus sucos diversos e os finos salgadinhos, frequentada pelo grupo musical Os Novos Baianos, pegando uma carona no som internacional (vinil), cujo som ecoava da discoteca do Waldock. Outra parada obrigatória era na Macy’s Lanchonete, ao lado Funerária Pagano, que oferecia lanches, porções e atendimento diferenciado, uma novidade para os padrões da época. Às quartas e sábados, o programa preferido de muitos era degustar aquela suculenta feijoada do Sand’s Restaurante, do amigo Tarciso Franco, na Rua Elisa Flaquer.

Quem não se lembra da diversão e das brincadeiras no tobogã montado ao lado das Lojas Nippon, onde o elevador levava os fregueses ao último andar, na lanchonete onde se curtia música ambiente, e usando a superpista de autorama para os fãs dessa modalidade. Passando pelo seu João no outro lado da rua, para apreciar as suas deliciosas pipocas no seu carrinho em frente ao Primeiro de Maio FC.

Descendo até o Quitandinha Bar, o local preferido dos torcedores para a comemoração dos três títulos mundiais da Seleção Brasileira de Futebol, com direito a muita festa, faixas, batucada, rojões, ovo e farinha. Na Lanchonete A Praça, na Praça do Carmo das festas juninas e da feira hippie. Legal mesmo era descer a Rua Campos Salles, onde funcionava a Lanchonete Saladão e o Bar Canário de Prata. Outra referência da rua, a Padaria Matinal, embaixo da sede social do Ocara Clube, onde se realizavam festas e bailes de formatura, bem em frente da Discoteca Aldo, ao lado da Drogasil.
13329796_1822871507947529_175003362_nAs butiques Riviera, Candelabro, Atualitta, Veronezi, além da casa de tecidos Seda Nossa, eram as preferidas da galera, tendo ainda como opções, as lojas Garbo, Exposição, Clipper, Ducal, Everest. Para o ajuste das famosas calças jeans, Lee, Levi’s, Wrangler entre outras, tinham os famosos, Blanco, Lázaro, e o Pedro Costureiro, que atendiam a grande demanda dos exigentes clientes. Calçados, bolsas e outros acessórios em couro, era só passar nas Casas Eduardo, Galluzzi, Tropicalce, Caprishow e Calçados Bata, entre outras.

Na famosa rua, o vai-vem dos carangos com motores envenenados de dupla carburação, escapamento Kadron, pneus de tala larga nas rodas de magnésio (tipo palito), buzina Fiam, vidros Ray Ban ou degradê, e o som dos toca fitas Pionner e TKR e seus potentes alto falantes.
13342115_1822873427947337_1039745320_nOs jovens elegantes desfilavam os seus elegantes modelitos, compostos por calças Saint Tropez com boca de sino, calçados com salto carrapeta, minissaias, camisas de seda, jeans, voal, anarruga, e blusas cacharrel. Sem falar nos cabelos mais invocados de cada época.

As ruas Senador Flaquer, Coronel Oliveira Lima e posteriormente a Campos Salles eram os principais pontos de paquera que rolava solta, entre os jovens e adolescentes andreenses, após as sessões dos cines Tangará, Carlos Gomes e algum tempo depois o Studio Center. Quando ainda nem se chamava de azaração a conhecida paquera entre os jovens da época. Mas é inegável: quem viveu essa época não se esquece jamais.

Bons tempos! Ah Oliveira Lima, nós éramos felizes, e sabíamos disso!

 

* Car12735671_1776506772584003_1767669755_nlos Alberto Coquinho Bazani é natural de Santo André. Foi colaborador do Jornal Informação Resumo Jovem; da Gazeta do Grande ABC; da Rádio Orion FM e trabalhou na Assessoria de Comunicação e na Secretaria de Educação Cultura e Esportes de Santo André. É membro eleito do Conselho Diretor do Fundo de Cultura, além de coordenador do Bloco O Beco do Conforto. Contato com o colunista: carlosalbertobazani@gmail.com.br

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15 Comentários on "Santo André passeava e se encontrava na Coronel Oliveira Lima"

  1. GOGONI ANTONIO CARLOS

    CARO COQUINHO: PARABÉNS PELO BELO TRABALHO.
    Com sua vivência desta linda época, que em parte, em razão da idade, não pude participar integralmente, você, consegue prorpocionar, AOS QUE AMAM ESTÁ CIDADE, EXCELENTES MOMENTOS DE RELAMBRARMOS FELIZ ÉPOCA QUE ATRAVESSAMOS.
    MAIS UMA VEZ, REGITRO MEUS CUMPRIMENTOS.


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    Adorei ! Vivi esta época e éramos todos muito unidos em nossas “turmas” ….os bailes do Panelinha era onde encontravamos os nossos paqueras do footing em frente o Quitandinha. Tempo bom onde nós nos divertiamos inocentemente sem necessidade de drogas pesadas.

  3. Angela Andreuccetti

    Nossa! Me transportei e revivi cada momento! Sem dúvida, a Oliveira Lima era passagem obrigatória para quem estudava no Américo Brasiliense. Era lá que geralmente encontrávamos nossos paqueras, também do Américo, e entregávamos os cadernos de enquetes para saber mais da vida deles. Emocionante! Meus parabéns!

  4. Regiane

    Querido Coquinho,
    Maravilhoso esse seu relato,que relembra uma época pura, tranquila, onde as pessoas ainda podiam confiar umas nas outras, onde tomar sundae na americana era a “onda” mais esperada. Certamente a busca não era de drogas, e crueldade, ainda havia muito amor e esperança !! Parabéns!!!

  5. Denise de Castro Angelis Guedes Pereira

    Pessoal tô empenhada numa missão de tentar localizar uma pessoa que foi adotada em 1984 por um casal de Santo André, possíveis proprietários de loja de tecido, a senhora chama-se Vera é branca, a criança, hoje com 34 anos, talvez chama-se Priscila é parda.
    Nascida no hospital universitário da USP.
    Os pais Biológicos Risonete Alves da Silva e João Bandeira Damaceno moravam na Rua Harmonia, vila Madalena, perderam contato com o casal que adotou sua filha por uma tragédia em dia de temporal, está pedindo ajuda pra pessoas de Santo André.
    Alguém pode ajudar??
    Antigamente pelo que me lembro só tinha a Seda Nossa e Tecidos Olive em Santo André, alguém conhece ou proprietários??

  6. Mauro

    Estou com 60 anos e tudo que vc falou aqui fez parte de minha adolecencia , nunca esqueço o sunday das lojas americanas ,autorama na nippon ,copa de 70 , festa na oliveira lima ,e tantas outras lembranças

  7. Cleber Garcia

    Boa noite, por gentileza recordar o nome da farmácia que ficava na Coronel Oliveira Lima
    Agradeço se possível
    Abraço e ótimas lembranças
    Obrigado
    Cleber

    • Cesar

      Boa noite, até o começo dos anos 60 era a farmácia Santo André, na esquina da Oliveira Lima com General Glicério.
      Proprietário Sr José Brancaglione.

    • Marcos Soares

      Lembro também de jogar tênis de mesa na Nippon. FILA indiana. Perdeu saiu. Era Office boy então. Fugidinha antes de ir ao Banco. Tempo bom demais

  8. Eliete

    Olá, estou a procura de qualquer familiar biológico que tenha conhecimento da minha história, fui entregue a uma mulher que tinha uma barraca na feira há 44 anos atrás, minha mãe biológica não pode ficar comigo, o irmão dela era feirante mas faleceu , gostaria de conhecer minha família biológica. Eu nasci em agosto de 1974, se alguém souber de algo me informe, muito obrigada.

  9. johann schmidt

    Fantástico! Me lembro de todas essas lojas. Minha tia trabalhou na loja de sapatos Eduardo, e eu, então criança, cortava meu cabelo no subsolo da loja. O cachorro quente da Americanas continua sendo o melhor que já provei. Que bons tempos! Obrigado pelas boas recordações.

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