Quando os deuses do futebol se tornam palmeirenses…

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – Tenho certeza de que todos vocês já ouviram falar nos deuses do futebol. São eles que determinam quem vence e quem perde um jogo, um campeonato e até mesmo uma Copa do Mundo.

Geralmente, costumam estar ao lado de quem melhor trabalha e, portanto, de quem mais merece a conquista. Mas, quando lhes dá na telha, esses caras decidem que o vencedor ou o campeão será outro e ponto final. E ai de quem pensar em ter a ousadia de os contrariar.

Na edição de 2020 da Copa Libertadores, que só foi terminar no último sábado, os deuses do futebol uniram os dois pontos desta história: resolveram dar uma força – ou melhor: “aquela” força – ao time que melhor trabalhou e, portanto, que mais mereceu levantar a taça. Mas o fato é que o bicampeonato continental obtido pelo Palmeiras, embora merecidíssimo, contou com uma indiscutível ajuda deles, os deuses do futebol. Querem ver?

1 – Na Primeira Fase, colocaram no grupo do qual o Verdão era o cabeça-de-chave três equipes sem nenhuma tradição no torneio – Bolívar/BOL, Tigre/ARG e Guaraní/PAR.

2 – Na Segunda Fase, decidiram que o adversário da equipe brasileira (a ser decidido em sorteio) seria o ridículo time do Delfín/EQU.

3 – Não satisfeitos, ainda jogaram o alviverde no lado “babinha do boi” dos confrontos, e com isso o oponente na Terceira Fase foi o também fraquinho Libertad/PAR.

4 – Nas semifinais, parecia que eles, os deuses do futebol, já haviam terminado o seu trabalho. Afinal, nelas o Palmeiras mediria forças com o River Plate/ARG, um time não apenas superior mas também muito mais acostumado a disputar e a vencer a Libertadores. E o que aconteceu? A equipe paulista fez um jogo perfeito em Buenos Aires/ARG e goleou o gigante argentino por 3 a 0.

5 – Acreditando piamente estar com a vaga assegurada, o time relaxou na partida de volta e só não foi eliminado com uma grande goleada em plena Arena Palestra Itália devido à perfeita atuação do VAR. Mas a pergunta é: como o VAR, que tanto erra, pôde ser tão correto daquela vez? Olha eles, os deuses do futebol, entrando em ação novamente.

6 – Desta forma, o Verdão chegou à final em igualdade de condições com o Santos/SP. No calor quase senegalês do Rio de Janeiro/RJ, o jogo foi absolutamente igual durante todo o tempo. Porém, o que mais se esperava era que os craques santistas Marinho e Soteldo fossem, em algum momento, desequilibrar a disputa, já que eram os dois mais técnicos jogadores em campo. E o que aconteceu? O primeiro se machucou sozinho logo nos minutos iniciais, permaneceu até o fim da decisão mas, depois daquele lance, não criou absolutamente nada de perigoso à meta palmeirense. Já o segundo, mais uma vez, pipocou em um jogo decisivo e teve uma atuação muito abaixo do que poderia apresentar. Olha eles, os deuses do futebol, aparecendo de novo.

7 – Mas se vocês pensam que eles, os deuses do futebol, pararam por aí, se enganam. A decisão estava fadada a ir para a prorrogação, período que os atletas comandados por Abel Ferreira talvez não conseguissem suportar devido ao excesso de jogos nos últimos meses. Mas eis que Cuca, o técnico do Peixe, resolve já nos acréscimos criar uma confusão absolutamente desnecessária na linha lateral, acaba sendo expulso e, com isso, desestabiliza emocionalmente seus jogadores. E, para provar ainda mais que eles, os deuses do futebol, estão mesmo ao lado do “Palestra”, o que acontece logo na jogada seguinte? Rony acerta um cruzamento perfeito (o que, por si só, já é quase um milagre), Pará salta tanto quanto uma formiga e Breno Lopes faz, de cabeça, o gol que o torna mais um herói improvável e o coloca para sempre na história do Palmeiras.

Sei que vocês, agora, estão pensando que eu não reconheço os méritos do Verdão nesta conquista. Muito pelo contrário: uma equipe que disputa 13 jogos, perde apenas um, empata outros dois e ganha nada menos do que 10 (isso mesmo: 76.9% deles!!!) ou que fatura 32 dos 39 pontos que estiveram em jogo (o que significa ter um aproveitamento de 82.0%!!!) merece não apenas ser a grande bicampeã, mas também não ter nem discutida e muito menos diminuída tal façanha.

Aliás, como falei em bi da América, neste momento todos os torcedores palmeirenses já pensam em outro bi – o do Mundial Interclubes, o qual começam a tentar no próximo domingo, 07/02. Sei que tal façanha parece quase impossível, pois além de na semifinal a equipe ter de eliminar o Tigres/MÉX (campeão da América do Norte, Central e do Caribe) ou o Ulsan/COR (campeão da Ásia), se isso acontecer muito provavelmente terá o Bayern de Munique/ALE, campeão da Europa, na grande decisão. E os alemães, como todo mundo sabe, têm um time quase imbatível.

A menos, claro, que eles, os deuses do futebol, resolvam fazer uma hora-extra e deem um pulo no Catar.

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 32 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico.

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