O Rio da vida real está lá, mas Olimpíada tem seu lado mágico

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* Wilson Moço – Obviamente nem tudo está uma maravilha nos Jogos Olímpicos Rio 2016, pois longe dos holofotes e das câmeras de TV que registram praticamente tudo da competição e dos principais atletas existe o lado da vida real, com problemas como a falta de segurança, guerra entre traficantes e de traficantes com a polícia, além do caos no sistema de saúde pública.

Mas como Olimpíada é o tema do momento e rouba todas as atenções, sobretudo na cidade-sede Rio de Janeiro, seria exigir demais que as TVs ocupassem nacos importantes da programação para mostrar e falar das mazelas da vida. Um caso aqui, outro ali e mais outro acolá tem seu espaço. O que tem lugar quase diário é a tal Operação Lava Jato, de combate à corrupção.

Mas o espaço aqui é dedicado à Olimpíada, e tem de ser ocupado com temas relacionados aos Jogos. Nada de política, de escândalos de corrupção, de mazelas da vida ou da violência, a não ser que esta tenha ocorrido em alguma competição da Rio 2016. Na verdade, os Jogos Olímpicos são o momento mágico do esporte e de atletas de todo o mundo, que dedicam anos e anos de suas vidas a treinamentos intensos, viagens e disputas.

Daí a importância de exaltar as conquistas, as belas apresentações, os recordes, os gols, as cestas de três pontos, os aces etc e tal. Mas também de falar de lágrimas, de alegria ou de tristeza, porque mesmo astros e estrelas do esporte são, acima de tudo, humanos. E, como tal, sentimentais, apaixonados pelo que fazem, passionais.

Choram pela conquista de uma medalha de ouro, de prata ou de bronze. E mesmo por um quarto, quinto ou sexto lugares. Afinal, a Olimpíada reúne os melhores do mundo, ou aqueles que foram melhores no momento de garantir a vaga. E também choram nas derrotas porque, apesar de saberem que só pelo fato de estarem na competição já são vencedores, fica o gosto amargo da frustração. Não raro, a vitória escapa das mãos por pequenos deslizes, por erros que normalmente não cometem, por falta de concentração, alguma dor. Não importa, merecem todos os aplausos. Todos, vencedores e vencidos.

E os torcedores que tomam os estádios e as arenas de competição têm dado um show à parte. Faz parte do jogo um pouco de vaias aos adversários do Brasil, mas nada exagerado. Quando a disputa termina, porém, o que se vê nas arquibancadas é uma verdadeira festa — com gritos e aplausos –, que une torcedores de vencedores e vencidos, bem de acordo com o lema olímpico “O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade”, adaptada pelo educador Francês Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin.

A frase original, na verdade, teria sido pronunciada pelo bispo de Londres em uma missa na Catedral de São Paulo, pouco antes do início dos Jogos de 1908: “Ganhar não é tão importante quanto participar”, teria dito. E importante tem sido a participação da torcida brasileira, sobretudo, porque tem levado alegria a todos os espaços onde rolam competições da Olimpíada.

O Brasil pode até não conquistar muitas medalhas, mas no quesito torcida já é vencedor.

Frase:

Talvez não fosse tão bonito o estilo de jogo da Suécia, mas continuamos no torneio e elas vão para casa. Está longe do fair play uma jogadora de nível mundial agir assim

Pia Sundhage, técnica que dirigiu o time norte-americano e que hoje treina a Suécia, ao rebater as ofensas da goleira Hope Solo, que considerou a Suécia um time de jogadoras covardes


JOGO RÁPIDO

FUTEBOL FEMININO SOLTA MAIS UMA ZEBRA

  • O que parecia impossível aconteceu na tarde desta sexta-feira (12) no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, onde a equipe de futebol feminino da Suécia venceu a favorita seleção dos EUA e se classificou para a semifinal dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Houve empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação; na cobrança de pênaltis, as suecas venceram por 4 a 3 e soltaram mais uma zebra, já que antes a bicampeã olímpica seleção masculina da Argentina foi eliminada por Honduras. Após a derrota, a goleira norte-americana Hope Solo virou alvo da torcida brasileira desde o começo dos Jogos, pois havia postado em uma rede social foto com um kit que era verdadeiro arsenal contra o mosquito transmissor da zika. Quando os EUA estavam em campo, a torcida gritava zika a cada vez que ela pegava na bola.

BRASIL VENCE NOS PÊNALTIS

  • E a Suécia vai enfrentar novamente o Brasil, após ter perdido de 5 a 1 para as Meninas do Brasil na fase de classificação. A vaga do Brasil foi conquistada de forma dramática. 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Na cobrança de pênaltis, foi a vez de a goleira Bárbara sair de campo como heroína. Depois de Marta perder o primeiro pênalti, ela pegou o último pênalti da série inicial. Depois pegou outro pênalti e garantiu a vaga do Brasil para a próxima fase.

SEM MEDALHA, E ARROGANTE

  • O nadador basileiro Bruno Fratus terminou a final dos 50m livre na sexta colocação. Não ganhou medalha, mas com certeza deixou as piscinas como menos desportista da Rio 2016. Ao sair da piscina, com uma postura arrogante, acabou sendo grosseiro com a repórter Karin Duarte, do Sportv. Questionado se havia ficado frustrado com a posição final, ele respondeu de maneira ríspida. “Não, estou felizão, né. Fiquei em sexto. Desculpa, né, mas…tô, bastante”, ironizou a repórter. Mais tarde, o nadador pediu desculpas pela resposta, e acabou entrando ao vivo para sse desculpar.

BABY TRAZ OUTRO BRONZE PARA O JUDÔ

  • O judô se despediu da Rio-2016 nesta sexta-feira com mais uma medalha de bronze para o Brasil. Rafael Silva, o Baby, venceu Abdullo Tangriev, do Uzbequistão, e conquistou uma vaga no pódio. A medalha de ouro ficou com o favorito Teddy Riner, invicto há seis anos e oito vezes campeão mundial.

BOXE TERÁ PRIMEIRA MEDALHA

  • O boxeador Robson Conceição já garantiu pelo menos uma medalha de bronze para o Brasil após avançar para a semifinal do peso leve (até 60 kg) na Rio-2016, já que não há disputa de terceiro lugar na modalidade. O baiano teve bom desempenho contra Hurshid Tojibaev, do Uzbequistão, e venceu por decisão unânime dos jurados (30-27/30-27/29-28). O adversário na semi será uma pedreira: o cubano Jorge Lázaro Alves, bronze em Londres-2012 e ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011 e Toronto-2015.

ELIMINADO

  • O tenista brasileiro Thomaz Bellucci chegou a flertar com uma inédita vitória sobre Rafael Nadal, mas acabou eliminado da Rio-2016. Depois de vencer o primeiro set por 6/2, o brasileiro viu o espanhol conquistar os dois seguintes: 6/4 e 6/2. “Se saí com a derrota, foi mérito do outro jogador. Saio feliz mesmo tendo batido na trave”, afirmou Bellucci.

 

 

24540_119355818076389_6557068_n* Wilson Moço é jornalista, com passagens pelos jornais Diário do Grande ABC nas funções de repórter e editor-assistente de Esportes, de Política e de Setecidades, além de redator da Primeira Página; Gazeta Esportiva, como chefe de reportagem e editor-assistente; Bom Dia ABCD, como editor; ABC Repórter, como editor; e Revista Livre Mercado, como editor-executivo, além de atuar na Secretaria de Comunicação das Prefeituras de Santo André e São Bernardo. Contatos com o autor e colunista pelo e-mail wilsonmoco53@gmail.com

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