O velho e o burro…

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – Sou das antigas. Aos 53 anos completos, admito que tenho dificuldades em absorver, entender e aceitar muitas coisas do mundo moderno. Quando o fato envolve o futebol, aí confesso que chego a ser radical.

Por exemplo: no ano passado, quando Arthur (então no Bahia), Arboleda (do São Paulo) e Guga (do Atlético/MG) vestiram camisas que não eram a dos clubes que defendiam, se fosse eu o presidente dos clubes aos quais estavam ligados por contrato teria simplesmente rescindido o vínculo dos três – e que se dane se eles o fizeram em momentos de folga, pois eles desrespeitaram as instituições, seus patrocinadores e, sobretudo, seus torcedores.

Neste fim de semana, as redes sociais divulgaram mais um ato que, ao meu ver, se não foi de indisciplina foi, com certeza, de irresponsabilidade. O atacante Gabriel Veron, do Palmeiras, que se recupera de sua quarta (isso mesmo: quarta!!!) lesão muscular seguida, problema este que já o impediu de disputar, por exemplo, o Mundial Interclubes do ano passado, foi filmado dançando funk ao lado de amigos (ou será que já seriam “parças”?).

Até aí, nada de surpreendente, dado o mau gosto musical dos jovens de hoje em dia. O problema é que, como leigo, não sei se os movimentos que ele faz (veja: https://www.facebook.com/ilopreto/videos/4240309939333073) podem ou não agravar sua lesão. Mas se eu não sei, com certeza o jogador também não sabe e, só por isso, já comete um erro gravíssimo. Outro detalhe: em tempos de pandemia ainda longe do fim, seria momento para se reunir com outras pessoas, ainda que sejam poucas?

Para piorar, sobre a mesa ao lado da qual ensaia passos um tanto quanto ridículos, aparecem garrafas de cerveja e latinhas de energéticos (também normais, infelizmente, em festas ou recepções de adolescentes) e, no canto direito do vídeo, uma mulher enrola e, posteriormente, fuma um cigarro. Pela forma como age, parece ser – repito: parece ser – um entorpecente, no caso, maconha –, mas ainda que seja apenas tabaco, pergunto: este tipo de ambiente é salutar a alguém que foi eleito o melhor jogador do mundo em sua categoria? A postura do profissional é digna de quem veste a camisa de um dos principais clubes do mundo? A imagem que o jogador palmeirense passa a seus milhões de torcedores é a esperada de alguém que tanto futuro possui? Se ao agir desta forma Veron não foi burro, então não sei mais o que pode ser.

Com apenas 18 anos, Gabriel Veron é ainda um menino e, portanto, passível de erros. Mas isso não o incapacita de saber o que é certo e o que é errado. Por isso, espero sinceramente que, assim como agiu em relação a Luiz Adriano, recentemente punido por não respeitar o período de isolamento quando adquiriu a Covid-19, a diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras aja da mesma forma em relação a este ato de irresponsabilidade cometido por sua mais promissora revelação.

Afinal, como diz um ditado da minha época de velho, “é de pequenino que se torce o pepino”.

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 32 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico

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