Guerra sem vencedores

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* Caio Bruno – Enquanto escrevo este texto o Brasil conta com quase 180 mil mortos pela Covid-19, impactando diretamente centenas de milhares de amigos e familiares órfãos e temos também milhões de contaminados, felizmente sobreviventes ao vírus, mas infelizmente parte deles com sequelas, algumas para toda a vida.

Além disso, continuamos com uma economia em frangalhos em um final de ano triste em que milhões de brasileiros não sabem o que será do dia de amanhã, ainda mais agora com o fim do auxílio emergencial do Governo Federal.

Em nossa tragédia ainda cabe mais. Enquanto o mundo inicia a vacinação em massa contra o novo Coronavírus e tenta colocar fim à pandemia e a todos os problemas por ela causados, o Brasil assiste a transformação da vacina, que irá salvar vidas e retomar a atividade econômica, em uma mera guerra política protagonizada por dois players que provavelmente irão se enfrentar nas urnas em 2022: Jair Bolsonaro e João Dória.

O presidente, negacionista e com condução errática o tempo todo sobre este tema, parece dificultar o acesso dos brasileiros ao antídoto ao não criar um plano nacional de vacinação, não planejar a compra de insumos e estimular narrativas fantasiosas criando quase uma reedição da Revolta da Vacina do início do século XX.

Dória, governador de São Paulo, e ex-aliado de Bolsonaro utilizou-se da força econômica do Estado mais rico da nação para produzir o imunizante em parceria do Instituto Butantan com a Sinovac, a já famosa Coronavac e promete iniciar a vacinação de todos em São Paulo já em janeiro.

No grande Fla-Flu irracional que se tornou a política nacional, esse é o novo capítulo. Bolsonaro e sua turma colocam em dúvida a “vacina chinesa” de Dória, este quer aprova-la nem que seja por via judicial e acusa o inquilino do Planalto de usar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) politicamente.

Vacina não deveria ser tema político. Em nenhum país é. Recentemente viralizou uma foto de 2009 do então governador de São Paulo José Serra vacinando o então presidente Lula em uma campanha de imunização contra gripe.

O petista e o tucano eram adversários fidagais. Recrudescemos e muito. Nesta guerra de egos, vaidades, ignorância, irresponsabilidade e cálculos políticos não há vencedor. Há perdedores. Muitos. Cada dia mais…

* Caio Bruno é jornalista e atua na Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul

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