Saiba alguns erros muito comuns no dia a dia

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* Osmar Junqueira Lima – Vamos comentar alguns erros dos falantes no dia a dia. Ao entrar na padaria, na fila do pão, um falante diz: “Moça, por favor, me dá quinhentas gramas de mortadela”. Na língua portuguesa pela sintaxe de colocação, os pronomes pessoais oblíquos átonos me, te, se, o, a, lhe, se, nos, vos, se, os, as, lhes, ocupam três posições antes do verbo – próclise -, se houver palavra de valor negativo, exemplo: ‘não me diga isso’, ou facultativamente, antes do verbo, se a oração é iniciada por um substantivo ou pronome pessoa.

Exemplos: ‘Professor me faça um favor’ ou ‘Ela me contou a verdade’, usando o pronome depois do verbo – ênclise – ‘professor faça-me um favor’, usa-se a mesóclise somente no futuro do presente e no futuro do pretérito, se não houver palavra de valor negativo como advérbio, pronomes indefinidos, relativos, etc.

Exemplo: ‘Dir-lhe-ei a verdade’, ‘amar-nos-emos até o fim’, mas ‘não lhe direi a verdade’, não nos amaremos até o fim’; iniciando oração o pronome deve ser colocado, rigorosamente, depois do verbo, ‘faça-me um favor’, ‘dê-me quinhentos gramas de mortadela’. A palavra grama, unidade de medida de massa é palavra grega (grámma) do gênero masculino, e a palavra mortadela não existe, só existe mortadela.

Aí, o falante curioso pergunta, não existe grama no feminino? Existe, mas não com o sentido de medida, grama pode ser designação comum a diversas ervas da família das gramináceas que formam forrações espontâneas ou que são cultivadas para criar gramados em jardins e parques.

Assistindo ao jogo, o locutor para informar que alguns jogadores encontram-se em situação de impedimento, diz “tinham três jogadores impedidos”. O locutor se esqueceu de que o verbo ter é verbo pessoal e exige um sujeito. Nessa construção do locutor, o emprego do verbo ter é incorreto. O locutor tem duas possibilidades de acertar, ou usar o verbo haver, portanto, havia três jogadores impedidos, haver no sentido de existir é verbo impessoal; ou usar o verbo existir, nesse caso, o verbo existir é pessoal, existiam três jogadores impedidos.

Outro disse “eu perdo” a causa, o falante esqueceu-se de que o verbo perder é verbo irregular, na primeira pessoa do singular a forma correta é ‘eu perco’ e as demais pessoas seguem normalmente, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem. Ainda da mesma pessoa ouviu-se a perca do poder de compra, outro erro muito comum entre os falantes.

Em português o substantivo correspondente ao verbo perder é ‘perda’, a perda da safra. E quando se usa perca? Quando se trata do verbo perder no subjuntivo presente, que eu perca, que tu percas, que ele perca, que nós percamos, que vós percais, que eles percam, nas orações que indicam desejo, optativas.

Espero ter jogado um pouco de luz sobre essa salutar discussão sobre a Nossa Língua de Cada Dia. Até a próxima!

* Osmar Junqueira Lima é professor de Português (Literatura e Letras Modernas), ex-coordenador do Curso Objetivo e um dos fundadores da Unidade de Santo André do Objetivo e editorialista do site CliqueABC. Contato com o colunista pelo e-mail professor.osmar.junqueira@gmail.com

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