Ou desce do salto ou desce de série

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* Márcio Trevisan – Uma das preocupações que tenho ao definir o tema principal desta coluna é não me tornar repetitivo, sob pena de despertar o interesse maior apenas nos torcedores de um único clube. Contudo, por vezes se torna impossível não falar mais de uma equipe do que outra, ainda que nem sempre isso seja algo positivo ao time mais presente neste espaço.

Refiro-me ao São Paulo. Assunto central de algumas das edições passadas, o Tricolor de novo se torna meu mote preferido, e mais uma vez pelo lado negativo. Após a saída de Rogério Ceni, pensaram alguns são-paulinos que Dorival Júnior, como em um passe de mágica, resolveria todos os problemas rapidamente. E sabe o que é pior? A tabela assim os permitia pensar.

O treinador estreou no Morumbi, na quinta-feira passada, 13/07, diante do Atlético/GO, de longe o pior time do Brasileirão e, apesar de ficar à frente do placar por duas vezes, não conseguiu vencer um adversário fraquinho de dar dó. O jogo seguinte, neste domingo, 16/07, mesmo sendo fora de casa, também se prometia favorável à equipe, já que a Chapecoense/SC também está na parte de baixo da tabela e, após toda a tragédia que a envolveu no ano passado, tem como objetivo apenas se manter na elite do futebol brasileiro.

E o que vimos? Um jogo ruim e um time ainda pior do que a própria partida. O São Paulo de Dorival Júnior, pelo menos nestas duas primeiras partidas, não foi muito diferente do São Paulo de Rogério Ceni. A equipe até começa os jogos apresentando um futebol razoável, mas basta sofrer um gol – ou mesmo uma pequena pressão – para abrir o bico.

A chegada de reforços para os três setores apenas serviu, por ora, para repor as saídas, mas a qualidade segue tão baixa quanto. A lateral direita é um problema que parece não ter solução, o meio-campo passa longe da criatividade (mesmo quando Cueva está em campo, como neste domingo), e o ataque… Bem, neste setor o único que se salva é Lucas Pratto que, cada vez mais isolado de talentos ao seu lado, toda hora se distancia da área para buscar jogo – e ai dele se não o fizer, pois neste caso correrá o risco de passar o jogo todo sem nem mesmo tocar na bola.

Não tem jeito: mesmo ciente de que o campeonato tem algumas equipes piores e que ainda restam 24 partidas a serem disputadas, é hora do Tricolor descer do salto para não ter de descer de série. Vai ter, sim, de jogar fechadinho, por uma bola, como se pequeno fosse, e nem precisa sentir vergonha disso.

Afinal, tem time que joga assim há muito tempo, já faturou o Paulistão e lidera o Brasileirão com larga vantagem.

CURTINHAS

Me engana que eu gosto – O Palmeiras goleou o Vitória/BA por 4 a 2, nesta ensolarada manhã de domingo na Capital paulista, diante de mais de 36 mil palmeirenses. Apesar da vitória, quem mais merece os parabéns são os torcedores, que mesmo após três derrotas seguidas (e a última delas para o maior rival!) quase lotaram a Arena Palestra Itália. Na verdade, o Verdão só conseguiu a recuperação porque teve um pênalti mal marcado a seu favor (já que Mina foi quem primeiro cometeu falta no lance) e porque o time baiano é um dos favoritos ao rebaixamento neste ano.

Pelo menos isso – O técnico Levir Culpi, do Santos, é famoso por suas tiradas hilárias e sempre muito inteligentes. Neste domingo, seu time ficou no 0 a 0 com o Vasco/RJ, no Rio de Janeiro/RJ, em jogo disputado com portões fechados devido à punição imposta pela CBF ao clube carioca após os incidentes no clássico com o Flamengo/RJ. Ao ser perguntado se isso acabou sendo vantajoso ao Peixe, o treinador saiu-se com esta: “A única vantagem de ter jogado sem a presença do torcedor é que nem o vascaíno e nem o santista pôde me xingar”.

Acorda, Colorado! – Guarani, Juventude/RS, América/MG, CRB/AL, Vila Nova/GO e Ceará/MG. Se somarmos todos os títulos já conquistados por estas seis equipes certamente não atingiremos nem a metade das glórias já obtidas pelo Internacional/RS. Porém, todas elas se encontram, neste momento, à frente do time gaúcho na luta pelo retorno à Série A do Brasileirão em 2018. Após perder justamente para o representante alagoano no sábado, 15/07, em Maceió/AL (2 a 0), os comandados de Guto Ferreira terão pela frente o Luverdense/MT, no meio desta semana. Sorte, pois a equipe mato-grossense é uma das piores do torneio e corre risco de cair para a Série C no ano que vem.

Duelo do Interior – Os quatro paulistas que disputam a Série C vivem situações opostas no torneio. O São Bento, por exemplo, vai muito bem, liderando o seu grupo com 16 pontos após 10 das 19 rodadas da Primeira Fase. Tal liderança, porém, corre riscos, pois nesta segunda-feira, 17/07, o Botafogo receberá, em Ribeirão Preto/SP, o Bragantino, e se vencer assumirá a ponta. Por falar no Braga, a campanha até agora é bem ruim (apenas 10 pontos), e a equipe luta para não cair para a Série D de 2018. Pior ainda está o Mogi Mirim, que só somou 8 dos 30 pontos que disputou e é o pior dentre todos os 20 clubes da competição.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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