Projetos de pesquisa e extensão da UFSCar atuam na conservação da água

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O Brasil detém 12% das reservas de água doce do Planeta e 53% dos recursos hídricos da América do Sul. Além disso, o País tem cerca de 60% da Bacia Amazônica, que escoa um quinto do volume de água doce do mundo, e possui três bacias hidrográficas que contêm o maior volume de água doce do Planeta – Amazonas, São Francisco e Paraná.

Apesar de grandioso, o atual cenário dos recursos hídricos brasileiro é preocupante e a escassez de água não é uma realidade tão distante. Esse recurso vital já não chega para todos os brasileiros na mesma quantidade, qualidade e regularidade.

Diante disso e da necessidade mundial de conservar os recursos hídricos, várias iniciativas do Departamento de Ciências Ambientais (DCAm) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) têm os objetivos de elaborar e avaliar a aplicação de indicadores para contribuir com a gestão dos recursos hídricos; buscar formas mais adequadas de sensibilização quanto à importância da água; e promover o desenvolvimento baseado na sustentabilidade.

Uma das linhas de pesquisa e ação é denominada de “Ambiente e Sociedade”, no escopo do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCAm) da Universidade. Os trabalhos nessa linha se dividem em três áreas integradas – Gestão ambiental, gestão de bacias hidrográficas e gestão da água: ferramentas, instrumentos e indicadores e sustentabilidade; Sensibilização e comunicação para percepção ambiental e conservação da água; e Sustentabilidade, turismo e desenvolvimento local.

O professor Frederico Yuri Hanai é docente do DCAm e coordena diversos projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado e de extensão, além do grupo de pesquisa “Sustenta”, que tem a participação de alunos de graduação e pós-graduação e de outros docentes. De acordo com Hanai, o principal diferencial dos trabalhos é que todos partem de uma demanda social em busca de soluções e propostas para os problemas levantados. “Diferente de outros programas, nós pensamos inicialmente na demanda da sociedade para gerar nosso objeto de pesquisa”, explica o professor.

Atualmente, o docente orienta 20 projetos de pesquisa em andamento que se dedicam à questão da água sob distintos olhares e perspectivas. Dois estudos de iniciação científica, por exemplo, investigam as condições de córregos que passam por São Carlos (SP). Um deles, desenvolvido pela aluna Nayara Luciana Jorge, visa identificar a necessidade de tratamento e disposição de águas pluviais urbanas e pesquisar os métodos de tratamento de águas residuárias com aplicabilidade na microbacia do córrego Medeiros, que passa pelo Parque do Bicão, em São Carlos.

Já o córrego do Gregório, que atravessa a cidade, é o objeto do estudo de Artur Braz Lioni, também sob orientação de Hanai. O estudante apresentou o desenvolvimento e aplicação da Ferramenta de Avaliação Integrada de Corpos Hídricos Urbanos (FAIC-URB), que é capaz de avaliar integradamente as pressões exercidas sobre os corpos hídricos urbanos auxiliando na tomada de decisão para o manejo mais eficiente de bacias hidrográficas inseridas nas paisagens urbanas.

A FAIC-URB foi testada no córrego do Gregório e mostrou-se efetiva não apenas por considerar aspectos ecológicos e estruturais, mas por levar em conta também as dimensões social, de engenharia urbana, educacional, geográfica e de cunho sensibilizador. “Esses estudos são interessantes e contribuem para a gestão dos recursos hídricos da cidade, por meio de ferramentas simples e sistemas de tratamento que podem auxiliar o município”, defende Fred Yuri Hanai.

Outros trabalhos, por exemplo, avaliam instrumentos – como o cinema e materiais lúdicos – de sensibilização para a conservação da água; apontam as diferentes relações humanas com a água, e a importância da conservação das águas subterrâneas. Um dos estudos coordenados por Hanai aborda o processo de renaturalização do córregos urbanos paulistas, propondo-se a identificar e analisar as atuais técnicas de renaturalização, considerando a relação entre o homem em seu ambiente antrópico e o ambiente natural, e estabelecer princípios, diretrizes e alternativas ao contexto de revitalização dos córregos urbanos, principalmente do interior paulista.

Além das pesquisas, o professor coordena o projeto de extensão “Bacias Hidrográficas: ensino, conteúdos e práticas no ambiente escolar”, que teve início no primeiro semestre de 2017 na Escola Estadual Silvio de Almeida, na cidade de Batatais (SP), que é uma importante área de recarga do Aquífero Guarani, o maior manancial de água doce transfronteiriça do mundo. A escola atende, em período integral, jovens em situação de vulnerabilidade social, nos ensinos Fundamental e Médio. O projeto é realizado pelo grupo “Sustenta” e promove cursos, oficinas e dinâmicas para alunos e professores sobre as bacias hidrográficas e a conservação da água. “Desenvolvemos conteúdos e práticas junto aos professores para que eles possam abordar essa temática em suas aulas nas diferentes disciplinas”, explica Hanai.

Durante as intervenções do grupo da UFSCar, a escola incorporou ideias, temas e formas de trabalhar com os alunos e, a partir disso, estão sendo produzidas apostilas que vão auxiliar professores e estudantes a abordarem as questões relacionadas à água. O projeto também está produzindo maquetes didáticas de bacias hidrográficas e já tem parceria com laboratório de divulgação científica da Universidade para a produção de maquetes virtuais. “Acreditamos que esse conjunto de ações pode sensibilizar alunos, professores e toda a comunidade escolar, que podem multiplicar esses conhecimentos sobre a água e a importância de conservá-la. Dessa forma, podemos mudar a percepção das pessoas sobre a água e melhorarmos a forma de lidar com esse recurso tão fundamental para a vida”, conclui o professor.

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