MOVA oferece aulas de alfabetização para moradores de Residências Terapêuticas

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Da Redação – “Quem tem medo do ridículo / todo mundo tem seus medos”. O trecho do livro Quem Manda na Minha Boca Sou Eu, da escritora Ruth Rocha, foi lido por Miguel Ribeiro, morador da Residência Terapêutica Masculina I – Casa Artêmio Minsk, durante uma das aulas do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA) no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Centro.

Depois de 12 anos de internações em hospitais psiquiátricos, dos quais seis somente no Hospital Lacan, e sem acesso a aulas regulares, Ribeiro reaprendeu a escrever o próprio nome. “Antes era banho e remédio. Agora posso frequentar as aulas, fazer leitura, pintura. Posso fazer um desenho e escrever meu nome”, disse, sem esconder a satisfação.

Ribeiro, agora, tem que segurar a ansiedade. É que a partir de 2017 ele passará a frequentar a 5ª série em uma escola regular do município. “Não esqueci o que aprendi na escola antes de ser internado. Sei ler e escrever, mas agora posso praticar. Vai ser legal voltar para a escola”, comemora.

Ribeiro é um dos 15 alunos que frequentam as aulas do MOVA de segunda a quinta-feira no Caps Centro. Também participam dessas aulas moradoras da Residência Terapêutica Feminina Casa das Violetas.

O trabalho, que existe há sete anos, tem como objetivo garantir a inserção social desses moradores a partir do resgate da autonomia e do senso crítico.

Além da alfabetização, são realizadas aulas de música, pintura, dança, contação de histórias, entre outras. “O que fazemos é um trabalho de formiguinha. O andamento das aulas é mais lento, pois cada um tem seu ritmo e temos que respeitar isso”, afirmou a educadora Silvana Oliveira Cunicelli.

Silvana, que acompanha a classe há três anos, destacou que as aulas servem como terapia também para ela. “Aprendo muito com os alunos, pois eles são muito críticos quanto ao que querem. Sempre quando chego à aula eles me recebem com um sorriso enorme. E quando conseguem concluir uma atividade é uma vitória para os alunos e para mim”, afirmou.

A professora ressaltou ainda que alguns aprenderam a ler e a escrever nas aulas e que essa alfabetização permite que eles sejam mais autônomos. “Eles podem, por exemplo, passar a pegar ônibus ou a ler placas, ações que são tão corriqueiras para quem sabe ler”, disse.

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