Por que Felipe Melo sairá do Palmeiras?

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* Márcio Trevisan – O afastamento do cabeça-de-área Felipe Melo e a sua mais do que provável saída do Verdão foram temas muito mais comentados nos últimos dias do que até mesmo a vitória do time sobre o Avaí/SC. E não sem motivo: internacionalmente falando, o jogador é um dos mais conhecidos atletas do clube, tem uma carreira com muito mais prós do que contras, disputou como titular uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira e é querido por boa parte da torcida alviverde.

A explicação de “incompatibilidade tática” dada por Cuca aos jornalistas engana apenas aqueles que de futebol não entendem nada, pois o jogador pode atuar como primeiro volante (ou seja, mais defensivamente), como segundo volante (embora não tenha muita qualidade técnica e nem velocidade para sair jogando) e até como zagueiro (como já aconteceu).

Por isso, ciente de que muito do que se falaria na mídia e nas redes sociais não seria exatamente a mais pura expressão da verdade, este jornalista optou por esperar algumas horas e conversar com fontes seguras de dentro do clube para só depois tornar públicos os reais motivos que culminaram no fato. Sendo assim, vamos a eles:

1 – LIDERANÇA À FORÇA – Até o fim de 2016, existia no grupo palmeirense o que no futebol se chama de “liderança positiva”. Jogadores mais experientes, como Fernando Prass, Edu Dracena e Zé Roberto, exerciam sobre todo o grupo uma forte influência (Dudu é o capitão do time apenas por ser o melhor jogador, pois não é líder de nada – e nem tem idade pra isso). Porém, por terem o temperamento tranquilo, estes três conseguiam repreender os mais jovens sem, no entanto, diminuí-los, humilhá-los. Felipe Melo, líder por natureza, é justamente o contrário: quando algo não está correto, quando alguém comete um erro grave, xinga, parte pra cima, mete o dedo na cara, chuta o balde. Tal comportamento fez com que os antigos líderes do grupo lhe cedessem espaço, o que acabou gerando um mal-estar em toda a equipe.

2 – QUASE UM AUXILIAR TÉCNICO – Enquanto Eduardo Baptista esteve à frente do Palmeiras, tudo ia bem para Felipe Melo. Titular absoluto, a ele era dada a palavra sempre ao final das preleções, e não raro complementava o que o ex-treinador dissera com mais algumas orientações. Isso irritava os demais jogadores, pois embora todos reconhecessem a experiência do atleta tal postura era considerada por muitos uma quebra de hierarquia. Tal fato, aliás, foi uma das razões que pesaram na decisão da diretoria de dispensar o filho de Nelsinho Baptista logo após a derrota para o Jorge Wilstermann/BOL. Assim que Cuca reassumiu o comando, esta situação acabou e este foi o primeiro ponto de confronto entre jogador e técnico.

3 – QUANDO A BOCA É MAIOR DO QUE A BOLA – Felipe Melo, como todo mundo sabe, joga muito mais com a boca do que com os pés. Como sabe que não é um craque, conquista a torcida com declarações fortes, sempre em defesa do time em que atua: reclama da arbitragem mesmo quando esta em nada interfere em um mau resultado (vide empate com o Cruzeiro/MG, no Mineirão, pela Copa do Brasil), dá entrevistas polêmicas (pois desta forma “ganha” a mídia, sempre sedenta de fortes declarações), provoca adversários (como na história do tapa na cara de uruguaio). Este jamais foi o perfil de jogador do Palmeiras, pois quem assim age pode muitas vezes extrapolar e criar problemas para todos – ou alguém duvida de que toda a confusão pós-vitória sobre o Peñarol/URU não teria sido bem menor se ele simplesmente tivesse calado a boca?

4 – BERROS NA CARA E DEDO EM RISTE – A gota d’água aconteceu na quarta-feira passada. Após ser substituído, Felipe Melo se comportou como se fosse ele o técnico do Palmeiras. Gritou com os jogadores que estavam em campo, discutiu com o quarto árbitro e até na orelha de Cuca chegou a dar instruções do que deveria ser feito. Isso, claro, sempre na intenção de ajudar, mas o problema é a tal dose a mais que pessoas como ele, de personalidade extremamente forte, costumam tomar. O treinador se irritou, mandou o jogador calar a boca e disse que quem comandava a equipe era ele. Para piorar, nos vestiários o clima ficou muito pesado, pois Felipe Melo partiu, aos berros e com dedo em riste, pra cima de Egídio e Borja, cobrando do primeiro o erro no lance do contra-ataque e do segundo uma maior entrega em campo. Tanto o lateral quanto o centroavante não reagiram, mas então não só Cuca, mas também membros da Comissão Técnica decidiram por afastar o jogador do grupo.

5 – O SILÊNCIO DOS INOCENTES – Dudu, na condição de capitão do time, foi o primeiro a ser informado por Cuca e também por Alexandre Mattos de que o volante não faria mais parte da equipe e, ao tomar conhecimento disso, simplesmente acatou, sem ter acrescentado absolutamente nenhuma palavra e muito menos questionado a decisão. Isso prova que, no elenco, ninguém – repito: ninguém – se posicionou em defesa de Felipe Melo. No máximo, alguns jogadores se mantiveram neutros.

A única maneira de Felipe Melo permanecer na Academia é se Cuca deixar o clube, algo que nem passa pela cabeça dos dirigentes palmeirenses, mesmo que o time seja eliminado da Libertadores antes da decisão. Ou seja: agora, a diretoria e o estafe do atleta terão de decidir o que será feito. Ele poderá simplesmente ter seu contrato rescindido mas, a menos que um acordo aconteça, isso gerará ao Palmeiras a continuidade do pagamento de todos os seus salários até o fim de seu contrato, em 31/12/2019, cujos valores superam a casa dos R$ 10 milhões. O cabeça-de-área poderá, também, treinar separadamente e em horários diferentes dos demais jogadores, até que um clube interessado faça uma oferta ao Verdão, que é dono de seus vínculos econômicos e federativos.

De uma forma ou de outra, ver Felipe Melo novamente em campo com a camisa do Palmeiras é, neste momento, algo praticamente impossível.

Curtinhas

Sorte de campeão – A fase do Corinthians é tão boa que mesmo quando o time não consegue vencer a maioria dos seus mais diretos adversários na luta pelo título do Brasileirão também não vence. Nesta rodada, o Timão só empatou com o Flamengo/RJ (ou seja: impediu que um concorrente direto se aproximasse um pouco mais), mas Grêmio/RS e Santos também empataram e, desta forma, igualmente não ficaram mais próximos. Assim, o único dos time que ainda pode, mesmo que levemente, sonhar em levantar a taça no fim do ano que ficou um pouco “menos longe” do líder foi o Palmeiras, único nesta condição a vencer na rodada.

O Rio está de volta – Com as classificações de Flamengo/RJ e Botafogo/RJ, que eliminaram Santos e Atlético/MG, respectivamente, o futebol carioca voltará a ter um representante na grande decisão da Copa do Brasil, já que ambos times do Rio de Janeiro se enfrentaram nas semifinais do torneio – e isso não acontecia desde a edição de 2013. Alvinegros ou rubro-negros terão pela frente, na grade decisão, Grêmio/RS ou Cruzeiro/MG. Os sorteios dos mandos acontecerá às 11h00 desta segunda-feira, 31/07, na sede da CBF.

Outra tragédia – Este foi um dos mais tristes finais de semana para o futebol brasileiro. Se no sábado a tragédia atingiu o treinador do Fluminense/RJ, Abel Braga, que perdeu um filho em um acidente doméstico no Rio de Janeiro/RJ, neste domingo ela foi vivida pelo técnico Claudemir Peixoto, atualmente comandando a Penapolense/SP na Copa Paulista. Em um acidente de carro na Rodovia Castelo Branco, próximo à cidade de Tatuí/SP, ele perdeu dois filhos, um menino de 10 anos e uma menina de 14 anos. Além deles, um sobrinho de Claudemir, de 12 anos, também faleceu. A ex-esposa do técnico, que dirigia o veículo, e a ex-sogra do treinador se feriram mas não correm risco de vida.

Verdão é Seleção! – A última partida da Seleção Brasileira válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo/2018 já tem local definido: o Brasil receberá o Chile na Arena Palestra Itália. O jogo será no próximo dia 10/10 e ainda não possui horário confirmado devido à possibilidade de a rodada ser simultânea. Antes de receber o Chile, a Seleção Brasileira enfrentará a Bolívia, no dia 05/10, em La Paz/BOL. Este será o segundo jogo da Seleção Brasileira no estádio do Verdão: antes, já havia vencido um amistoso com o México por 2 a 0, em 15/06/2015 (gols de Philippe Coutinho e Diego Tardelli).

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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