Justiça Federal decreta prisão preventiva do prefeito Atila Jacomussi

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Da Redação – O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) decretou nesta sexta-feira (11) a prisão preventiva do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), que segue pelo terceiro dia detido na superintendência regional da PF (Polícia Federal), no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo.

O socialista foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro, ao conter R$ 87 mil em espécies não declarados em sua residência. Situação igual ocorre com o secretário de Governo e de Transportes, João Gaspar (PCdoB), encarcerado no mesmo local.

As prisões preventivas de Atila e Gaspar foram determinadas pelo desembargador do TRF-3 Maurício Kato, que analisou as detenções realizadas pela PF, nesta quarta-feira (9), por meio da Operação Prato Feito. A investigação deflagrou esquemas de fraudes em licitações e contratos para serviços de merenda e uniformes escolares, entre um cartel de empresas e prefeituras pelo Estado.

Advogado de Atila, Daniel Bialsk garantiu que recorrerá da decisão do TRF-3 e reafirmou a inocência do cliente. “Vamos entrar com pedido de habeas corpus no STJ (Superior Tribunal Justiça). Preciso reunir alguns documentos para desmerecer o que o desembargador escreveu e entro com o pedido no domingo (13) pelo sistema eletrônico. E no dia seguinte, irei a Brasília para despachar pessoalmente”, explicou.

A defesa sustentou que os valores apreendidos na casa de Atila são declarados no IR (Imposto de Renda) e são correspondentes ao próprio salário de prefeito, a recursos de alugueis de imóveis da família e da pensão do filho. “O prefeito nunca teve problema na vida pública, pessoal e profissional. E no próprio relatório da Operação Prato Feito não tem qualquer menção de participação (dele) em evento ilícito”, completa o advogado.

Braço direito do prefeito, Gaspar também foi detido em flagrante, por suspeita de lavagem de dinheiro, por guardar em sua casa R$ 588,4 mil não declarados. Com a prisão preventiva decretada, ambos agora passam a ficar encarcerados por tempo indeterminado, enquanto respondem à Justiça, ao mesmo tempo em que as duas defesas recorrem ao STJ pelo pedido de habeas corpus.

Nesta quinta-feira (10), o prefeito e o secretário tiveram audiência de custódia na 1ª Vara Federal Criminal, no bairro Bela Vista, região central da Capital, para analisar a legalidade das prisões. Entretanto, a entidade judicial negou a existência de irregularidades e o repassou a análise das manutenções das detenções ao TRF-3. Logo depois da decisão, prefeito e secretário foram reconduzidos à sede da PF.

Vice – Com a prisão preventiva de Atila decretada, aumentam as chances da vice-prefeita Alaide Damo (MDB) assumir o comando do governo. A Justiça deve notificar a Câmara dos Vereadores na próxima semana para oficializar a posse da número dois do Paço. Enquanto isso, Mauá segue estagnada pela falta de comando. A situação também deixou os parlamentares atordoados, que devem discutir os próximos passos neste fim de semana.

Entenda o caso – Segundo investigação da PF, Gaspar teria relação próxima ao empresário Carlos Zeli Carvalho, conhecido como Carlinhos, apontado como um dos integrantes do cartel, e que tem influência nos serviços de merenda, uniformes escolares e limpeza. No relatório de 354 páginas da Operação Prato Feito, o aliado do prefeito mauaense atuou como lobista em São Sebastião e Peruíbe, a fim de cruzar os interesses de Carlinhos com as duas prefeituras, por meio de vantagens ilícitas.

Em 2016, Gaspar recebeu R$ 138 mil do empresário, dinheiro que foi destinado a Atila, na ocasião deputado estadual, segundo relatório. A PF apontou que Carlinhos estabeleceu uma relação de parceria com o prefeito em 2016, por meio de repasses regulares do secretário e de Samara Gomes Barlera, também alocada no gabinete do socialista na Assembleia Legislativa.

Segundo a investigação da PF, os benefícios de Carlinhos a Atila tinham como finalidade a contratação de empresas sob sua influência na Prefeitura de Mauá. Inclusive, conversas do empresário com outro alvo da operação, Fábio Favaretto – dono da Le Garçon Alimentação –, apontam a confiança em ingressar na rede municipal: “Vou entrar em Mauá no ano que vem (…). Com o Atila”, dizia Carlinhos em 2016.

Em junho de 2017, a gestão Atila homologou a empresa Reverson Ferraz da Silva ME para o fornecimento de uniforme escolar, pelo valor de R$ 8,3 milhões. Segundo o relatório da PF, a terceirizada tinha como responsável Leandro de Carvalho, irmão de Carlinhos. (Repórter Diário)

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