Quando quem perde é o futebol

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* Márcio Trevisan – Certa vez, conversando com um colega jornalista em meus tempos de A Gazeta Esportiva, lhe contei que em meus tempos de adolescências fiz parte de uma torcida organizada. Ele, surpreso, me disse que eu não tinha o perfil deste tipo de torcedor – ou seja: de violento eu não tinha nada.

Eu me lembrei deste rápido diálogo, travado já há muitos anos, ao ver nesta manhã as imagens da agressão sofrida por um membro de uma torcida corintiana por parte de alguns marginais que vestiam camisas do Coritiba/PR. E apesar de tantos anos de carreira e de já ter presenciado “in loco” várias batalhas no futebol (como aquela em 1995, no Pacaembu, ao fim de uma partida de juniores entre Tricolor e Verdão), confesso que fiquei, mais do que chocado, enojado.

Obviamente, não serei idiota de fazer de conta de que há inocentes nestas facções criminosas que se travestem de torcidas organizadas. Não, não os há, e por um motivo simples: se não são criminosos, não deveriam fazer parte de facções criminosas. É aquele velho ditado: diga-me com quem andas e eu te direi quem és. Nos meus tempos de TUP, é claro que existiam os brigões, mas eram raros. E outra: jamais, em meus 5 anos de associado, me envolvi em qualquer tipo de confusão com torcedores adversários. É uma questão de índole.

Contudo, mesmo sabendo que quem se envolve neste tipo de situação tem poucas chances de ser alguém decente, não posso compactuar com o que fizeram estes marginais disfarçados de torcedores do Coritiba/PR. Além da covardia, já que eram vários contra apenas um, o que me chamou foi o ódio com que espancaram o corintiano. E aí, pergunto: de onde vem tanta raiva? O que o agredido, de fato, fez contra os agressores, além da burrice de descer do ônibus? Nem mesmo a rivalidade entre clubes pode ser utilizada como desculpa, pois nunca que Corinthians e Coritiba/PR foram rivais nesta vida.

Talvez os chutes na cabeça, os socos no rosto, os pisões no pescoço desferidos sobre o corintiano tivessem por alvo não ele, especificamente, mas o desemprego, a falta de dinheiro, o péssimo ou mesmo inexistente atendimento nos hospitais, os ladrões que infestam a nossa Política, aquela mina que não deu bola na noite do sábado, sei lá. O que sei é que chutes na cabeça, socos no rosto, pisões no pescoço não são simples agressões – são, na verdade, tentativas de homicídio, e como tais devem ser julgadas e exemplarmente punidas.

Mas não acredite, amigo, que isso acontecerá. É possível que um ou dois sejam identificados, sejam apresentados à Imprensa, apenas para dar a impressão de que o caso está sendo apurado, mas nada de fato acontecerá. Não dou um mês e tenho certeza de que todos os que participaram desta revoltante ação estarão de volta às arquibancadas do Couto Pereira – e ai de algum torcedor adversário que, por engano ou ignorância, atravesse o caminho deles. Afinal, advogado e membro dos Direitos Humanos é o que não falta, sobretudo se for para defender vagabundo e marginal.

Neste domingo, meu amigo, eu não sei se o seu time ganhou, mas sei que o futebol perdeu.

 

CURTINHAS

Até quando? – Mais uma vez o São Paulo ficou devendo futebol e perdeu. Para piorar, desta vez a derrota foi em casa e o adversário – o Atlético/MG – cumpria campanha bem inferior. Diante deste quadro, a pergunta que muitos – isso mesmo: muitos – fazem no Morumbi é até quando Rogério Ceni será mantido no cargo apenas por ser o maior ídolo da história do clube.

Sentindo na própria pele – Acusado por seus adversários de ser o time mais favorecido por erros da arbitragem (algo que, cá entre nós, não está, assim, tão longe de ser verdade), o Corinthians provou na manhã deste domingo do outro lado desta história. Jô fez aquele que, com certeza, seria o gol da 7ª vitória do Timão neste Campeonato Brasileiro, mas o árbitro assistente Michael Correia, do Rio de Janeiro, absurdamente o anulou, alegando que o centroavante estava em impedimento. Só que Jô se encontrava atrás da linha da bola…

Inúteis – Quando um time goleia por 4 a 2 e longe de seus domínios fica quase impossível questionar a justiça da vitória, certo? Nem sempre. Neste domingo, o Palmeiras despachou o Bahia/BA jogando um ótimo futebol, mas seu primeiro gol só aconteceu porque o árbitro paranaense Rodolpho Toski Marques marcou pênalti de Rodrigo Becão em Keno, quando todo mundo viu que o zagueiro atingiu primeiramente a bola. Aí, pergunto: o que fazem os árbitros assistentes que ficam atrás das metas?

Sem graça e sem grana – Talvez você nem saiba, até porque ninguém está dando muita bola, mas começou a Copa das Confederações. Aliás, esta edição muito provavelmente será a última deste torneio, e os motivos são comerciais. Explico: como a classificação se dá por critérios técnicos (têm vaga garantida o campeão da Copa do Mundo anterior, o país-sede e os vencedores continentais), nem sempre os participantes são “interessantes” para quem compra a competição com seus anúncios. Esta edição é um bom exemplo disso: dos oito participantes, apenas a Alemanha já foi campeã do mundo e, portanto, faz parte da elite do futebol mundial. Em outras palavras: sem Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, França, Inglaterra e Espanha, a FIFA arrecadou muito menos do que esperava. E, vale lembrar, se houver mais uma, a Copa das Confederações será em 2021 e… No Catar.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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