Heloísa Urt: a guerreira que resgatou a tradição do Carnaval no Pantanal

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HELOISA HELENA URT

* Montero Netto – Todos sabem que, em nosso país, o ano só começa mesmo depois do Carnaval. A festa, que arrasta multidões para bailes, desfiles de rua, eventos dos mais diversos de norte a sul do Brasil, é muito popular e tem grande penetração em Corumbá e Ladário. Os festejos de Momo são parte da tradição cultural do pantaneiro.

Por aqui, registros históricos garantem que os homens da Marinha do Brasil, instalados em Ladário, por volta de 1827, no então Arsenal de Marinha, que hoje é o 6º Distrito Naval, longe de suas famílias decidiram “pular” o Carnaval fazendo a festa pelas ruas da cidade. Ao som das tradicionais Marchinhas, os Corsos e outras manifestações da época, saiam as ruas com muito confete e serpentina. Esta foi, na época, uma das maneiras pensadas pelos foliões de, mesmo a distancia da então capital do Brasil e suas famílias, se manter perto dos costumes cariocas.

Hoje, como resultado dessa história, temos em Corumbá e Ladário, um carnaval que, mesmo diante da evolução da Festa, que compreende o luxo das Escolas de Samba, mantém, por exemplo, a existência dos Blocos de Sujos (em que homens se vestem de mulheres e vice e versa) e os Blocos Livres, em que amigos se juntam para dançar, beber e confraternizar ao som do samba, sem a preocupação de julgamento de jurados.

Dentro deste quadro a nossa personagem de hoje, da Casinha Pantaneira, pode ser considerada uma heroína. A ativista cultural e professora Heloísa Urt, falecida em novembro de 2011, era uma batalhadora no que diz respeito a preservação das tradições e cultura da região. Considerada uma mulher a frente do seu tempo, Helô – como era chamada pelos amigos – conhecia bem o assunto.

Anos antes de sua morte, ao ocupar a presidência da Fundação de Cultura da Prefeitura de Corumbá, Heloísa decidiu resgatar as tradições implantando o Carnaval Cultural.  Mesmo contra alguns, que queriam apenas focar os festejos nas Escolas de Samba, ela trouxe de volta a Descida dos Corsos, Blocos das Pastorinhas e Frevo para a avenida General Rondon, a passarela do samba.

Também no ano de 2006, brincando com a história do Frei Mariano de Bagnaia, que já contamos aqui, criou o Bloco Sandálias de Frei Mariano, que passou a abrir o carnaval de Corumbá na noite de quinta-feira. Heloísa Urt chegou inclusive a compor a letra da marchinha, espantando a praga do religioso sobre a cidade. Ela mesma se vestia de Pastorinha e, com seu leque na mão, esbanjava alegria desfilando e cantando marchinhas de Noel Rosa e Mario Lago, entre outros compositores.

Este trabalho permanece até hoje e quem conhece um pouco da história cultural da região não tem como não lembrar da guerreira Helô. Pessoalmente fui amigo dela. Tive a oportunidade de registrar, como repórter, os projetos que a mesma desenvolvia. Me lembro ainda de ser recebido fraternalmente pela amiga em sua residência para um café quente, agua gelada e muita conversa boa.

PASTORINHAS

Passados cinco anos de sua morte sei que este ano ao ver em Corumbá a entrada das Pastorinhas na Avenida me lembrarei da amiga Heloísa Helena, fato que mostra claramente que dependendo do legado, que qualquer um deixar aqui nesta terra poderá ser considerado “imortal”.

copyMONTERO NETTO* Montero Netto é natural de Mogi das Cruzes, criado em Santo André. Jornalista, radialista, professor do Estado, gestor público e escritor, autor de três livros. Atuou como repórter e assessor de imprensa em jornais, emissoras de rádio e TV, assessorias de comunicação do Poder Público e privado na Grande SP e região do ABCD. Atualmente reside em Ladário/MS, em pleno Pantanal Sul-matogrossense, onde atua como repórter, assessor e professor de administração. Contato com o colunista: pressplanet@gmail.com

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