Sabesp lança operação para recuperar 2,5 bilhões de litros de água por mês

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Da Redação – A Sabesp lançou uma ofensiva para instalar as redes de água para 120 mil imóveis construídos em área informal na Grande São Paulo, sendo 70 mil desses na capital. A operação visa garantir água de qualidade para quase 400 mil pessoas, que hoje fazem “gatos” para se abastecer. Pretende também diminuir as perdas com vazamentos, já que as mangueiras puxadas para levar água a esses imóveis costumam sofrer com furos constantes, que podem inclusive permitir a entrada de sujeira.

O trabalho já começou na comunidade Pegasus, na cidade de Embu das Artes, onde os 1.141 imóveis foram ligados à rede de água entre novembro de 2015 e janeiro passado. Nesse período, a Sabesp conseguiu evitar que 17 milhões de litros de água potável se transformassem em perdas.

Para ter uma ideia do alcance do pacote promovido pela companhia, a estimativa é que deixem de ser perdidos até 2,5 bilhões de litros de água a cada mês com as novas ligações. Desse volume, 1,25 bilhão de litros por mês deixarão de vazar pelas mangueiras improvisadas, volume suficiente para abastecer 114 mil imóveis – equivalente a uma cidade do porte de São Vicente, Itaquaquecetuba ou Piracicaba. Além disso, outros 1,3 bilhão de litros mensais passarão a ser recuperados também pela companhia em perdas aparentes, já que hoje a água consumida nas moradias informais não é faturada.

Todos os clientes residenciais que forem conectados na operação serão incluídos na tarifa social – que hoje é de R$ 7 para residências que consumam até 10 metros cúbicos mensais, ou 33% da tarifa normal. O consumo médio desses imóveis é de 10,9 metros cúbicos mensais.

A operação baseia-se em um modelo inovador de licitação, o contrato de performance. A empresa vencedora da licitação implanta a infraestrutura de abastecimento por conta própria e é remunerada pelo volume de água que deixa de ser perdido. Ou seja, a contratada instala as redes, ligações, caixas de medição e hidrômetros em todo o bairro, mas só recebe da Sabesp quando os moradores se conectam – passando então a evitar a perda de água tratada. Quanto maior o número de domicílios ligados, mais alto é o volume de água recuperado e, portanto, o pagamento pelo serviço prestado.

“Os benefícios para os moradores estão na melhoria da saúde com a garantia de fornecimento de água de qualidade e na cidadania, já que ele passa a ter um comprovante de endereço, pode agora matricular os filhos na escola, por exemplo. Para a sociedade como um todo, o ganho ocorre com a diminuição dos vazamentos numa área onde antes não era possível fazer a ligação”, explica o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Além disso, segundo estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, os vazamentos existentes nas áreas informais provocam diminuição na pressão da água na rede oficial, fazendo com que moradores de bairros vizinhos possam até ficar sem abastecimento. O levantamento, chamado “Saneamento Básico em Áreas Irregulares no Estado de São Paulo”, mostra que 14,9% da população da capital paulista vive nessas moradias.

Com esses contratos de performance, a Sabesp pretende acelerar a conexão dos imóveis em áreas informais na capital e na Grande São Paulo. Nos últimos quatro anos, foram ligados 80 mil domicílios. Para que, nestes próximos dois anos, todos os 120 mil imóveis listados sejam conectados à rede de água, a companhia trabalha em conjunto com cada prefeitura da Grande São Paulo com o objetivo de obter as autorizações para cada comunidade.

A iniciativa será implantada ao longo deste ano e de 2017, em casas construídas em terrenos públicos, que não sejam de proteção ambiental. Nesses locais de ocupação informal, a Sabesp negocia autorizações individuais com as prefeituras, documentação necessária para implantar as tubulações, já que uma lei federal impede a instalação de sistema de saneamento em áreas sem infraestrutura urbana.

A companhia também negocia para instalar as redes de esgoto nesses terrenos. Essa implantação depende de um trabalho de reurbanização por parte das prefeituras, já que as tubulações muitas vezes precisam ser instaladas em locais onde hoje existem casas construídas. Faz-se necessário então construir novas moradias para essas famílias.

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