Luiz Felipe Scolari e o eterno 7 a 1

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* Márcio Trevisan – Nunca gostei, não gosto e jamais gostarei do treinador de futebol Luiz Felipe Scolari e, muito menos, do cidadão Luiz Felipe Scolari. Não vou, aqui, tomar o precioso tempo do leitor explicando os motivos pessoais que me levam a não ter pelo dito cujo apreço algum, pois eles são vários e antigos.

Basta dizer, apenas, que discutimos feio duas vezes, que em uma delas só não chegamos às vias de fato graças à ação de terceiros, como o auxiliar-técnico Flávio Teixeira, o “Murtosa”, e o ex-zagueiro Aguinaldo e que, também, sobraram caras feias de ambos os lados em um casual encontro, anos depois, no Aeroporto de Cumbica.

Assim, resumirei o motivo de minha opinião sobre o técnico a um único fato: não o respeito porque ele não respeita jornalistas. E, como se sabe, isso não é de agora – em sua penúltima passagem pelo Palmeiras, por exemplo, chamou os repórteres que cobriam o clube de “palhaços”, e não foram poucas as vezes em que, achando-se superior a estes profissionais, os destratou e, em alguns casos, até mesmo humilhou durante entrevistas.

Quando a Seleção Brasileira levou de 7 a 1 da Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, fato este que se transformou no maior vexame da história do nosso futebol, acreditei que ele, mesmo a contragosto, calçaria as sandálias da humildade, enfiaria seu rabo entre as pernas e jamais voltaria a ser o grosso e mal-educado que sempre foi para com os jornalistas esportivos (com exceção, claro, de uma meia dúzia que sempre lhe puxaram, e continuam puxando, o saco).

Assim como fez Muricy Ramalho, outro estúpido com a Imprensa que, após quase morrer do coração, passou a se fingir de bonzinho e, hoje, até se traveste de repórter em um canal de TV a cabo. Mas, que nada: Felipão (ele adora ser chamado assim porque, em sua infértil imaginação, isso o torna maior do que os demais), continua o mesmo.

E ainda que em boa fase com o seu Palmeiras, e ainda que após uma importantíssima vitória sobre um rival, interrompe aos berros uma entrevista de um de seus jogadores, arrancando-o da frente das câmeras e do microfone empunhado por um profissional e ainda o manda para o Inferno, como se tivesse o direito de decidir quem fala e o que este “quem” pode falar.

O treinador acreditava que o repórter da Rede Globo Marco Aurélio Souza indagava Deyverson em razão da pequena confusão que se deu após a vitória do Verdão sobre o Santos por 3 a 2, sábado passado, na Arena Palestra Itália. Assim que o jogo acabou, o atacante comemorou o resultado com uma dança que, mesmo patética, irritou os jogadores santistas.

O “Menino Maluquinho”, como vem sendo chamado pela galera alviverde, não fez nada demais, não ofendeu a instituição praiana e nem humilhou seus jogadores, mas como o“mimimi” reina no futebol “nutella” de hoje, os atletas do Peixe não perderiam esta chance por nada. Até porque, como sabemos, vale tudo para não ter que dar muitas explicações após uma derrota, certo?

Só que o referido jornalista global nada falava sobre o caso. No momento em que foi deseducadamente interrompido e mandado ao Inferno pelo técnico, Souza perguntava a Deyverson sobre a importância do resultado e o quão mais perto do título ele deixava o Palmeiras.

Mas de forma ditatorial, deseducada e quase canalha, Scolari impediu que o jogador dissesse aquilo que pensava. Se alguém, aí, lembrou-se agora dos tempos da Ditadura não terá sido por mera coincidência.

Na verdade, existem dois “Felipões”. Um é o paizão, o cara legal pra caramba, o amigo de todos que comanda e por quem os jogadores dão a vida, se preciso for. O outro é o grosseiro, o arrogante, o boçal que trata profissionais diplomados e renomados como se estes fossem as chinocas da terra de onde saiu.

Scolari é a prova cabal que dinheiro, fama e sucesso não tornam alguém em alguém melhor. É que quem nasceu para ser xucro jamais será “gentleman”.

Por fim, caso a equipe do Palmeiras confirme o que parece quase confirmado e garanta a taça do Brasileirão de 2018, terá sido com todos os méritos e para sempre será lembrada por este feito.

Já seu treinador, indubitavelmente um dos principais responsáveis por esta quase certa conquista, será para sempre lembrado como o técnico da Seleção Brasileira que levou de 7 a 1 da Alemanha.

É que quem nasceu para ser Felipão jamais será Tite…

 

Curtinhas

Agora só falta a taça – Com a vitória por 2 a 1 sobre o Atlético/GO, fora de casa, neste fim de semana, o Fortaleza/CE confirmou matematicamente o seu acesso à Série A do Brasileirão de 2019. O time comandado por Rogério Ceni lutará, agora, para garantir a taça da Segundona, que poderá vir já no próximo jogo, nesta terça (6/11), diante do CSA/AL, no Castelão. Se vencer, o time cearense não poderá mais ser alcançado por nenhum outro adversário.

Bico calado – Na semana passada, dizendo-se “roubado” pela arbitragem após o empate com o Vasco/RJ, o vice-presidente de Futebol do Internacional/RS, Roberto Melo, esbravejou para a Imprensa e, ironicamente, disse para que a CBF entregasse o troféu de campeão a Palmeiras ou Flamengo/RJ, que jogariam no dia seguinte. Neste domingo, o árbitro catarinense Rodrigo D’Alonso Ferreira marcou um pênalti absurdo aos 45 minutos do segundo tempo a favor do Colorado que, convertido em gol por D’Alessandro, garantiu a vitória gaúcha por 2 a 1 sobre o Atlético/PR. Com o resultado, o Inter/RS se isolou na vice-liderança e ainda tem chances de ser campeão. E desta vez, claro, o vice de Futebol Roberto Melo não deu as caras na sala de entrevistas.

Sentiu. Mas nem tanto. – O Palmeiras não conseguiu reverter a vantagem obtida pelo Boca Juniors/ARG no primeiro jogo semifinal e, após empatar por 2 a 2 na Arena Palestra Itália, quarta-feira passada, ficou fora das finais da Copa Libertadores da América. Muitos pensaram que, por isso, seus jogadores entrariam cabisbaixos no sábado, diante do Santos/SP. Que nada: o Verdão abriu 2 a 0, cedeu o empate mas acabou conseguindo o gol da virada e da vitória. Com isso, e também diante do empate do Flamengo/RJ com o São Paulo/SP (2 a 2), aumentou ainda mais sua vantagem na ponta da tabela – agora, já são 5 pontos a mais do que o segundo colocado, o Internacional/RS.

Então, tchau – “Vou ser sincero. Vou curtir esses últimos jogos, esses últimos momentos, que podem ser mesmo os últimos”. Foi com estas palavras que o atacante Gabriel, o “Gabigol”, respondeu aos jornalistas sobre as chances de permanecer no Santos em 2019. Emprestado pela Internazionale de Milão/ITA, o artilheiro do Brasileirão tem contrato até 31 de dezembro próximo e não deverá, mesmo, permanecer na Vila Belmiro. O motivo? Muito simples: o Peixe não tem dinheiro para recontratá-lo em definitivo e a equipe italiana não se mostra disposta a um novo empréstimo.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 30 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 12 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 400 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail apresentador@marciotrevisan.com.br

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