Projeto de doação da Fábrica de Sal é adiado novamente, mas prédio continua ocupado e sem policiamento

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Não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora…Euclides da Cunha.

 

* Hildebrando Pafundi – Mesmo tendo já abordado este tema algumas semanas seguidas, pretendo continuar até um final evidente dessa importante questão, e claro torcendo para que seja favorável ao tombamento e preservação do histórico prédio da Fábrica de Sal, localizado no Centro da parte alta de Ribeirão Pires, nas proximidades na Estação Ferroviária e da nova Estação Rodoviária. Há muito tempo que não vou visitar essa localidade, que cheguei a freqüentar em diversas oportunidades, participando de eventos culturais e reuniões de órgãos municipais e regionais, que ali eram realizadas.

Depois do abandono, que ocorreu há alguns anos, principalmente nas duas últimas administrações municipais, não mais foram realizadas atividades educacionais e culturais nessa localidade, que voltou a noticiário depois que o prefeito Saulo Benevides enviou projeto de lei a Câmara Municipal determinando a doação do terreno para alguma empresa construir no local um shopping center.

Por outro lado, a área e o prédio local continuam ocupados por cerca de 50 pessoas com liderança do Coletivo Sal da Terra e realizando atividades culturais, brincadeiras para crianças, exibição de filmes e apresentações de shows musicais, teatrais e culturais, com apoio do Conselho Municipal do Patrimônio, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) de Ribeirão Pires e outros movimentos sociais e culturais, que apóiam também a participação nas sessões legislativas, realizadas nas segundas-feiras, ocupando o auditório da Câmara Municipal.

Por outro lado, prossegue também o processo de tombamento do histórico prédio da Fábrica de Sal iniciado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat). Para escrever a respeito do que está ocorrendo, desde o início, acompanho as reportagens publicadas nos jornais da Região, em especial o Diário do Grande ABC, sempre com uma chamada na primeira página, e pelas noticias divulgadas nas redes socais e noticiário na Internet e da televisão.

A última sessão do mês de Fevereiro na Câmara Municipal, com o auditório lotado como nas anteriores, foi realizada dia 29-02, e mais uma vez o projeto com o pedido de urgência, que prevê a doação da área onde se encontra o prédio da Fabrica de Sal para a construção de um centro de compras, mais conhecido como shopping center, não foi votado.

O Executivo ainda não respondeu a liminar sobre o impedimento da demolição do prédio da Fábrica de Sal e somente agora depois da ocupação se manifestou sobre a exigência de policiamento segurança de 24 horas, que deve ser exercida pela Guarda Civil Municipal no local com uma viatura permanente nas proximidades, mas solicitando a prorrogação do prazo até junho deste ano, porque com “o atual efetivo de 112 guardas civis não é possível atender à solicitação”. A Prefeitura pretende realizar um concurso público para selecionar e contratar mais trinta guardas municipais.

A ocupação por moradores de Ribeirão Pires, com integrantes de diversos movimentos sociais e culturais, num total aproximado de 50 pessoas, que fizeram limpeza no prédio, e cortaram o mato, permanece sem alteração. O grupo que recebeu apoio do Conselho Municipal de Cultura da cidade e diversos grupos culturais, que apóiam a preservação desse patrimônio histórico, criou um coletivo que recebeu o nome Coletivo de Sal da Terra do qual fazem parte estudantes, professores artistas de diversas áreas, moradores em geral.

As movimentações dos invasores continuam sendo divulgadas pelas redes sociais da Internet e estão convidando artistas para realizar atividades e personalidades para proferir palestras aos membros do grupo de ocupação e outras pessoas que compareçam para prestigiar. No alto o prédio bastante pichado, permanece uma faixa com a inscrição “Coletivo Sal da Terra”, e outra na entrada, com os dizeres: “Ocupação Cultural Sal da Terra”, ambas colocadas no dia da invasão.

Também não houve alteração no número de 11 votos favoráveis ao projeto de lei, o que torna impossível a aprovação do projeto de lei, que permite a doação da área onde se encontra o prédio histórico da antiga Fábrica de Sal, para a construção de um shopping, porque são necessários 12 votos a favor. Mesmo assim, prossegue o movimento de ocupação pelos moradores, que tem também o objetivo de lotar o auditório da Câmara Municipal nos dias de sessões ordinárias.

  • Alpharrabio comemora 24 anos e Zhô 40 anos de atividades culturais No último sábado (20), a Livraria e Centro Cultural Alpharrabio comemorou 24 anos de fundação e intensa vida cultural, com festas e outros Encontros. Na festa foi inaugurada a exposição “NO MEIO DAS PEDRAS TINHA UM CAMINHO” – Zhô – 40 anos – colagem – arte postal – poesia, de Zhô Bertholini, em comemoração aos 40 anos de atividades culturais desse poeta, que abre justamente no dia da festa de 24 anos do Alpharrabio, impregnada de significados, como explica a também poeta Dalila Teles Veras: “Primeiro, por se tratar de um “caminho” digno de atenção e aplauso, segundo porque Zhô Bertholini faz parte da história e do “caminho” da livraria desde o seu inicio, quer seja como colaborador nos momentos mais marcantes ou como assíduo freqüentador deste lugar que foi criado para o Encontro. É justamente do(s) Encontro(s) que esta festa se constituirá. Encontro com o outro, encontro com a cidade/nossa história”, destaca a poetisa. Visitas: de segunda à sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados das 9h30 às 13h, até 26 de Março. Alpharrabio (Rua Dr. Eduardo Monteiro, 151, travessa da Avenida Portugal, altura do número 1000, Vila Bastos, Santo André – SP). Telefone (11) 4438-4358.
  • Projeto Internacional de Poesia Gráfica A Casa da Palavra, em Santo André, sedia a exposição Projeto Internacional de Poesia Gráfica, que pode ser visitada até o dia 31 de Março. Na entrada, uma mulher confeccionada com páginas de jornais, braços e mãos feitos com recortes, segurando uma cabeça, e outra cabeça acima do pescoço e formada por um livro aberto e outros livros como suporte nos pés, recepciona o visitante. Para a exposição, que se encontra à direita de quem entra na Casa, foi montada e instalada uma grande árvores, com ramos, e espalhadas pelo chão, grama, capim, tocos, cipós e um banco, por onde estão se encontram muitos poemas e outros pendurados nos ramos. O projeto reúne o amor – ou a dor – e tem capacidade de ser cantado, declamado, escrito, pintado, desenhado, esculpido, filmado e eternizado em todas as artes, tudo em forma de versos. A idéia surgiu da associação do poeta Diego Vadillo López e do artista plástico Tudor Serbanescu. O projeto já foi montado na Espanha, Romênia e Costa Rica, e chega ao Brasil pela primeira vez, com curadoria do escritor de São Bernardo, Tales Jaloretto. Para essa mostra na Casa da Palavra foram selecionadas 22 poesia de 15 poetas de diversos países, como Argentina, Colômbia, Chile, Austrália, Sérvia, Nicarágua, Romênia, Costa Rica, Peru, Espanha e Brasil. Poetas convidados: Giselle Maria, Durvalino Joloretto, Cecília Camargo Bueno, Sergio Pires, Cris Novais, Edson Silva, Beto Perocini, Jefferson Brito Ramos e Adriano Ribeiro. Visitas de segunda à sexta-feira das 10h às 19h, até o dia 31 de Março. Casa da Palavra (Praça do Carmo, 171, Centro, Santo André-SP).
  • Exposição África Ativa Essa exposição África Ativa, em homenagem ao mês da Consciência Negra, foi inaugurada na Sabina Escola e Parque do Conhecimento de Santo André e poderá se visitada até o mês de maio de 2016. A visitação está inclusa no ingresso de acesso à Sabina. A mostra está instalada no Espaço de Exposições Temporárias e é indicada para todas as idades, porque oferece, por meio de diferentes instalações lúdicas, como painéis fotográficos, panos largos e coloridos e objetos, a possibilidade de alunos e visitantes mergulharem na arte, cultura e memória de diferentes grupos populacionais do continente africano. Visitas até maio de 2016. Sabina (Rua Juquiá, sem número, Bairro Paraíso, Santo André – SP).
  • São Caetano de Dentro: Uma Cidade Vivida e Imaginada A nova exposição da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, intitulada “São Caetano de Dentro: Uma Cidade Vivida e Imaginada”, unindo fotografia e literatura, mostra o município por óticas diferentes. Inaugurada dia 13 de Fevereiro, a mostra pode ser visitada até o dia 4 de abril, no Espaço Verde Chico Mendes. A idéia foi do jornalista e também curador Nelson Albuquerque. Ao todo são 27 fotografias acompanhadas de poesia, crônica, conto, frase. A mostra conta ainda com jogo de palavras colocadas em ímãs, permitindo que, desejando, o visitante também crie sua impressão sobre a cidade. Visitas: de terça-feira a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos das 9h às 16h, até dia 4 de abril. Espaço Verde Chico Mendes (Av. Fernando Simonsen, 566, Bairro São José, São Caetano. Telefone: (11) 4223-4780.
  • Retratos Antigos de Famílias A exposição Retratos Antigos de Famílias, que pode ser visitada até dia 30 de Março, no Museu Municipal de São Caetano, relembra a moda de tirar fotos entre o final do século XIX e o início do XX, quando as famílias se vestiam socialmente e contratavam um fotógrafo profissional com hora e data marcadas para as poses, pois o serviço era caro e o retrato permanecia guardado por muitas gerações. De cinco mil fotos doadas por famílias da Região do ABC, 70 fazem parte dessa exposição. A foto mais antiga é de 28 de Julho de 1877 (aniversário da cidade), e retrata imigrantes italianos da província de Treviso, fundadores de São Caetano. Visitas: de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h; sábados das 9h às 13h. Endereço: Rua Maximiliano Lorenzini, 122, Bairro Fundação, São Caetano. Telefone (11) 4229-1988.
  • Exposição de Artistas Afro-descendentes A exposição Território: Artistas Afro-descendentes, no Acervo da Pinacoteca do Estado, inaugurada em Dezembro de 2015 para comemorar os 110 anos de fundação, pode ser visitada até dia 17 de Abril de 2016. O primeiro diretor negro da Pinacoteca foi Emanoel Araujo, que permaneceu no cargo de 1993 a 2002. Durante sua gestão foi responsável pela revitalização do museu e também contribuiu, inclusive, com obras de muitos artistas afro-descendentes. Essa mostra conta com 106 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e auto-retrato de Arthur Timotheo da Costa, doado em 1956. Entre outros estão também obras de Antonio Bandeira, Mestre Valentim, Rosana Paulino e Jaime Lauriano. As obras estão divididas em conjuntos e dispostas de acordo com a familiaridade dos temas com os territórios: Matrizes Ocidentais, Matrizes Africanas e Matrizes Contemporâneas. Visitas de terça-feira a domingo das 10 horas às 17,30 horas, com permanência até as 18 horas até dia 17 de Abril de 2016. Os ingressos custam R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Local: Quarto Andar da Estação Pinacoteca. Endereço: Largo General Osório, 66, Cidade de São Paulo, Capital.
  • O Mundo de Tim Burton A inauguração da exposição O Mundo de Tim Burton, no dia 10 de Fevereiro, no Museu da Imagem e do Som (MIS), contou com a presença desse ator norte-americano, que veio ao Brasil para apreciar o Carnaval e prestigiar a mostra em sua homenagem, que pode ser visitada até dia 15 de Maio. Essa exposição reúne cerca de 500 itens, que foram selecionados pela também curadora independente Jenny He. Dentre o material reunido destacam-se obras de arte, pinturas, esboços, story board e bonecos da filmografia do ator, incluindo 18 longas metragens, dentre os quais se destacam: Batman (1989), Edward Mãos de Tesoura (1990), O Estranho Mundo de Jack (1993), A Noiva do Cadáver (2005) e Alice no País das Maravilhas (2010). Visitas de terça a sexta-feira, das 10h às 20 horas; aos sábados, das 10h às 21 horas; domingos e feriados, das 11h às 19h até 15 de Maio. Os preços variam entre R$ 6,00 e R$ 40,00. Endereço do MIS: Avenida Europa, 158, Cidade de São Paulo – SP. Mais informações pelo telefone, 2117 – 4777.
  • Exposição de Fotografias batidas por deficientes visuais Foi inaugurada e pode ser visitada até dia 3 de Abril a exposição Transver – Fotografias Feitas por Pessoas com Deficiência Visual, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. São 10 participantes, alunos do Curso de Fotografia para Deficientes Visuais do Núcleo de Ação Educativa (NAE), que pertence a Pinacoteca. Todos foram alunos do Curso de Fotografia realizado de agosto a outubro, em três módulos de ensinamentos teóricos e práticos proferidos pelo professor João Kulcsár, coordenador do projeto de fotografia para deficientes visuais do SENAC – SP, em parceria com a equipe da Pinacoteca. Cada aluno tem um trabalho exposto e todos participaram no processo de escolha das fotos, que o visitante tem acesso juntamente com as pranchas táteis para entender o processo, áudio-descrições e textos em Braille, com códigos QR, possibilitando assistir aos depoimentos gravados pelos participantes da exposição. Visitas de terça a domingo, das 10h às 18h, até dia 3 de abril. Os ingressos podem ser adquiridos no local, e custam R$ 3,00 e R$ 6,00, e aos sábados a entrada é grátis. Pinacoteca do Estado de São Paulo (Praça da Luz, 2, Jardim da Luz, Capital – SP). Até a próxima!
* Hildebrando Pafundi é escritor, jornalista, contista e cronista. Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) e outras entidades. Tem quatro livros publicados. Contatos com o autor e colunista pelo e-mail hpafundi@ig.com.br
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