Frio e calor: um problema nosso!

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aaa* Murilo Valle – Um dos temas do momento é o frio outro dia mesmo era o insuportável calor. As manifestações e criatividade nas redes sociais, por meio das charges e figuras, têm mostrado como a sociedade tem interagido com a questão climática.

A temperatura mínima observada na manhã do dia 13/06/2016 foi 1,3°C, tendo sido a menor temperatura já registrada neste ano e a menor temperatura registrada desde 2001, segundo o Instituto Astronômico e Geofísico da USP (IAG-USP).

Por outro lado, poucos tempo atrás, ainda segundo o mesmo instituto, o mês de abril/2016 foi um mês em que as temperaturas média, média máxima e média mínima ficaram acima das respectivas médias climatológicas, tendo sido registrado um novo recorde mensal de temperatura máxima, 34,1°C; outro recorde relacionado ao calor foi o total de dias com temperatura acima de 30,0°C: foram 21 dias com essa característica, caracterizando o mês de Abril com mais dias de calor. Esse cenário de contrastes climáticos sem motivação natural tem um nome: crise climática.

Crise climática. Parece que muitos ainda não acreditam! Esse meu ponto de vista não reside na simples resposta a uma pergunta, mas sim, na observação diária de meu cotidiano. A crise é planetária e afeta todos, alguns de forma mais severa, porém, mesmo considerando que a televisão e a mídia impressa já demonstraram a questão em diversas formas e incansáveis vezes, a acomodação das pessoas na zona de conforto impede a efetiva compreensão do problema.

Em confronto com este meu discurso, sempre surgirá aqueles que preferem defender a idéia de que tudo isso faz parte de um arcabouço político, que as informações são manipuladas, etc., contudo, prefiro entender as evidências, que são notáveis e podem ser percebidas em nosso cotidiano, e as discutir.

A observação simples do clima, no mínimo, nos remete a uma conclusão: temos problema. O aquecimento global não é uma questão política, mas sim, científica. A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) informou que 2014 foi o ano mais quente do século XXI, afirmando que essa classificação não é um fato isolado, mas parte de uma tendência mais ampla de comportamento do clima. O aumento das temperaturas oceânicas tem contribuído de forma excepcional para tempestades e inundações em muitos países, dentre os quais o Brasil e, ao mesmo tempo que provoca extrema seca e temperaturas baixas em outros, segundo a OMM.

Especialistas da OMM advertem que 14 das 15 maiores temperaturas registradas ocorreram no século 21 e alertou que o aquecimento global tende a crescer, dado que a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera aumentaram, bem como a temperatura dos oceanos. Ainda destacam que cerca de 93% do excesso de energia armazenada na atmosfera por gases de efeito estufa, provenientes de combustíveis fósseis e outras atividades humanas, terminam nos oceanos. Assim como o clima em geral, as temperaturas do oceano chegaram a níveis recordes em 2014, apesar da ausência de efeitos naturais que justificariam esse aumento, como “El Niño”. As altas temperaturas registradas em 1998 – o ano mais quente antes do século 21 – ocorreu em parte por causa desse fenômeno.

Entre 2003 e 2014, o impacto dos desastres naturais no setor agrícola na América Latina causou perdas de mais de 34.000 milhões, afetando 67 milhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Se o ser humano não reconhecer a ameaça, as conseqüências serão catastróficas para a sobrevivência de um conjunto de seres vivos, dentre os quais o homem, considerando a elevação do nível do mar, as variações de temperatura, as tempestades, as secas, as epidemias e pestes. O desequilíbrio ecológico é latente.

O que preocupa é que o homem está sossegado. A atmosfera é tão imensa que as mudanças parecem lentas e, às vezes, imperceptíveis. As emissões dos gases do efeito estufa estão aumentando, junto com o crescimento populacional. A perspectiva para daqui 40 anos, se países desenvolvidos e em desenvolvimento mantiverem as atuais emissões, é que tenhamos um aumento da temperatura média do planeta em 2ºC. A sucessão do desprezo levará a escassez de água, aumento de pessoas com fome e o ressurgimento de doenças. Nos dias atuais, conversar sobre o clima deixou de ser uma amenidade e transformou-se em polêmica. A adoção de soluções inicia pela identificação dos problemas, o que já está bem delineado.

O Brasil precisa assumir sua posição. Nosso país tem um papel estratégico no suprimento de produtos agropecuários e, considerando o crescimento, precisa efetivamente mostrar ao mundo a adoção de alternativas produtivas que minimizem os impactos ambientais, principalmente àqueles relacionados ao desmatamento. O Brasil, sob a ótica técnico-científica está preparado para as discussões. O problema reside na adoção de medidas que dependem das ações políticas.

No dia-a-dia, inúmeras atitudes simples podem ser adotadas que, com certeza, ajudarão na diminuição das emissões de gases que implicam negativamente no efeito estufa:
– trocar as lâmpadas por compactas.
– desligar os aparelhos que ficam em stand-by; utilize filtros de linha.
– desconectar carregador de celular quando não estiver em uso.
– minimizar a utilização de sacos plásticos.
– reavaliar o padrão de consumo.
– anunciar na internet produtos que não quer mais.
– fazer compras perto de casa.
– andar a pé e/ou de bicicleta quando possível.
– minimizar o consumo de copos descartáveis.
– tomar banhos rápidos; adotar um programa de redução de tempo.
– participar de campanhas de coleta seletiva de sua cidade e/ou estimular em seu condomínio a adoção de programa.
– cobrar das autoridades a adoção de políticas públicas convergentes às questões ambientais.
– diminuir no frio a temperatura do aquecedor em 2ºC e vestir um agasalho.
– migrar para a energia solar.
– plantar árvores.
– privilegiar negócios que envolvam variáveis ambientais.

Não obstante, nada disso surtirá resultado se não for implantado de forma contínua e consistente. O discurso corrente na atualidade é o de deixar um planeta melhor para nossos filhos, contudo, reitero, julgo que também é essencial deixar filhos melhores para nosso planeta. Converse com seus filhos; a educação é a base para um mundo melhor.

Fotos para divulgação do Prof. Dr. Murilo Andrade Valle, candidato à reitoria da Fundação Santo André. Fotos: Otavio Valle/Divulgação* Professor Murilo Valle é Doutor e Mestre em Geologia pela IGc (Universidade de São Paulo) e coordenador do Curso de Engenharia Ambiental – FAENG (Fundação Santo André). Contato com o colunista pelo e-mail murilovalle@hotmail.com

 

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