Receita das MPEs do Grande ABC cai 17,8% em novembro

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Da Redação – A queda no faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo registrou uma desaceleração no mês de novembro de 2016, indica a pesquisa Indicadores Sebrae-SP. O faturamento real das MPEs apresentou redução de 2,9% em relação a novembro de 2015, descontada a inflação. Embora essa seja a 23ª queda consecutiva, a taxa de retração é a menor registrada nos últimos doze meses. No total, essas empresas faturaram R$ 50,8 bilhões em novembro de 2016.

Por setores, a maior queda foi registrada na indústria: -5,5% em relação a novembro de 2015. Na sequência, as perdas foram: comércio (-3,2%) e serviços (-1,9%). No acumulado do ano, a diminuição no faturamento real das MPEs é de 11,3%. Por outro lado, as receitas de novembro em relação a outubro cresceram 2% – com destaque para a indústria, que teve acréscimo de 5,3% de um mês para o outro.

“A atividade econômica tem perspectivas mais positivas para 2017 e o empresário está voltando a respirar. Houve um impulso importante com a produção voltada para o Natal, que refletiu positivamente na atividade industrial”, diz o presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf. “Esperamos agora que, inclusive com os incentivos aos pequenos negócios, nós consigamos virar o jogo em relação a essa sequência de quase dois anos de queda de faturamento”, completa.

Em relação aos números por região, mais uma vez as empresas de micro e pequeno porte do Grande ABC foram as que mais sofreram, com perda de faturamento no período: diminuição de 17,8%. Isso se deve, principalmente, ao perfil dos negócios instalados nos municípios daquela região, em grande parte ligados à indústria automotiva. A Capital registrou queda de 3,4% na receita das MPEs, enquanto municípios da Região Metropolitana de São Paulo tiveram retração de 1,2%. No interior, a queda foi de 4,6%.

“A inflação e o aumento no número de desempregados nos últimos dois anos tiveram um impacto negativo no consumo interno. Isso atinge diretamente os resultados dos pequenos negócios”, explica o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano. “Por outro lado, o aumento da confiança dos empresários mostra que eles já sentem sinais positivos. Vai sair na frente quem está preparado para essa retomada”, afirma.

O índice de donos de micro e pequenas empresas que acreditam em uma melhora do faturamento da empresa nos próximos seis meses, registrado no mês de dezembro, é de 33%. Em dezembro de 2015, esse porcentual era de 20%. No mesmo período, a fatia de entrevistados que espera melhora para a economia brasileira como um todo passou de 15% para 26% – metade dos empresários pesquisados acredita em estabilidade do cenário.

Resultado dos MEIs – A pesquisa Indicadores Sebrae-SP também mostra que as receitas dos Microempreendedores Individuais (MEIs) paulistas sofreram nova queda em novembro: -6,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. É a 16ª queda consecutiva. Os MEIs que atuam na indústria, no entanto, registraram faturamento real 8,7% maior do que em novembro de 2015. Por outro lado, comércio, com -10,8%, e serviços, com -8,6%, puxaram o desempenho dos MEIs para baixo. No acumulado do ano de 2016 até novembro, a categoria como um todo registrou queda de receita real de 14,8% sobre o mesmo período de 2015. A receita total do setor no mês foi de R$ 3,8 bilhões – diminuição de R$ 247,3 milhões em relação a novembro de 2015.

Esses resultados, porém, não abalaram as expectativas dos MEIs a respeito dos próximos seis meses: em dezembro, 50% deles disseram acreditar em melhora no seu faturamento nos próximos seis meses, contra 43% em dezembro de 2015. Já sobre a economia brasileira, 39% dos MEIs esperam uma melhora – eram 23% em dezembro de 2015. Apesar disso, esse índice é menor que o registrado nos meses anteriores. Em outubro de 2016 a expectativa positiva sobre a economia do País chegou a 51% dos MEIs.

A pesquisa – A pesquisa Indicadores Sebrae-SP foi realizada com apoio da Fundação Seade. Foram entrevistados 1,7 mil proprietários de MPEs e 1 mil MEIs do Estado de São Paulo durante o mês de referência. No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 3,6 milhões. Os MEIs são definidos como os empreendedores registrados sob essa figura jurídica, conforme atividades permitidas pela Lei 128/2008. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo INPC-IBGE.

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