Já não se faz Série B como antigamente…

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – O Campeonato Brasileiro de 2020 terminará na próxima quinta-feira, mas seus quatro últimos colocados – e consequentemente rebaixados – já são conhecidos. Ok: o Vasco da Gama/RJ ainda tem chances matemáticas de se salvar, mas elas são tão irrisórias (a equipe precisa não só vencer sua última partida como também reverter uma desvantagem de 12 gols de saldo em relação ao Fortaleza/CE!) que nem mesmo seus mais apaixonados torcedores conseguem acreditar em tamanho milagre. Assim, ao lado da gigantesca equipe carioca, desceram também Goiás/GO, Coritiba/PR e Botafogo/RJ – ou seja: dos quatro piores times deste Brasileirão, três já foram campeões nacionais.

Este detalhe fará com que a Série B deste ano – ou seja, a de 2021, que começará no fim de maio – seja a edição com mais clubes considerados de elite desde que passou a ser disputada no sistema de pontos corridos em sua Primeira Fase ou, como acontece desde o torneio de 2006, em sua única etapa. Na média, a quantidade de vencedores do Brasileirão que jogam a Série B fica em 2,47 por edição (houve dez competições com 2 campeões, três com 3, duas com 1 e outras duas com 4 – as dos anos de 2005 e 2006).

Contudo, desta vez – além dos dois representantes cariocas e da equipe paranaense, já citados acima –, também estarão presentes o Cruzeiro/MG e o Guarani/SP, remanescente deste ano. Ao todo, portanto, cinco dos 20 clubes que lutarão pelo retorno à Série A de 2022 já levantaram a taça da mais importante competição brasileira, e se três deles (Bugre, Coxa e Fogão) só o conseguiram uma vez, os outros dois (Raposa e Gigante da Colina) são nada menos do que tetracampeões brasileiros. E, vale lembrar, na melhor das hipóteses apenas quatro campeões brasileiros poderão retornar à Série A do ano que vem. Isso significa dizer que, com toda a certeza, pelo menos uma destas cinco estrelas permanecerá no “purgatório” por pelo menos mais um ano.

A presença de grandes e tradicionais equipes numa divisão abaixo garantirá à próxima Série B um inquestionável ganho em qualidade e emoção, mas há o outro lado desta história. Se a Segundona fica bem melhor com a presença de times tradicionais, isso significa que a Primeirona, justamente a principal divisão e da qual quase sempre se classificam todos os representantes do Brasil na Copa Libertadores da América, fica bem pior – algo que, evidentemente, enfraquece o futebol brasileiro.

Com todo o respeito à Chapecoense/SC, América/MG, Juventude/RS e ao quase desconhecido Cuiabá/MT, que merecidamente ascenderam e disputarão a elite nesta temporada, eles não chegam nem minimamente próximos à história e às conquistas dos três grandes que caíram neste ano.

Para mim, no futebol, grande é grande, e pequeno é pequeno. Só que alguns grandes precisam, cada vez mais, cuidar com maior competência de suas vidas dentro e fora do campo, caso contrário correremos o risco de vê-los se tornarem menores a cada ano. E, daqui a pouco, poderemos ter uma Série B mais qualificada do que a Série A. 

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 32 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico.

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