Pessoal do Faroeste recebe menção honrosa do Prêmio de Direitos Humanos da OAB

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O XXXVI Prêmio de Direitos Humanos da OAB SP é um reconhecimento do trabalho da companhia por meio do engajamento de seu diretor Paulo Faria na assistência às famílias em situação de vulnerabilidade na Cracolândia

Da Redação – No último dia 25 de novembro, a OAB SP, por meio de sua Comissão de Direitos Humanos, anunciou quem são os três homenageados do XXXVI Prêmio de Direitos Humanos Franz de Castro Holzwarth. Entre eles, recebendo uma menção honrosa, está a Cia. Pessoal do Faroeste pelo seu trabalho que, há anos, tem exercido um papel social de grande relevância na região da Luz, mais especificamente na Cracolândia, sendo um dos protagonistas para um atendimento humanizado às famílias em situação de vulnerabilidade da região.

Paulo Faria, Diretor da Cia. Pessoal do Faroeste, assumindo a palavra, lembra que um dos atuais desafios para a população da região do entorno da Luz é o reflexo total da pandemia. “Falo aqui em nome de mil famílias que com a escassez da fonte de renda por meio dos trabalhos informais que minguaram com quarentena, encontraram na campanha #FomeZeroLuz, uma forma de colocar algum alimento na mesa”.

A ação citada por Paulo, a campanha #FomeZeroLuz, cadastrou mil famílias da região em março e começou ativamente em abril, quando foi realizada a primeira distribuição de mil cestas básicas, algo que vem se repetindo a cada mês. “Porém, as doações para viabilizar estas cestas básicas tem caído a cada dia e, nos últimos meses não conseguimos arrecadar nem a metade do que era necessário”, conta Paulo.

“Também tenho percebido e observado de perto um fenômeno. As cestas estão diminuindo, e as famílias cadastradas que nos visitam também estão diminuindo. E o motivo não é por não termos cestas básicas, porque sempre que alguém aparece aqui pedindo ajuda nós buscamos um meio de atender, na verdade, são as pessoas que estão perdendo suas moradias aqui na região e precisando ir para outros lugares”, conclui o diretor.

Sobre a campanha #FomeZeroLuz

A campanha “#FomeZeroLuz” tem como missão erradicar a fome na região, que tem suas ruas, pensões e cortiços totalmente ocupados por famílias em total vulnerabilidade, principalmente em um momento como este. “Basta acompanhar a imprensa e as redes sociais que é possível perceber como a situação fez aflorar o egoísmo e a intolerância em uma grande parcela da população. Logo o Brasil que tem uma dívida enorme, escandalosa, com a pobreza e o racismo, segue, descaradamente, fazendo jus a essa história tão triste e revoltante”, diz Paulo, Inclusive umas da idealizações da Cia  que já tem um histórico de trabalhos sociais na região, é propositalmente a localização onde fica a sede do grupo de teatro, jornada que mereceu a menção honrosa no XXXVI Prêmio de Direitos Humanos Franz de Castro Holzwarth.

“Estão distribuindo cestas básicas no teatro”, correu a notícia por todo o entorno e, em pouco tempo, chegaram a mil famílias cadastradas, cerca de quatro a cinco mil pessoas, que colocaram alimento em suas mesas graças a companhia. Para se ter algum controle de que as doações seguiriam realmente para o seu propósito, criou-se a regra de que apenas as mulheres poderiam retirar os mantimentos (com algumas exceções analisadas caso a caso). Moradoras de rua, prostitutas, travestis e viciadas que, antes de qualquer rótulo, são em sua grande maioria mães.

A campanha foi ganhando apoio enquanto Paulo divulgava cada passo da ação, e seus relatos quase como um diário, nas redes sociais. “Foi por meio da internet que as pessoas conheceram nosso trabalho, resolveram ajudar com suas doações e ajudando a divulgar a campanha. A situação atual em que nos encontramos também comprova como cada centavo que entrou como doação foi utilizado apenas na compra das cestas básicas”, conta Paulo.

Ação de despejo

Durante toda a pandemia do coronavírus, a movimentação no teatro da Cia. Pessoal do Faroeste tem sido de famílias em busca de ajuda da campanha #FomeZeroLuz.

Iniciada por Paulo Faria, diretor e fundador do espaço, a ação #FomeZeroLuz têm colocado alimento e itens de higiene nas casas do entorno da Cracolândia. No entanto, no dia 12 de agosto, o espaço recebeu a ação de despejo: um oficial de justiça já tinha em mãos a ação e um prazo de 15 dias para desocuparem o imóvel, ação que teve início efetivamente de desocupação nos dias 2 e 3 de setembro até ser interrompido pelo trabalho e pela petição intermediada pelo gabinete do Vereador Eduardo Suplicy. Na sequência houve uma audiência, e se chegou a um acordo, suspendendo o despejo.

Como a companhia está sem patrocínio, a solução foi produzir Lives para divulgar a campanha #FicaFaroeste.

Dívida de R$ 200 mil

Sem patrocínio há um ano, e com a paralisação da programação, o problema apenas cresceu e a dívida acumulada com aluguéis atrasados chega a R$ 200 mil. “A Cia vive exclusivamente da Lei de Fomento ao Teatro, e há um ano está sem patrocínio. Nosso espaço é um espaço alternativo com capacidade para 99 pessoas, e todos os espetáculos têm como bilheteria o sistema ‘pague quanto puder’. Em março, reestreamos a peça ‘O Assassinato do Presidente’ que, devido a recomendação de isolamento social, teve que ser interrompida depois de apenas duas apresentações”, comenta Paulo Faria.

4ª Edição da “Live #FicaFaoreste”

As lives continuam e a 4º edição já tem data marcada, será realizada no dia 13 de dezembro que já conta com participações confirmadas de Arthur Gomes, Ocupação Cultural Jeholu, Leona Jhovs e Cida Moreira pela primeira vez na Live #FicaFaroeste. Assim como aconteceu na edição anterior, além da transmissão, o alimento preparado durante a performance gastronômica será distribuído na porta do teatro alimentando as pessoas em vulnerabilidade social da região da Cracolândia.

A agenda de lives, que tem recebido a participação voluntária de todos os artistas e produção, e as vaquinhas têm garantido o prazo para a solução. “Parte do acordo judicial que interrompeu o processo de despejo do teatro envolve ações como estas que cada real arrecadado é diretamente destinado para o pagamento da dívida com os aluguéis do espaço”, explica Paulo Faria, diretor da Cia. Pessoal do Faroeste.

Assim que Paulo recebeu o aviso de despejo, voluntários deram início a primeira vakinha online via portal Abacashi.

Sobre a Cia Pessoal do Faroeste

Em 2020 o Pessoal do Faroeste completou 22 anos. A companhia de teatro tem tido como fonte de pesquisa a vida social e política do povo brasileiro por meio de seu imaginário popular e de sua cultura, e com um olhar especial à cidade de São Paulo, especificamente o centro, onde tem a sua Sede Luz do Faroeste.

Com o objetivo de realizar trabalhos artísticos que reflitam momentos históricos da sociedade brasileira, a proposta é produzir intervenções que valorizem a cidade, e a relação de pertencimento com a região. É nela que se desenvolvem os projetos e a contribuição para o espaço urbano. A Cia Pessoal do Faroeste ganhou o Prêmio Shell em 2014, na categoria Inovação pelo trabalho de ocupação e intervenção social e artística que contribui para transformação urbana da região da Luz. Em 2019, o diretor Paulo Faria recebeu da ALESP 23o Prêmio Santo Dias em Direitos Humanos.

Facebook: https://www.facebook.com/CiaPessoaldoFaroeste

YouTube: https://www.youtube.com/user/pessoaldofaroeste

Instagram: https://www.instagram.com/cia.pessoaldofaroeste/

Vaquinha online via Abacashi:

https://abacashi.com/p/ficafaroeste-despejozero-2567

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