Radicalismo e messianismo políticos são os males da politicagem insana

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* Gabriel Clemente – O “messianismo” político é um mal que, há tempos, domina as mentes em vários países do mundo, sobretudo na América Latina. A polarização ideológica revela que o povo tem o hábito de endeusar políticos, principalmente em momentos de crise mais acentuada.

Afinal, o que explica esse fenômeno? Fomento da esperança por dias melhores? Radicalização motivada pelo ódio, revanchismo? O que deveria ser um debate mais lúcido e racional, tornou-se algo semelhante a brigas de torcida em um jogo de futebol, algo passional.

No Brasil, essa situação é mais do que evidente. Vivemos uma nova “Guerra Fria”. Troca de farpas entre os líderes políticos e seus “torcedores” acentuam a divisão do país, em um cenário no qual os opositores torcem pelo ‘quanto pior melhor’.

A notória operação “Lava Jato” desmascarou muitos medalhões da nossa política, mas ainda há muitos a serem investigados e punidos. Muitos.

Depois de Lula e seus colaboradores mais próximos, a ‘bola da vez’, agora, é o ex-presidente ‘conspirador’, Michel Temer, réu em seis ações penais por corrupção. O outrora aliado político do petismo tem a sua incômoda situação comemorada.

Bolsonaro chegou ao Planalto justamente devido ao que foi revelado nos últimos 5 anos. Com o discurso do antipetismo, o capitão do Exército ‘surfou a onda’ com êxito, chegando à Presidência sem muitas dificuldades. Hoje, mandatário maior da nação, de apedrejador, virou vidraça. Normal. Afinal, é papel da imprensa fiscalizar quem está no poder.

Assim, vieram à tona denúncias contra o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ). O presidente diz que, na verdade, o objetivo é atingi-lo, o que, em parte, não é verdade. Seu primogênito é adulto, político há muito tempo e deve responder pelos seus atos na Justiça.

O petismo comemora, como se isso fosse minimizar, atenuar a situação do seu ‘Cristo’, líder maior no cárcere de Curitiba. Apesar de as acusações contra Flávio serem graves, como peculato e lavagem de dinheiro, mais de 90% dos políticos do país usam das mesmas práticas nada republicanas, o que, claro, não justifica fazer ‘vistas grossas’ e ignorar as denúncias contra ele. Investigue-se.

Nesse imbróglio todo, seguidores dos dois ‘ungidos’, Lula e Bolsonaro, trocam acusações, ironias e flechadas. Virou mesmo algo semelhante a uma decisão de Copa do Mundo, na qual o ‘sujo’ acusa o ‘mal lavado’ o tempo todo.

Embora as redes sociais tenham se tornado uma grande ‘arquibancada’, elas vêm exercendo o papel social de tornarem públicas muitas verdades, principalmente no combate às ‘fakenews’.

Apesar de observarmos uma maior consciência política, ainda há muito a progredir, a partir do momento que nos tornarmos mais coerentes, deixando de lado esse ‘Fla-Flu’ eleitoral.

* Gabriel Clemente é jornalista graduado pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Atuou como assessor de imprensa político, repórter da Rádio ABC e assistente de Comunicação institucional do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA)

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