Vitória da garra e dos deuses do futebol no Itaquerão

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Vamos e venhamos. Qual o mais fanático e lunático torcedor corintiano cravaria em seco a vitória do Corinthians no clássico diante do favoritíssimo Palmeiras,  nesta quarta-feira (23), no Itaquerão, em jogo de uma só torcida? Nem mesmo o corintianíssimo jornalista Chico Lang fez isso nos dias que antecederam o clássico. O Chico Lang, meu amigo de profissão e de vida, de louco não tem nada.

O Chico sabe bem das coisas, do elenco corintiano e da constelação de estrelas do Parmeira, como diriam os italianíssimos. Mas ainda bem que o futebol não é uma ciência exata e que permite até mesmo a entrada em campo dos deuses do futebol, que muitas vezes fazem coisas inimagináveis. Senão, vejamos…

Nesta quarta-feira, foi assim. Mesmo cercados de corintianos, os palmeirenses entraram em campo com aquela tese de que a vitória era questão de tempo. Com melhor elenco, melhor campanha, campeão brasileiro, classificado para a Libertadores e vindo de uma goleada na última rodada do Paulista, o Palmeiras sobrava em campo, mas não transformava a sobra em superioridade.

Enquanto o aguerrido rival vinha com um time que não convencia nem mesmo ao seu treinador, o que dirá o torcedor. O Corinthians veio de duas vitórias magérrimas, quase empates, sem contratação de grandes nomes e sem disputar nem mesmo a repescagem da Libertadores.

Se é verdade que são nessas oportunidades que o time mais cresce, o Corinthians confirmou a regra. Depois de um primeiro tempo em que o time assustou o adversário na disciplina tática e na marcação obstinada, sem contar na valentia do anão paraguaio corintiano, Romero, que brigou, driblou, ganhou bolas e não se intimidou diante de Dudu, que não fez nada mais do que faria um galinho briguento e ciscador. E esse cenário era praticamente perfeito para que os deuses do futebol pudessem entrar no Itaquerão e transformar o resultado em odisseia grega.

Antes de o primeiro tempo acabar, a partida precisava ainda daquele lambança, pastelão e um erro patético e infantil do juiz, que não viu o lance. E que, quando avisado pelo quarto árbitro, preferir fazer ouvidos moucos e mostrar toda a sua arrogância e despreparo para apitar um jogo desta envergadura e rivalidade como o de ontem. A expulsão do volante Gabriel, ex-palmeirense, que era o dono do jogo e jogava com sangue nos olhos por não ter sido aproveitado pelo seu ex-time. Uma ducha d’água fria no elenco corintiano…

O Palmeiras se valendo da superioridade numérica foi à frente e o que se viu foi um jogo de ataque e defesa, com alguns lampejos do Corinthians. O Palmeiras ainda teve anulado corretamente o gol do zagueiro Mina, em posição de impedimento, e a partir dali o torcedor corintiano se dividia entre incentivar o seu time, roer unhas e olhar para o relógio. Mas os deuses do futebol iriam mudar o final da história.

O Corinthians se valeu da providencial ajuda, numa bola que foi perdida no meio-campo. Maycon avançou e tentou cruzar duas vezes para o centroavante Jô, que tinha acabado de entrar. Na segunda, a bola passou entre as pernas do marcador para chegar até o centroavante corintiano, que tocou também entre as pernas do goleiro Fernando Prass.

Nem é preciso dizer que a TV brasileira pôde mostrar para o mundo inteiro que os deuses do futebol existem. Afinal de contas, eles se juntaram aos mais de 30 mil enlouquecidos corintianos para dizer aos jogadores e telespectadores palmeirenses um sonoro “Aqui Não”.

Enfim, o resultado do clássico desta quarta-feira (23) acabou fazendo justiça…

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