Os números não mentem. Marinho também não.

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – Houve um tempo – saudoso tempo, aliás – em que o futebol era muito mais simples do que é hoje. Por exemplo: os números nas camisas eram fixos e se identificava cada posição com muito mais facilidade. Assim, quem jogava com a 2 era lateral-direito, com a 5 cabeça-de-área, com a 10 meia armador, e por aí vai – ou melhor: ia. Foi também nesse tempo que surgiu a expressão “nove, nove”, que caracterizava o jogador que comandava o ataque da equipe e cuja função era simplesmente empurrar a bola para dentro das redes – e nada mais.

Lembro-me que certa vez até mesmo Telê Santana, considerado com toda a justiça um dos melhores técnicos que este País já conheceu, acabou pagando caro por não respeitar esta espécie de numerologia futebolística. Às vésperas da Copa do Mundo de 1986, ele convocou dois pontas-direitas (ou seja: dois camisas 7): Renato Gaúcho, do Grêmio/RS, e Marinho, do Bangu/RJ. O problema é que o atual treinador fugiu da concentração para ir a uma boate e o maior craque da história do clube carioca não agradou o sempre exigente treinador durante os treinamentos.

Resultado: ambos foram cortados da Seleção Brasileira e a Canarinho viajou ao México sem nenhum especialista na posição. Revoltada, a torcida protestou no embarque do selecionado, e uma placa na mão de um simples torcedor chamou a atenção de todos. Os dizeres eram o seguintes: “7 + 7 = 0. Telê burro!!!”.

Contei toda esta história porque neste confuso e estranho Brasileirão em que estamos um atleta vem me fazendo recordar os bons tempos do camisa 7, muito embora vista a 11. E, coincidentemente, tem o mesmo apelido do ex-atacante do time de Moça Bonita, por sinal já falecido.

Marinho vive no Santos a melhor fase de sua carreira. Sem esconder sua irreverência nas comemorações e sua quase agressiva sinceridade nas declarações, roubou de Soteldo a condição de craque do Peixe e é o principal responsável, ao lado do técnico Cuca, por não permitir que os imensos e quase insolúveis problemas políticos do clube ultrapassem as quatro linhas do gramado.

Marinho tem o dom de fazer com que todos os apaixonados por futebol, e é óbvio que eu estou entre eles, entrem no túnel do tempo e busquem no fundo de suas memórias os tempos em que admirávamos o talento nato que cada jogador possuía, mesmo que ele não jogasse no nosso time.

Cada drible que aplica me remete a Renato Gaúcho; cada assistência que dá me recorda Edmundo; cada gol que faz me leva a Julinho Botelho (e olha que este, claro, nem vi jogar).

Por tudo isso e, principalmente, por me trazer de volta aquele futebol pelo qual me apaixonei aos 6 anos de idade…

“…MUITO OBRIGADO, MARINHO!”

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

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