Felipão no Verdão é uma rima. Mas será uma solução?

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* Márcio Trevisan – Nem a goleada do Flamengo/RJ sobre o Sport do Recife/PE, que manteve o time carioca na liderança isolada do Campeonato Brasileiro; nem a excelente vitória do São Paulo, que foi a BH e fez 2 a 0 no Cruzeiro/MG; nem a goleada do Corinthians sobre o Vasco/RJ, com direito a três gols do paraguaio Romero; e nem mesmo a renovação do contrato de Tite com a CBF. Nenhum assunto foi mais comentado e debatido nas mesas redondas e nas mesas dos bares do que a volta de Luiz Felipe Scolari ao Palmeiras.

E é normal que assim tenha sido: afinal, existe entre clube e técnico uma história com muitos títulos, vários deles importantíssimos, e também a mácula do rebaixamento palmeirense em 2012, cujo principal responsável foi justamente o treinador. Além disso, o polêmico profissional ainda carrega – e talvez carregará para sempre – o peso dos 7 a 1 que a sua Seleção Brasileira levou da Alemanha na Copa do Mundo de 2014, e que por incrível que pareça parece lhe ser mais lembrada do que o próprio pentacampeonato que, sob seu comando, o Brasil obteve em 2002.

Contudo, apesar de amplamente explorado pela mídia esportiva e também por torcedores, sejam eles alviverdes ou não, o tema deixou em aberto uma pergunta: por que a diretoria do Palmeiras optou por recontratar o popular Felipão? Por isso, a seguir explico os cinco motivos que a levaram a assim agir:

1 – Abel Braga, primeira opção, não aceitou sequer conversar. Com problemas pessoais desde a morte de seu filho, que completou um ano nesta segunda-feira, 30.07, o técnico não deseja voltar a trabalhar até o fim deste ano. Além disso, não aceita assumir projetos já iniciados. Aliás, esta foi a segunda negativa de Abelão, que já dissera “não” ao Palmeiras no fim do ano passado.

2 – A história de Scolari no clube. Pesaram positivamente todos os títulos e vice-campeonatos que ele faturou pela equipe (Torneio Naranja/1997, Torneio Maria Quitéria/1997, Brasileiro/1997, Taça Governador de Goiás/1997, Copa do Brasil/1998, Copa Mercosul/1998, Libertadores/1999, Paulista/1999, Rio-São Paulo/2000 e Copa do Brasil/2012).

3 – O elenco do Verdão é formado por várias estrelas. Aliás, mesmo que todos saibam que eles não são, assim, tão estrelas, eles pensam que são. E como as recentes experiências não deram certo, optou-se por alguém que os jogadores tivessem de olhar de baixo para cima, caso específico de Felipão, e não de igual para igual (como Cuca) e muito menos de cima para baixo (alguém aí se lembrou de Eduardo Baptista e Róger Machado?).

4 – Luís Felipe Scolari é simplesmente adorado por todos os jogadores que comanda. Ao contrário do seu relacionamento com a Imprensa, sempre muito difícil e por vezes até mesmo insuportável, com seus atletas ele é completamente diferente. A tal família, que dizem sempre se formar nos grupos que comanda, de fato é real. Por isso, o ambiente nos vestiários alviverdes melhorará muito a partir de agora. Isso não acontece, por exemplo, com o terceiro nome da lista, Wanderley Luxemburgo que, embora infinitamente superior como técnico, nunca consegue ter um ambiente 100% favorável. E quem afirma isso é este jornalista, que trabalhou sob o comando de Luxa quando de sua passagem pela Assessoria de Imprensa do Verdão.

5 – Os títulos que Felipão ganhou pelo clube em torneios cuja forma de disputa é o popular “mata-mata”. Dos quatro campeonatos que o Palmeiras ainda disputa ou disputará, três são nesta forma (Copa do Brasil, Copa Libertadores da América e, se o bi da Liberta for obtido, também Mundial Interclubes). Talvez tenha sido este detalhe o que mais pesou na decisão da diretoria em recontratá-lo.

Dito isso, fica claro que o fato de ter sido o principal responsável pelo rebaixamento do Verdão à Série B em 2012, de ter protagonizado o maior vexame da história da Seleção Brasileira em 2014, de absolutamente nada de significativo ter feito nos últimos seis anos (sua última conquista relevante foi justamente o tri da Copa do Brasil pelo Palmeiras) e de ter exigido um longo contrato (assinou até 31.12.2020) e uma gigantesca multa rescisória pouco ou quase nada lhe pesaram nas costas. Historicamente, o Palmeiras é um clube saudosista, que aposta sempre em velhos ídolos para reviver hoje as alegrias que viveu ontem.

Mas só o tempo é que vai dizer se, além de uma rima, Felipão no Verdão terá sido também uma solução.

Curtinhas

Será que agora vai, Lusa? – A Portuguesa tem mais uma chance para reiniciar seu caminho de retorno à elite do futebol brasileiro. No próximo fim de semana começará a Copa Paulista, torneio cujo campeão garante uma vaga na Série D do Brasileirão de 2019. A equipe rubro-verde, agora dirigida por Allan Aal, integra o Grupo 4 ao lado de Juventus, Taboão da Serra, Audax, Ituano, Atibaia e Nacional. A estreia será justamente diante deste time, no Canindé, domingo que vem. Se quiser faturar a taça e um lugar ne 4ª divisão no ano que vem, a Lusa terá de jogar 26 partidas até dezembro.

Ceni campeão! – O técnico Rogério Ceni conquistou neste fim de semana seu primeiro título como treinador – ainda que simbólico, já que foi apenas o do primeiro turno do Brasileirão da Série B. Ao vencer o Juventude/RS por 3 a 0 em Caxias do Sul/RS, o Fortaleza chegou aos 34 pontos e mesmo que perca na última rodada, domingo que vem, não poderá ser ultrapassado pelo CSA/AL, vice-líder. Os catarinenses Figueirense e Avaí completam, no momento, o G4 do torneio.

Um lá. O outro quase. – Com o empate por 2 a 2 diante do Operário/PR, sábado, em Ribeirão Preto/SP, o Botafogo garantiu matematicamente sua classificação às quartas-de-final do Brasileirão da Série C. Outro paulista no torneio, o Bragantino também poderia ter obtido sua vaga, mas foi derrotado fora de casa pela Luverdense/MT também no sábado, por 3 a 1, e agora terá de vencer ou o time de Ponta Grossa/PR, líder da chave, em seus domínios, ou então o Cuiabá/MT, em Bragança Paulista/SP, para se classificar sem precisar de resultados de outras equipes.

Taça à vista – O título da Série D do Brasileirão começa a ser definido nesta segunda-feira, 30.07. Em Fortaleza/CE, o Ferroviário/CE recebe o Treze/PB a partir das 19h15, no Estádio Castelão. A finalíssima está marcada para o Estádio Gov. Ernany Sátiro, mais conhecido como Amigão, em Campina Grande/PR, no sábado, 04.08, às 18h30. Vale lembrar que ambas as equipes, assim como o São José/RS e o Imperatriz/MA já estão classificados para a Série C do ano que vem.

 

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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1 comentário on "Felipão no Verdão é uma rima. Mas será uma solução?"

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