Levir: um bom técnico. E um ótimo humorista.

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* Márcio Trevisan – Já tive a oportunidade de contar a todos vocês que trabalhei com Levir Culpi no Palmeiras. Foi uma época difícil pois, apesar de todo o esforço feito pelo treinador, ele não foi capaz de evitar a queda da equipe para a Série B de 2003. E dentre as muitas coisas que aprendi com ele, uma foi levar o futebol mais no bom humor, de um jeito mais leve, até porque, como ele sempre costuma se autodefinir, trata-se de um “burro com sorte”.

O problema é que quem brinca muito e quase sempre, corre o risco de, vez ou outra, extrapolar e falar o que não deve. E foi exatamente isso o que aconteceu neste domingo, após o Santos vencer com méritos e sobras o Bahia/BA por 3 a 0 sob a presença de mais de 35 mil santistas, que quase lotaram o Pacaembu. Autor dos três gols do Peixe, o atacante Bruno Henrique saiu de campo, claro, como o grande herói da vitória.

E foi então que o treinador resolveu dar seu show particular. Já na entrevista coletiva, ao ser solicitado para que analisasse a atuação de Bruno Henrique, Levir saiu-se com esta: “Ele foi decisivo, mas foi um dos piores em campo. Você acredita nisso? Ele participou dos três gols, foi oportunista. É um cara que pode vir a ser um dos melhores atacantes do futebol brasileiro, mas ele precisa aprender algumas coisas. Assim como, mais ou menos, o Neymar, que aprendeu quando foi para a Espanha”.

Inicialmente, todos pensaram que se tratava de mais uma das piadas que permeiam as coletivas do treinador. Só que não: ele falava seriamente, embora não tenha explicado exatamente o que quis dizer.

É óbvio que Bruno Henrique precisa aprender algumas coisas – aliás, todos nós precisamos, inclusive Levir Culpi. O que repórter algum teve a coragem (ou a inteligência) de fazer foram perguntas simples, como “Criticar um jogador do seu grupo em público, perante a Imprensa, vai fazer com que ele melhore em quê?”; ou então “Por que você não ensinou estas algumas coisas que o atleta precisa aprender?”; ou, ainda, “Se o atacante foi um dos piores em campo, por que você o manteve jogando até o fim da partida?”.

Ou seja: a declaração do técnico santista em nada contribuiu e, pior ainda, deixou no ar a possibilidade do surgimento de um clima ruim e desnecessário, sobretudo levando-se em conta a ótima e até certo ponto surpreendente campanha do Santos neste Brasileirão. Além, claro, de talvez propiciar alguns narizes torcidos dos jogadores em relação a ele próprio, pois se tem algo que boleiro não aceita é ser criticado em público.

É como dizia minha mãe: muito riso é sinal de pouco siso.

Curtinhas

Caiu no Horto, tá morto. Não mais. – Não faz muito tempo e o estádio Independência, que pertence ao América/MG, tornou-se uma espécie de talismã do Atlético/MG, que lá obteve vitórias memoráveis, inclusive válidas pela Libertadores de 2013, a qual conquistou. Mas ultimamente o local não tem dado tanta sorte assim ao Galo: neste domingo, a equipe perdeu a quinta partida seguida no Brasileirão (para o Vasco/RJ, por 2 a 1), e já está na parte de baixo da tabela. Rogério Micale, contratado para o lugar do demitido Róger Machado, terá uma trabalho danado a partir de quarta-feira, quando estreará diante do Botafogo/RJ, pela Copa do Brasil.

Seleção: mais dois candidatos à camisa 1 – Com o time titular praticamente definido para a Copa do Mundo do ano que vem, Tite não esconde que a única posição em que ainda não tem a menor ideia de quem será o titular é a de goleiro. Vários já foram testados, mas até agora nenhum de fato passou a confiança necessária para tamanha responsabilidade. Por isso, na próxima convocação (para os jogos contra o Equador, 31/08, em Porto Alegre, e Colômbia, 05/09, em Barranquilla/COL), dois novos goleiros serão convocados: Cássio, do Corinthians, e Vanderlei, do Santos. Aliás, com todos os méritos.

Tudo beleza, meu! – A 16ª rodada do Brasileirão foi bastante positiva para os clubes paulistas. Santos, Palmeiras, Corinthians e Ponte Preta venceram, respectivamente, Bahia/BA (3 a 0), Sport/PE (2 a 0), Fluminense/RJ (1 a 0) e Atlético/PR (2 a 0). Detalhe: Verdão, Timão e Macaca jogaram fora de casa. Agora, só resta ao São Paulo manter a escrita e passar pelo Grêmio/RS, nesta segunda.

Mais uma estrela no Céu – O domingo, dia reservado às alegrias do futebol, por vezes tem também seus momentos de tristeza. E neste a dor foi enorme devido à passagem do ex-goleiro Waldir Peres ao Plano Espiritual. Segundo jogador que mais vezes defendeu a camisa do São Paulo, com 617 partidas, ele sofreu um infarto fulminante durante um almoço de aniversário na cidade de Mogi Mirim/SP. Waldir, que tinha 66 anos, é o terceiro jogador da inesquecível Seleção Brasileira de 1982 a falecer – antes, já haviam partido Dirceu (em 15/09/1995) e Sócrates (04/12/2011).

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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