Mais triste do que um tango de Gardel

316 0

* Márcio Trevisan – Existe uma máxima no futebol que afirma: o que começa mal não pode terminar bem. Nem sempre, é verdade, tal afirmação se confirma, mas também é fato que em algumas vezes o ditado popular se concretiza de maneira incontestável. Foi o que aconteceu com a Argentina nesta Copa do Mundo.

Antes, porém, de falarmos da precoce eliminação de nossos vizinhos neste Mundial, vale lembrar que a campanha dos “hermanos” nas eliminatórias sul-americanas foi repleta de fortes emoções. Não uma, mas algumas vezes a equipe bicampeã mundial esteve fora da zona de classificação direta ou até mesmo da repescagem. Além disso, troca de treinadores e de jogadores complicaram demais a trajetória rumo à Rússia, que só foi confirmada, mesmo, na última rodada.

Já em território europeu, a Argentina logo de cara mostrou a que não viera. Um ridículo empate com a fraca e estreante Islândia e, pior ainda, uma goleada de 3 a 0 sofrida para a apenas regular Croácia (após a qual, disseram alguns, o técnico Jorge Sampaoli teria pedido sua demissão, não aceita, ainda nos vestiários) deixaram Messi e seus amigos em uma situação inusitada em termos de Copas do Mundo: na última rodada, precisariam vencer a Nigéria de qualquer jeito se não quisessem pagar um mico idêntico ao da Alemanha. Mas, para tanto, foi preciso que alguns jogadores, como Mascherano, meio que assumissem o comando do time e tomassem algumas decisões, como a presença de Pavón entre os titulares e o total ostracismo de Dybala, considerado arrogante ao extremo por quase todos os seus companheiros de seleção.

O problema é que a segunda colocação no grupo levou os argentinos a terem um forte adversário pela frente mais cedo do que se esperava. E aí, meus amigos, não deu outra: encarando a jovialidade, a velocidade, a qualidade e, sobretudo, a vontade da França, caíram – e de quatro.

Sei que muitos de vocês nutrem pela Argentina uma imensa e eterna rivalidade, e que por isso devem ter ficado extasiados com a pífia campanha que ela cumpriu nesta Copa do Mundo. Mas este jornalista, como amante do futebol, ama todos aqueles que, historicamente, o praticam com raça, talento e emoção. Por isso, espera que em 2022 a verdadeira Argentina esteja de volta.

¡Hasta el Qatar, compañeros!

Curtinhas

Um enorme vexame – Nem o mais pessimista dentre todos os alemães em seu pior pesadelo poderia imaginar a ridícula campanha que os atuais campeões do mundo cumpririam na Rússia. Mas, com duas derrotas e apenas uma vitória, a Alemanha não só foi eliminada ainda na primeira fase como terminou a competição na pra lá de humilhante 23ª colocação dentre 32 participantes. Foi a pior campanha dos germânicos em todas as edições da Copa do Mundo.

Outro enorme vexame – Muitas vezes um gol logo no começo do jogo pode ser muito prejudicial à equipe que o marca. Foi o que aconteceu com a Espanha neste domingo. Após abrir o placar aos 11 minutos do primeiro tempo, a Fúria teve certeza absoluta de que, dada a enorme superioridade técnica que tem em relação à seleção russa, chegaria facilmente não só à vitória como também à classificação. Só que subiu nos saltos altos, tomou o empate, viu um adversário não ter vergonha nenhuma de jogar todo retrancado (alguém, aí, se lembrou de um certo time paulista?) e, no fim, perdeu a classificação às quartas-de-final da Copa do Mundo.

Adeus, meninos – As precoces eliminações de tradicionais equipes como Alemanha, Argentina e Espanha geraram, além de uma enorme decepção, também uma grande preocupação em seus torcedores. É que alguns dos seus craques ou anunciaram ou, então, deram a entender de que não mais defenderão suas seleções. No primeiro caso o genial Iniesta já deu adeus. Já o argentino Messi e o alemão Thomas Müller ainda não se pronunciaram oficialmente, mas dificilmente estarão no Qatar em 2022.

Talvez o melhor do mundo – O quase adolescente Kylian Mbappé, de apenas 19 anos, vem jogando tanto nesta Copa do Mundo que, apostam alguns, pode ser a grande surpresa dentre os finalistas ao prêmio FIFA de melhor jogador do mundo neste ano. Para tanto, “bastará” ao craque francês ser campeão do mundo na Rússia. O problema é que, para que isso aconteça, a França terá de eliminar o Brasil nas semifinais da competição…

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

Total 1 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?

Nenhum comentário on "Mais triste do que um tango de Gardel"

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *