Fábio Carille, um técnico sem-vergonha

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* Márcio Trevisan – De tempos em tempos, a mídia esportiva escolhe uma figura para colocar em uma espécie de pedestal inatingível. De lá, o “bambambam” da vez meio que acerta em tudo o que faz, quase nunca comete um deslize e, se por alguma razão algo de não positivo acontece com o time no qual trabalha, com toda a certeza deste mundo não foi sua responsabilidade.

Desde o ano passado, o dito cujo que desfruta de tal posição é o técnico do Corinthians, Fábio Carille. Talvez por ser, pelo menos por enquanto, avesso ao estrelismo, talvez por tratar sempre com educação e, não raro, também com simpatia todos os jornalistas, talvez por não ter se deixado levar pelos sempre inebriantes aromas do sucesso, o fato é que o comandante alvinegro beira a perfeição – pelo menos na opinião de muitos dos meus colegas jornalistas esportivos.

Claro que Carille já provou ter méritos, até porque ninguém vence o torneio estadual mais disputado do País e também o Campeonato Brasileiro no mesmo ano só porque é sortudo. Se o treinador corintiano conseguiu isso no ano passado, é porque trabalhou forte e encontrou uma maneira de seu time jogar que, quando os adversários conseguiram anulá-la, ambos os títulos já estavam no papo. Mas daí a considerar tudo o que Carille faz algo bom, positivo ou correto para o futebol contém, cá entre nós, uma exagerada dose de exagero.

Para mim, o técnico do Corinthians é um sem-vergonha. E explico por quê:

1 – Ele não tem vergonha de admitir em alto e bom som que, mesmo diante da mudança de alguns jogadores, não irá alterar a forma do seu time jogar neste ano, ainda que ela não seja mais novidade pra ninguém.

2 – Ele também não tem vergonha de mandar às favas a magia inerente ao futebol brasileiro se, em contrapartida, obtiver vitórias e títulos.

3 – Ele, por fim, não tem vergonha de escancarar pra todo mundo que, sob seu comando, o Timão continuará, sim, a jogar como se fosse um timinho.

Querem uma prova? No clássico de sábado, diante do São Paulo, sua equipe voltou para o segundo tempo com o placar favorável de 2 a 1. E como passou a jogar a partir de então? Fechadíssima, claro, com todos – isso mesmo: todos! – os jogadores se posicionando atrás da linha da bola. O tal esquema “4-1-4-1”, tão decantado por muitos como moderno, nada mais é do que uma cópia grosseira e mal-acabada do “Ferrolho” criado por Milton Buzzetto quando este comandou o Juventus da Mooca, nas décadas dos 60 e 70.

Querem outra prova? Pois bem: mesmo atuando ao lado de sua torcida, já que o Timão foi o mandante do “Majestoso”, as únicas jogadas ofensivas de sua equipe na etapa final foram frutos de contra-ataques. E aos 35 minutos do segundo tempo, quando o Tricolor já demonstrava visível cansaço físico e, por isso, começava a dar mais espaços em campo, o técnico sacou seu mais habilidoso jogador, Rodriguinho, e colocou em seu lugar mais um volante, Maycon, acabando de vez com qualquer chance do terceiro gol e a consequente garantia da vitória.

A história é escrita pelos vencedores, como bem dizia no século passado o escritor inglês George Orwell. Por isso, talvez o que será lembrado daqui a 20, 50 ou 100 anos serão os títulos que Fábio Carille ganhou e os que possivelmente ainda ganhará. Mas, para mim, isso é nada. Ele tem meu respeito pelo ser humano e pelo profissional que é, os quais jamais questionei, mas jamais terá minha admiração pela forma como faz o Corinthians jogar, por mais vencedora que ela tenha sido ou venha a ser.

E o motivo é muito simples: eu não gosto de futebol sem-vergonha.

CURTINHAS

Quem será o vice? – Quatro jogos, quatro vitórias. O Palmeiras começou muito bem o Paulistão deste ano, sendo até aqui o único time com 100% de aproveitamento. E isso sem jogar um futebol de encher os olhos e ainda desfalcado de jogadores que, certamente, serão titulares, como Edu Dracena, Diogo Barbosa, Moisés e Gustavo Scarpa. Mesmo faltando ainda oito jogos para o término da fase de classificação e outros seis até que seja conhecido o campeão, já tem palmeirense se perguntando quem será o vice.

Abre o olho, Dorival – O início meio que capenga do São Paulo no Campeonato Paulista não é o maior problema do seu treinador. Irritado com a postura da diretoria, que determinou a reintegração do meia Cueva após a indisciplina que o peruano cometeu no meio de semana, Júnior deixou clara sua insatisfação com a dupla Ricardo Rocha & Raí ao não se mostrar nem um pouco animado com as contratações do centroavante Trellez e do meia Nenê. O treinador deve tomar cuidado: os ex-jogadores, agora dirigentes, são ídolos do clube, enquanto ele ainda não tem história alguma no Morumbi.

Com o Porco na cabeça – O atacante Gabriel, mais conhecido por “Gabigol”, retornou ao Santos após uma péssima passagem pelo futebol europeu e, mesmo sem estar em totais condições físicas, disse querer reestrear no próximo domingo, 04.02, diante do Palmeiras, na Arena Palestra Itália. Jair Ventura, treinador do Peixe, ainda não confirmou se atenderá ou não ao pedido do jogador.

O Bugre: de luto – O Guarani não teve nem tempo de comemorar a boa vitória por 3 a 0 sobre o Água Santa na sexta-feira, em Campinas/SP, em jogo válido pela Série A-2 do Paulistão. É que no sábado seu goleiro, Wallace, do Guarani, deixou o Plano Físico após capotar o carro que dirigia na Rodovia dos Bandeirantes, na altura da cidade de Limeira/SP. Ele tinha apenas 22 anos e estava a caminho de Ribeirão Preto/SP, sua cidade de origem. Nenhum outro veículo se envolveu no acidente. Wallace estava emprestado pelo Vitória/BA ao Bugre até o fim deste ano.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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