Grande ABC vira cenário do longa Sete Cidades e Uma Vila Inglesa

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Produção coletiva “Sete Cidades e Uma Vila Inglesa”, da produtora Cumamuê Cinema, traz oito histórias inéditas e estreia prevista para 2020

Da Redação – O ano de 2019 será marcado pela produção do filme “Sete Cidades e uma Vila Inglesa”, longa-metragem produzido pela Cumamuê Cinema, de São Paulo, que é composto por oito episódios tendo como cenários os sete municípios do ABC e o distrito de Paranapiacaba. Com duração de quinze minutos cada, os episódios são dirigidos pelos cineastas Diomédio Piskator, Diaulas Ullysses, Ruy Jobim Neto, Guilherme Motta, Tony Ciambra e Mário Dalcendio.

A produção surgiu espelhada na forte tradição local de realização cinematográfica, que teve como pioneiros Aron Feldman (1919-1993) em Santo André e os irmãos Hans (1922-2002) e Wolfgang Gerber (1927-1998) em Mauá, além de uma série de produções no formato Super 8mm, distribuídas nas demais cidades da região.

Vale ressaltar também a instalação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz no município de São Bernardo do Campo em, 1949. Até terminar seu funcionamento em 1954, a Vera Cruz produziu o total de 22 filmes, dos quais destacam-se Caiçara (1950), Ângela (1951), Apassionata (1952), Sinhá Moça (1953), A Família Lero-Lero (1953), O Cangaceiro (1953), Uma Pulga na Balança (1953), Na Senda do Crime (1954), Candinho (1954) e Floradas na Serra (1954), entre outras obras que também entraram para a história do cinema brasileiro.

A região do ABC também teve grande importância na área de produção de documentários, com a vinda de cineastas de todo Brasil, motivados em registrar o movimento sindical metalúrgico em torno das greves das décadas de 1970 e 1980. Após o período fértil para a realização de documentários sobre os operários, o ABC atraiu ainda vários cineastas de renome nacional, que encontraram cenários inspiradores para seus filmes no campo da ficção, como João Batista de Andrade (Doramundo) e Carlos Reichenbach (Garotas do ABC e Falsa Loura), entre outros. Nos últimos dez anos foram produzidos cerca de 15 longas-metragens e inúmeros curtas por cineastas da região.

A realização de “Sete Cidades e uma Vila Inglesa”, por equipes e elencos que somam mais de sessenta pessoas, visa fortalecer a tradição de cinema que marca a história cultural dos municípios do ABC. O filme, que tem o selo da Cumamuê Cinema, produtora paulistana que realizou obras como os longas “SP 015” e “Memórias da Boca”, já começou a ser rodado e tem lançamento previsto para 2020.

As Sinopses dos Episódios

•      A Morte do Ator de Cinema (DIADEMA)

Direção: Diaulas Ullysses

Sinopse: A jovem Estrela quer ser atriz de cinema. Ela fica comovida com a morte de Jemes, grande ator de Diadema e único brasileiro ganhador de uma estatueta da Academia de Filmes dos Estados Unidos da América. Sua mãe Helena, que odeia cinema e esse ator, inferniza a vida de Estrela. O período é bem confuso no ABC, com muitos protestos, pois os estúdios de cinema da região não filmam mais com atores e atrizes reais, preferindo realizar tudo digitalmente.

•      Visitações (RIBEIRÃO PIRES)

Direção: Diomédio Piskator

Sinopse: O episódio narra a trajetória de um cineasta, que, após morar na Europa por 35 anos, decide voltar a Ribeirão Pires para realizar um filme sobre a cidade.

•      Olhos da Rua (SÃO CAETANO DO SUL)

Direção: Ruy Jobim Neto

Sinopse: A misteriosa funcionária de uma empresa sai para almoçar todos os dias e sempre retorna três horas depois, o que desperta a curiosidade de sua patroa sobre o que a moça faz durante todo esse tempo. As ruas de São Caetano do Sul revelarão algo muito maior do que simplesmente uma saída para o almoço.

•      Vistas (SANTO ANDRÉ)

Direção: Mário Dalcendio

Sinopse: Um olhar pela cidade de Santo André, mostrando sua arquitetura, seus espaços públicos e alguns lugares pouco conhecidos para ilustrar as lembranças de um personagem anônimo marcadas por encontros e desencontros.

•      O Retrato de um Lambe-Lambe (MAUÁ)

Direção: Tony Ciambra

Sinopse: Um senhor aposentado, sem ter o que fazer, perambula a esmo pela cidade, até entrar numa cafeteria. Ele toma um café e adormece. Quase catatônico, o aposentado é “acordado” pela garçonete. Continua andando pela cidade até sentar numa praça. Percebe um Lambe-lambe sentado em sua cadeira, com aparência triste. Por curiosidade, o aposentado vai tirar uma foto. Cria-se uma amizade entre os dois. O fotógrafo começa a mostrar todo o processo fotográfico e a falta de trabalho que enfrenta em seu ofício.

•      Janela (RIO GRANDE DA SERRA)

Direção: Guilherme Motta

Sinopse: O filme se passa dentro de um trem e mostra um casal realizando um pacto final, após assistir pelas janelas do vagão os fragmentos da vida que levaram o par até aquele momento crucial.

•      As Maiores Atrizes dos Estúdios Vera Cruz (SÃO BERNARDO DO CAMPO)

Direção: Diaulas Ullysses

Sinopse: Duas atrizes que atuaram em filmes dos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, vivem sonhando com os tempos áureos de outrora. No meio dos conflitos entre as duas, nessa longa caminhada, descobrem o verdadeiro valor do oficio de ser artista, que lhes permitiram vivenciar dias glamorosos do cinema nacional.

•      Trilhos do Tempo (PARANAPIACABA)

Direção: Diomédio Piskator

Sinopse: Equipe de reportagem, destacada para fazer matéria sobre o fenômeno de aparições fantasmagóricas, depara com personagens da construção da ferrovia São Paulo Railway em 1862.

Sobre os Cineastas

Diomedio Piskator é diretor, roteirista e produtor. Iniciou seu aprendizado fílmico na última geração dos festivais de Super 8, no final da década de 1970. Com Abrão Berman, estudou cinema no Grupo de Realizadores Independentes de Filmes Experimentais (Grife) e no Curso de Formação Cinematográfica coordenado por Denoy de Oliveira. Suas realizações fílmicas são determinantemente autônomas. Além de suas ocupações de produtor e realizador, preside o Observatório de Cinema/Memorial do Cinema Paulista. Dirigiu Retrato Falado (1978), Fim de Feira (1981), Urubuzão Humano (1996), Kuatro Paulicéias (2003), Caminhos do Cineclubismo (2008), Papo de Boteco (2010), Mil Cinemas, episódio de Memórias da Boca (2013), Perímetro, episódio de SP Zero 15 (2015), Cine Ciambra, episódio de Amigos Filmam Amigos (2018), A Arte Politizada de Carlos Ricardo (2019) e Gestos, episódio de Manifesto Fílmico (2019), entre 29 filmes de longa, média e curta-metragem.

Diaulas Ullysses é cineasta, cineclubista, produtor, professor de audiovisual e pesquisador independente de audiovisual. Graduou-se no curso Gestão de Rádio e TV da Universidade Bandeirante de São Paulo e concluiu o Curso de Direção de Cinema na Escola Livre de Cinema e Vídeo (ELCV) de Santo André. Trabalhou em diversas ações dentro do cinema e vídeo – como mostras, festivais, movimento cineclubista, edições de revistas, livros e textos – e ministra oficinas e cursos. Foi responsável pela concepção, montagem e coordenação da sala de cinema Cine Eldorado na cidade de Diadema. Realiza desde 1995, produção e direção de filmes de curta-metragem, institucionais e videoclipes. Dirigiu Os Alvos Que Queremos Virgens (2002), A Ficção entre o Feijão e o Sonho (2006), Ivonice Satie – A Sensibilidade do Movimento (2009), A Viola Te Espera (2010), Brasil da Banda Ornamentais (2011), Ordalina Candido: Eu Sou o Povo (2017) e Dollmaker (2018).

Tony Ciambra é diretor de fotografia, cineasta e professor de Rádio e TV na Faculdade Anhembi Morumbi. Assinou direção de fotografia em 20 longas e em mais de 30 curtas, com destaque para A Vida Continua… (2012), Anúncio de Jornal (1984), Os Três Boiadeiros (1979), O Estripador de Mulheres (1978) e Caminhos do Cineclubismo (2008). Premiado com o APCA de melhor diretor de fotografia por Fantasias. Dirigiu Só na Multidão (1971), entrandopelocano.com, episódio de Memórias da Boca (2014), Na calada da noite, episódio de SP Zero 15 (2015), Clube do Riso (2009), Desaparecidos (2005) e Bacuri (2003).

Ruy Jobim Neto é cineasta, cartunista e autor teatral com peças premiadas. Formado em Cinema pela ECA-USP. Em cinema, escreveu, produziu e dirigiu Horário de Meu Verão (2010), Hyppólita (2011), O Dia D E.J. Carvalho (2012), Os Barcos da Terra (2013) Cordata, episódio de SP Zero 15 (2014) e Miniaturas (2017), entre outros filmes.

Mário Dalcendio é cineasta e designer de som. Formado em Cinema pela ECA-USP com especialidade na captura de som direto, mixagem e sonoplastia. Nesse segmento participou em mais de três dezenas de produções cinematográficas. Dirigiu O Assassino ou O Estranho Aspecto de Marta Temple (1978), Kalidoscopio Gigante (2011) e Ritos de Rios e Ruas (2013).

Guilherme Motta é roteirista, diretor e produtor. Teve seus roteiros Andaluz e Trem Fantasma premiados pela Secretaria de Estado da Cultura. Ambos os telefilmes foram produzidos através do Edital PROAC e foram veiculados pela TV Cultura. No primeiro foi também diretor e no segundo, produtor executivo. Foi assistente de direção na série 3% veiculada pela Netflix. Atualmente está escrevendo o roteiro para a série A Fantástica Biblioteca de Tatiana Belinky, premiada pelo Ministério da Cultura. Desenvolveu o texto para o documentário Bahia de Corpo e Alma e teve argumento vencedor do PROAC para o projeto Vida Sustenida. No teatro foi responsável pelos vídeo-cenários das peças Nos Campos de Piratininga e Mau Encontro. Dirigiu o telefilme Andaluz (2009).

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