Microfone aceita tudo, mas o ouvinte não…

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* Osmar Junqueira Lima – Esta semana, assistindo a uma reunião em cuja mesa estavam autoridades civis e militares, ouvia, atentamente, as explicações das autoridades sobre suas ações.

Um delegado da Polícia Civil prestava contas das ações no seu respectivo distrito policial, até que, em determinado momento, disse: ‘houveram ocorrências…’. Na sessão final do julgamento da Presidente da República, uma senadora num discurso inflamado disse: ‘houveram circunstâncias…’. Na mesma sessão, um senador numa indignação disse que era ‘um crime cassar a presidenta inocenta’.

Observando a fala do delegado de polícia civil e da senadora, ambos, ambos incorreram no mesmo erro. Esqueceram-se de que o verbo haver, no sentido de existir, é verbo impessoal, não admite plural, portanto, o delegado diria, corretamente, ‘houve ocorrências’, assim a senadora deveria dizer ‘ houve circunstâncias’.

Já o senador, defensor da Presidente, de tanto usar Presidenta, no embalo, disse inocenta, teria dito corretamente, ‘a presidente inocente’. Lembrando, mais uma vez, de que presidente, inocente, colega, dentista, gente, são palavras consideradas comuns de dois gêneros.

Exemplos: o colega, a colega, o estudante, a estudante, a palavra inocente é adjetivo, mas no masculino e no feminismo não muda: homem inocente, mulher inocente.

Até a próxima!

* Osmar Junqueira Lima é professor de Português (Literatura e Letras Modernas), ex-coordenador do Curso Objetivo e um dos fundadores da Unidade de Santo André do Objetivo e editorialista do site CliqueABC. Contato com o colunista pelo e-mail professor.osmar.junqueira@gmail.com

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