O Flamengo/RJ é ‘mais igual’ do que os outros

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* Márcio Trevisan – O clássico brasileiro entre Palmeiras e Flamengo/RJ, disputado neste domingo, 27.09, na Capital paulista, tinha tudo para ser o grande assunto da semana. Afinal, frente a frente estavam não apenas os atuais campeões de São Paulo e Rio de Janeiro, mas também os dois mais recentes campeões brasileiros.

Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Alviverdes e rubro-negros chamaram infinitamente mais a atenção pelas batalhas travadas fora de campo, com a tentativa da equipe carioca em adiar o jogo devido ao enorme número de jogadores de sua equipe infectados pelo coronavírus e a relutância do time de Palestra Itália em aceitar tal ideia.

Obviamente, ambos queriam levar vantagem no caso: o carioca temia enfrentar um oponente direto à luta pelo título com apenas dois titulares e oito jogadores com idade sub-20, enquanto o paulista visava justamente ao contrário: aproveitar a oportunidade para ganhar uma partida que, em condições normais, possivelmente não ganharia.

Não vou, aqui, fazer juízo de valor sobre o caso, pois este nem é o objetivo desta coluna. O que quero deixar claro a você, amigo internauta, é que a ação do Flamengo/RJ (além de totalmente hipócrita, já que desde sempre foi o clube que mais pressionou pela volta do futebol e, recentemente, foi voto vencido pelo retorno da torcida aos estádios) tornou transparente a ideia que seus dirigentes têm de si próprios.

Explicando: o artigo 5º do Capítulo 1 da Constituição Federal começa com a frase “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”. Donos da maior torcida do País – algo que, indiscutivelmente, os tornam a mais importante agremiação esportiva brasileira –, os flamenguistas acreditam que podem fazer seus interesses se sobreporem a todos os demais.

Se outros times, como Goiás/GO, por exemplo, já entraram em campo mesmo sem poderem contar com um enorme número de atletas, todos infectados, problema do Goiás/GO e de outros times; o Flamengo/RJ, apenas por ser Flamengo/RJ, se julga no direito divino de não se submeter as mesmas condições dos demais.

Os dirigentes cariocas só mudaram de opinião não porque foram derrotados na CBF e no STJD, mas porque ao utilizarem uma manobra para conseguirem na Justiça Comum o que não conseguiram nas esferas esportivas, acabaram por dar um tiro no próprio pé: um juiz do Tribunal Regional do Trabalho atendeu à reinvindicação rubro-negra, mas ao mesmo tempo determinou que todos os jogadores doentes ficassem 14 dias afastados de treinamentos e jogos.

Neste caso, as próximas partidas da equipe, tanto pela Libertadores quanto pelo Brasileirão, teriam de ser disputadas com os garotos que neste domingo atuaram diante do Verdão. Ou seja: seriam gigantescas as possibilidades de resultados negativos para o clube do Rio.

Este episódio, por fim, acabou por transparecer algo que, no fundo, todos sabiam, mas que o Flamengo/RJ sempre tentou disfarçar: no Brasil, alguns se acham “mais iguais” do que os outros.

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

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