Quem dá bola para o Paulistão?

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* Márcio Trevisan – Houve um tempo, um tanto quanto já bem no passado, em que os campeonatos regionais tinham uma importância indiscutível. Ser campeão estadual, sobretudo Paulista, era muitas vezes o maior objetivo de uma equipe durante toda a temporada.

Para se ter uma prova disso, basta lembrar a festa que corintianos e palmeirenses fizeram em 1977 e 1993, respectivamente, quando comemoraram o fim de um longo período sem conquistas relevantes (quase 23 anos e quase 17 anos, também pela ordem).

Mas isso já era. Hoje, os torneios estaduais – inclusive o Paulistão – são o patinho feio dentre todas as competições disputadas pelo grandes times. A importância que passou a ter a Copa Libertadores da América, o surgimento de competições como a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana, a manutenção do Campeonato Brasileiro no sistema de pontos corridos e, sobretudo, a incrível quantidade de dinheiro que estes quatro torneios pagam a quem deles participa e, sobretudo, a quem eles os vence tornaram as disputas regionais meras pré-temporadas para os maiores clubes.

Neste 2021, o Campeonato Paulista se viu ainda mais jogado às traças. As quatro principais equipes estaduais – e, consequentemente, as principais favoritas ao título – estão inseridas em competições simultâneas muito mais importantes e muito mais vantajosas financeiramente: Palmeiras, São Paulo e Santos na “Liberta”, Corinthians na “Sula” e todos da “CB”.

Com isso, ainda que Timão e Tricolor cumpram ótimas campanhas até aqui e já estejam praticamente classificados à etapa seguinte do Paulista e Peixe e Verdão também ainda tenham totais chances de garantir suas vagas, a verdade é que os quatro já deixaram bem claro a todo mundo, sobretudo quando escalam times parcial ou até mesmo quase que totalmente formados por suplentes ou por jogadores das categorias de base, que seus principais objetivos vão muito mais além do que ser apenas o melhor time do Estado. Em síntese: para Santos, Corinthians, Palmeiras e São Paulo o fato é que, se o título do Paulistão vier, beleza; se não vier, beleza também.

Triste? Com certeza. Mas como certa vez disse um poeta, é a tal “força da grana, que ergue e destrói coisas belas”.

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