HC é decisivo na recuperação de pacientes com lesão cerebral ou infartados

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Da Redação – O Hospital de Clínicas Municipal (HC), que integra a rede SUS de São Bernardo, tem sido decisivo na recuperação de pacientes que correm risco de morrer e precisam de atenção em alta complexidade. Pessoas que sofreram lesão cerebral ou infarto são prontamente atendidas em serviços especializados que, há um ano, só eram ofertados em unidades fora do município. Isso evita que usuários em estado grave tenham de esperar pela transferência a outro hospital – o que, não raro, demorava a ocorrer -, aumentando as chances de sobrevivência com qualidade de vida.

De acordo com lei 8.080/90, que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS), gerir os sistemas de alta complexidade, estabelecendo serviços de referência regional, é competência dos Estados. Devido ao déficit de vagas, a Prefeitura assumiu a responsabilidade em duas importantes modalidades. Com a oferta da neurocirurgia e da angioplastia primária (desobstrução da artéria coronariana) no HC, a Secretaria da Saúde enfrenta duas das principais causas de mortalidade da população adulta de São Bernardo, que são as doenças isquêmicas do coração e as cerebrovasculares.

Em 2015, o HC realizou 224 neurocirurgias, média de quatro por semana. Cerca de 40% dos pacientes atendidos são adultos com idade entre 20 e 40 anos, vítimas de causas externas, como acidentes automobilísticos e de trabalho e ação criminosa. Os outros 60% são compostos por idosos com aneurisma ou que sofrem um AVC (acidente vascular cerebral), e também por pacientes oncológicos com tumores que comprometem a visão, audição ou movimentos.

O superintendente do HC, Daniel Beltrammi, conta que, quando o serviço foi estruturado, acreditava-se que as vítimas de acidentes ou violência seriam a maioria da demanda. Mas, na prática, observou-se que a espera prejudicava mais o usuário com lesão intermediária. “Transferir um paciente acidentado com fratura craniana visível e sangramento abundante sempre foi mais rápido. O problema é que a imensa maioria das pessoas que demandam neurocirurgia não se encaixa nesse perfil. São casos em que a cabeça está íntegra, mas o choque, o aneurisma ou tumor provoca uma lesão cerebral importante. A literatura médica mostra que, a cada dia sem intervenção adequada, o risco desse paciente morrer aumenta até 30%. Portanto, não tenho dúvidas de que estamos salvando vidas no HC com esse serviço, porque transferi-los para o hospital estadual de referência era muito difícil. É um marco para a saúde de São Bernardo”, avalia.

Foi o que aconteceu com a dona de casa Maria Quelma Rosa da Silva de Oliveira, 50 anos, moradora da Vila São Pedro. Durante uma crise de enxaqueca, decidiu procurar atendimento no Hospital e Pronto-Socorro Central (HPSC). Como as dores de cabeça eram recorrentes, foi submetida à tomografia. “Achei que ia tomar soro com medicação e iria embora em seguida. Quando saiu o resultado do exame, não acreditei. Tinha um tumor no cérebro e o neurologista disse que eu corria risco”, recorda. Transferida para o HC, Maria Quelma passou pela neurocirurgia e passou, ao todo, 28 dias internada. “Achei que ia ficar meses na fila esperando para operar. Foi uma surpresa ter sido atendida tão rápido, de maneira tão excepcional. No HC, todo mundo te trata com carinho, são muito eficientes, desde a moça que faz a limpeza até o médico.”

Infartados – Outra modalidade de alta complexidade ofertada pelo HC é a hemodinâmica em cardiologia, único entre os sete municípios da região do ABC a funcionar em regime de 24 horas para casos urgentes. Além do exame de cateterismo, são realizadas angioplastias primárias em pacientes infartados.

Em 2015, foram feitas 112 angioplastias primárias. A abertura do serviço estruturou uma linha de cuidado específica que envolve toda a rede de saúde.

“O tempo é precioso nesses casos. Quanto mais rápido realizarmos a desobstrução da artéria do coração, menores são as sequelas. É um serviço que, sem dúvida, tem evitado mortes por infarto em São Bernardo”, avalia o coordenador de práticas clínicas do HC, Carlos Augusto Lima de Campos.

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