O ‘Abelismo’ do Palmeiras e a falência dos nossos ‘professores’

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – Houve um tempo, infelizmente um tanto quanto já longínquo, em que craques surgiam quase que mensalmente pelos gramados do Brasil. Nem bem despontava um garoto, aliás à época já nem tão garoto assim, que chamava a atenção pelas qualidades, e rapidinho num outro canto do País aparecia um outro tão bom quanto ou até melhor ainda. Havia quase uma disputa entre cidades, estados, regiões e até clubes para se saber, enfim, quem mais revelava talentos para a bola tupiniquim.

Isso, porém, como disse acima já faz parte do passado. Se não, respondam-me: qual foi o mais recente craque, mas craque, mesmo, que futebol brasileiro revelou? Amigos: o último cara que atingiu este status de forma incontestável foi Neymar. E sabe quando ele estreou no time principal do Santos/SP? Em março de 2009. Ou seja: de lá para cá, já se passaram mais de 11 anos e não pintou nenhum um jogador que todos pudéssemos afirmar, sem sombra de dúvida, de que era mais um fruto do nosso celeiro, o qual imaginávamos ser eterno.

A queda de qualidade dentro do campo não demoraria muito, claro, para se estender ao banco. Se no passado eram constantes as discussões sobre quem era o melhor nome para dirigir um time ou mesmo a Seleção Brasileira, hoje quando se fala sobre o futuro treinador da Canarinho as opções se limitam a, no máximo, dois ou três nomes. E ganha cada vez mais força a ideia de que o Brasil deva ter em seu comando um treinador estrangeiro, algo antes impensável e considerado quase um crime de lesa-pátria.

Tal situação ganhou peso, claro, com o excepcional trabalho feito por Jorge Jesus no Flamengo/RJ e os bons desempenhos de Jorge Sampaoli no Peixe e, agora, no Atlético/MG, e também do recém-saído Eduardo Coudet no Internacional/RS. Mas até mesmo quem nem bem chegou já começa a desfrutar do status de “estrategista”, muito embora tenha trabalhado em apenas quatro partidas até agora: Abel Ferreira.

O novo técnico do Palmeiras, claro, ainda não foi sequer questionado devido às quatro vitórias que obteve, mas a verdade é que tem, sim, seus méritos. Por exemplo: sua equipe tem mais a posse de bola, sempre que possível adota a chamada “marcação alta”, que nada mais é do que fechar a saída de bola adversária, é muito rápida nos contra-ataques, mostra-se intensa durante todo o jogo e, o que me parece mais importante, é solidária: os jogadores se ajudam reciprocamente, auxiliam uns aos outros na construção de jogadas e, principalmente, na marcação, e pelo menos até agora não se viu nenhum tipo de individualismo. É o tal do “Abelismo”, neologismo que já vem circulando pelas redes sociais da galera alviverde.

Só que todas as qualidades que o Verdão vem demonstrando nos últimos jogos são “useiras e vezeiras” na Europa. Então, as perguntas que ficam são as seguintes: por que os treinadores brasileiros não as adotaram anteriormente? Por que insistiram – e em alguns casos ainda insistem – em não abrir seus horizontes? Por que não buscaram atualizações, a fim de se tornarem mais modernos e mais competentes? A resposta é simples: porque o técnico brasileiro é exatamente como o jogador brasileiro – julga-se superior a tudo e a todos que não forem brasucas.

Se tal postura não sofrer uma radical transformação, se nossos treinadores (sejam os mais experientes, sejam os mais incipientes) não calçarem as sandálias da humildade e entenderem que perderam terreno e que isso já gera também uma considerável perda de território e de oportunidades de trabalho, será cada vez maior a presença de gringos a berrar à beira de nossos gramados.

Até porque, torcedor, Jesus’es, Sampaoli’s, Coudet’s e Abéis têm aos montes por este mundo de meu Deus.

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 32 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico

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