“Eu vou lhe avisar: goleiro não pode falhar”

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* Márcio Trevisan – O título desta coluna foi retirado de um antigo sucesso de Jorge Benjor – Goleiro –, gravado em 1993 e, posteriormente, também por Gal Costa. Apesar de a intenção do compositor e cantor ter sido a de homenagear os inúmeros craques que já vimos iniciando as escalações de todos os times, na prática acabou se tornando uma aviso direto e verdadeiro a todos aqueles que abraçam a posição – afinal, se um goleiro falha, normalmente sua equipe sofre o gol.

Eu me lembrei desta canção durante esta rodada do Campeonato Brasileiro. É que três dos principais goleiros do País viveram um fim de semana infernal e foram diretamente responsáveis, se não por todos, pelo menos por alguns dos gols que levaram.

Começando pelo sábado, vimos na capital baiana o palmeirense Weverton se tornar o grande vilão do empate que o atual campeão paulista obteve diante do Bahia/BA. Já aos 49 minutos do segundo tempo, sabe-se lá por que, ele resolveu abandonar sua meta, dirigir-se quase à linha da grande área para socar a bola e, ao esmurrar apenas o vento, permitir o gol de empate adversário.

No domingo, os dois primeiros gols do “Majestoso” disputado no Morumbi só aconteceram porque Cássio e Tiago Volpi pareceram meio que ainda sonolentos em fim de manhã.

Na cobrança de falta de Hernanes, ainda que a bola tenha tomado um grande efeito, o ídolo corintiano não teve tempo de reação e acabou vendo a bola passar a centímetros de seu corpo. Já seu colega são-paulino não conseguiu evitar que um chute fraco de Ramiro passasse por baixo de suas mãos. Só mesmo o gol da vitória do São Paulo aconteceu em situação, digamos, normal.

É claro que quando o goleiro do time da gente falha ficamos “p” da vida – é normal. Mas é bom que jamais nos esqueçamos que, muitas vezes, são também eles que impedem que a equipe da gente perca uma partida e, até mesmo, permitem que ganhe um título.

Ou será que o torcedor do Palmeiras já se esqueceu das defesas de Weverton durante os penais que decidiram o recém-terminado Paulistão? E a galera do Corinthians, por acaso apagou todas as inúmeras vezes em que Cássio garantiu a festa alvinegra, inclusive em decisões de Libertadores e de Mundial Interclubes? Por fim, não acredito que torcida tricolor não se lembre de que foi também devido a Volpi que, recentemente, seu time escapou de uma queda para a Série B do Brasileirão.

Por isso, até entendo a raiva que torcedores do Trio de Ferro estejam sentindo neste momento, mas lembro que a ingrata posição de goleiro é assim mesmo: num dia, o cara é o herói; noutro, o vilão. E podem ter certeza de que, quando erram, todos sofrem muito mais do que a gente.

Afinal, como bem disse outro craque da MPB, Belchior, ninguém fica “mais angustiado do que um goleiro na hora do gol”.

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos por meio do endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

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