Prefeitura de Mauá celebra 110 anos de imigração japonesa

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Da Redação – Passos curtos e apressados atravessam corredores entre peças de cerâmicas ainda sem pintura, no galpão do aposentado Yasuichi Kojima. A maneira de andar e os olhos puxados revelam sua nacionalidade: japonesa. Neste mês, comemora-se 110 anos de imigração japonesa no Brasil, quase a idade de Kojima, agora com 84 anos, sendo 65 vividos em Mauá.

Kojima é símbolo da imigração japonesa no município, que influenciou a indústria da cerâmica. Assim como sua família, muitos imigrantes escolheram Mauá para viver, abrindo fábricas que renderam lucro e fama ao sobrenome e à cidade.

Com o uso de técnicas japonesas que moldam a argila manualmente e fazem pinturas únicas, Mauá foi o berço da era de ouro das cerâmicas nas décadas de 1950 e 1960. O pai, juntamente aos seus irmãos, enviava suas obras de arte para todo o Brasil, mas com o advento de indústrias com produção em grande escala e custos muito baratos, minguaram as atividades artesanais e hoje Kojima só trabalha sob encomenda. “Atualmente, os artigos religiosos são os mais requisitados. Então também comecei a pintar quadros e minhas telas estão em exposição em vários locais, mas principalmente no estado de São Paulo”, conta Kojima.

Natural da pequena cidade chamada Tajimi, localizada na província de Gifu, Kojima voltou várias vezes ao Japão para visitar parentes e passear pelos belos parques. Mauá também tem laços com outro município japonês, Hasami, nomeada como cidade-irmã, o acordo selado entre os países reforça o vínculo mútuo de intercâmbio cultural.

Antigamente, grande parte da economia local se baseava na atividade econômica da cerâmica e da louça. O desenvolvimento de indústrias deste setor cresceu vertiginosamente e hoje restou o aspecto histórico local, que resgata a importância de algumas gerações em Mauá.

Por causa desta influência asiática no município e para celebrar mais um ano das tradições japonesas milenares, a Prefeitura de Mauá vai realizar oficinas gratuitas de Ikebana (arte de montar arranjos de flores com base em simbolismos) e de Haikai (forma poética de três versos de 17 sílabas).

Destaque ainda para a montagem da Árvore de Pedidos, que evoca o Tanabata Matsuri, um dos maiores festivais do Japão, originado há quase 2 mil anos na Corte Imperial. O evento será no dia 18 de junho, segunda-feira, das 14h às 17h, no Teatro Municipal de Mauá. Interessados devem chegar no local com uma hora de antecedência para participar das oficinas.

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