Ribeirão Pires faz tombamento provisório de patrimônios municipais

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Da Redação – O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural e Natural, ligado à Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico do município, aprovou a abertura de estudos de tombamento de três áreas do município: Pedra do Elefante, Gruta Quarta Divisão e Casa de Oswald de Andrade. De acordo com a Lei Municipal nº 5.907/14, que define a política municipal de patrimônio, as solicitações serão encaminhadas ao CATP – Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio, departamento que fica encarregado de aprofundar os estudos sobre cada local.

Nesse período, o proprietário pode recorrer, mas os três pontos ficam provisoriamente tombados, sendo impedida qualquer destruição ou descaracterização pelo prazo de 6 meses, podendo ser prorrogado pelo mesmo período até a conclusão da avaliação. “Estamos avançando na política de preservação do patrimônio, que está prevista no Plano Diretor da Cidade, bem como no Plano Diretor de Turismo, concluído recentemente. Estamos dando o apoio necessário para que os estudos sejam feitos dentro do prazo legal e torcemos para que sejam aprovados, pois isso garante a proteção permanente desses locais, que também são pontos turísticos da nossa cidade”, explica o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico, César Ferreira.

Sobre a Pedra do Elefante: Levantamentos preliminares indicam que a Pedra do Elefante foi descoberta na década de 1950 por Valentino Redivo, quando das atividades de prospecção decorrentes da Pedreira da Quarta Divisão. Redivo não permitiu que a rocha fosse dinamitada. Inicialmente chamada de “Pedra Grande”, a rocha ganhou o nome de “Elefante” por sua forma semelhante a um paquiderme. A rocha está localizada no alto do Morro da Suindara, na divisa de Ribeirão Pires com Suzano, e é um dos primeiros pontos turísticos naturais do município de que se tem notícia. Do local, pode-se avistar uma considerável paisagem preservada, além dos municípios vizinhos de Suzano, Mauá (Vale do Tamanduateí) e parte da Zona Leste de São Paulo. A rocha está inserida em uma área de Mata Atlântica, cercada por mananciais, e se configura como um grande bloco exposto no terreno, morfologia homogênea, sem fraturas.

Sobre a Gruta da Quarta Divisão: Catalogada em 1987 pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), a Gruta Paraíso é um raro exemplar, por ser considerada a maior gruta granítica do Brasil, com 19 metros de desnível e 130 de projeção horizontal. Possui salões amplos, com blocos amparados um sobre o outro e travados por gravidade. A gruta recebe água de córregos da região e seu interior é dominado pelo constante som das águas. Possui claraboias naturais que quebram a escuridão dos salões e apresenta vegetação nativa. Está inserida em Área de Preservação Permanente (APP).

Sobre a Casa de Oswald de Andrade: Levantamentos preliminares indicam que a casa de campo realmente pertenceu a Oswald de Andrade, chegando a ser muito frequentada pelo escritor em seus últimos anos de vida. Em matéria veiculada no caderno Setecidades (Diário do Grande ABC), foi apontada a possibilidade de “Marco Zero II: Chão”, uma de suas mais importantes obras, terem nascido ali naquele local. Outras referências aparecem nas biografias de Oswald de Andrade. A primeira, em 2003, na obra Maria Antonieta d’Alkmin e Oswald de Andrade: Marco Zero. Em Cronologia, Orna Levin revela que, por essa época, Oswald recebeu no sítio o filósofo italiano Ernesto Grassi, a quem oferece um churrasco. Na obra Oswald de Andrade: Biografia, aparecem brevíssimas referências que também confirmam seu sítio em Ribeirão Pires.

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