Quando a intenção é dizimar fiéis

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* Simão Zygband – Uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para compor o Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou através de decisão liminar concedida no sábado, a realização de cultos e missas presenciais. A liminar contraria decisão anterior do STF, que por unanimidade conferiu a estados e municípios autonomia para adotar medidas restritivas.

A determinação do ministro Kassio Nunes, de liberar a abertura de templos, ocorre durante o período mais crítico da evolução da pandemia por coronavírus no país, onde mais de 331 mil pessoas já morreram, entre os mais de 13 milhões de infectados.

Só no estado de São Paulo são cerca de 77 mil mortes, 37 mil no Rio de Janeiro, 25 mil em Minas Gerais, 20 mil no Rio Grande do Sul, 17 mil no Paraná.

Não é necessário dizer que a decisão do ministro Kassio segue uma orientação realizada pelo governo de Jair Bolsonaro, o seu mentor intelectual e a pessoa que o indicou para o STF e cede a pressões de lideranças evangélicas conservadoras (para se dizer o mínimo), que preferem coletar o dízimo em atividades presenciais, pois online o poder de persuasão é bem mais reduzido e há queda importante na arrecadação.
Atrás desta decisão estão lideranças como a dos bispos Edir Macedo e Silas Malafaia (ele mesmo e a esposa acometidos pelo Covid-19) e Valdomiro Santiago, que exercem forte influência sobre Bolsonaro. Para a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, entretanto, a decisão do ministro Kassio Nunes deu “sua contribuição ao genocídio brasileiro“.

Nesta segunda-feira, o também ministro do STF, Gilmat Mendes, manteve o veto a cultos religiosos no estado de São Paulo. O tema será discutido na quarta-feira (7), em caráter de urgência, no plenário da Suprema Corte.

Multidão

No último domingo, uma multidão de fiéis se aglomerou em um culto presencial de Páscoa na Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo. A cerimônia, que também contou com transmissão online, foi comandada pelo bispo Valdomiro Santiago, líder da congregação. Ele saudou a decisão do ministro de reabrir os templos para cultos e missas. Muitos fiéis ainda foram flagrados sem máscara ou fazendo uso inadequado do equipamento de proteção.

Que Deus seja misericordioso!

* Simão Zygband é jornalista com passagem por TVs , jornais, rádios e assessorias de imprensa parlamentar e de administrações públicas. Foi coordenador de Comunicação no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Em fevereiro de 2020 lançou o livro Queimadas da Amazônia – uma aventura na selva pela editora Studioma e disponível na Amazon. O jornalista é um dos fundadores do site Construir Resistência, juntamente com as jornalistas Adriana Amaral e Sonia Castro Lopes. Saiba mais pelo link

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