Estudar a história. Para que não se repita

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* Márcio Trevisan – Nos meus tempos de curso pré-vestibular, tive um professor de História Geral chamado Cláudio Ribeiro. Uma das frases que ele costumava dizer ficou gravada em minha memória menos pela sua constante repetição e mais porque espelhava a verdade com uma franqueza até certo ponto cruel: “Quem não estuda a História corre o sério risco de repeti-la”.

Lembrei-me do professor e também de sua citação predileta ao ouvir a entrevista coletiva de Rogério Ceni após mais uma derrota do São Paulo que, desta vez, colocou a equipe na temida ZR4 deste Brasileirão.

Ainda que tenha admitido a péssima fase do time e chamado para si próprio a responsabilidade maior por tudo de ruim que vem acontecendo com o Tricolor paulista, em nenhum momento o ex-goleiro abriu mão da arrogância que sempre marcou sua personalidade como profissional de futebol. Ser rebaixado com seu time de coração é algo que nem passa pela cabeça do maior ídolo da história são-paulina.

Mas o que tem a ver o pedante técnico com o antigo mestre do meu cursinho? É que um comprova com seus atos o que o outro dizia com suas palavras. Sei bem do que falo porque, como quase todo mundo sabe, era o assessor de Imprensa do Palmeiras em 2002, quando a equipe sofreu a queda para a Série B do ano seguinte.

E ao contrário do que acontece com o São Paulo hoje, naquela época tinha o alviverde um time considerado muito bom: Marcos no gol, César na zaga, Arce na lateral, Zinho no meio-campo, Dodô no ataque. Ou seja: a espinha dorsal do rebaixado Verdão era formada por cinco jogadores em nível de seleção – e detalhe: dois deles campeões do mundo com o Brasil. Além disso, havia outros bons nomes no grupo, como o goleiro Sérgio, o lateral-direito Léo Moura, os meias Lopes e Pedrinho e os pontas Muñoz e Nenê, que hoje é o craque do Vasco da Gama/RJ.

Então, se tinha um grupo de indiscutível qualidade, por que o Palmeiras foi rebaixado em 2002? Por algumas razões que agora não vêm ao caso citar, mas principalmente por um motivo: mesmo após sucessivas derrotas tínhamos, todos, a mais absoluta certeza de que, como em um passe de mágica, algo aconteceria e, no fim, tudo teria sido apenas um longo e agoniante pesadelo.

Em nenhum momento, nem instantes antes do início da última partida, contra o Vitória/BA, ou até mesmo durante aquele jogo no Barradão, nenhum dos integrantes daquele grupo, inclusive este jornalista, acreditou por um segundo que fosse que a queda poderia, sim, acontecer.

Talvez tenha chegado a hora de o técnico Rogério Ceni aprender com o professor Cláudio Ribeiro.

Obs.: Após o fechamento desta coluna, a diretoria do São Paulo optou por demitir o técnico Rogério Ceni

 

CURTINHAS

Foi dentro! Foi fora! – A arbitragem continua sendo o ponto mais fraco do futebol brasileiro. No sábado, o carioca Wagner dos Santos Magalhães marcou fora da área uma falta que Egídio, do Palmeiras, sofreu dentro dela, em jogo que acabou com a vitória palmeirense por 1 a 0 sobre o Grêmio/RS. No domingo, o paranaense Rodolpho Toski Marques marcou dentro da área uma falta que o corintiano Guilherme Arana sofrera fora dela, em partida que terminou com mais um triunfo corintiano: 1 a 0 diante do Botafogo/RJ. Consultas a oftalmologistas deveriam ser incentivadas pela CA-CBF aos integrantes do seu quadro.

Sem moral – O Chile, que nos últimos tempos tem colocado a cabeça um pouquinho pra fora no mundo do futebol, não conseguiu impedir que a Alemanha faturasse seu primeiro título nesta que muito provavelmente foi a última edição da Copa das Confederações. Mas nós, brasileiros, nem temos como tirar um sarro dos nossos vizinhos, já que a derrota neste domingo foi por apenas 1 a 0 e os chilenos cansaram de desperdiçar chances claras de gol. Já a última vez em que nos deparamos com os alemães em um jogo oficial todo mundo lembra o que aconteceu…

Calma, tchê! – A torcida do Internacional/RS parece ainda não ter se conformado em ver a equipe disputando a Série B do Brasileirão. No último sábado, após a derrota para o Boa Esporte/MG no Beira Rio, vários colorados tentaram invadir os vestiários e, impedidos pelos seguranças dos clubes, promoveram atos de vandalismo arremessando gradis, cones, garrafas e pedras sobre os funcionários e também PM’s, que reforçaram a segurança. O que a galera do Inter precisa entender é que todo grande clube que pela primeira vez disputa a Segundona leva um tempo para se adaptar ao campeonato, e que por isso tropeços são comuns nas primeiras rodadas. Além do mais, a situação está longe de ser dramática para a parte vermelha do Rio Grande do Sul: o time é o 5º colocado na classificação geral e está a apenas dois pontos de entrar no G4.

Última chance – Após ser eliminada na Primeira Fase da Série D do Campeonato Brasileiro, a Portuguesa de Desportos começará na terça-feira, 4/7, a sua última cartada para continuar viva em termos nacionais em 2018. Diante da sua xará, a Portuguesa Santista, e em seu estádio, a equipe do Canindé estreará na Copa Paulista, torneio que envolve pequenos clubes do Estado e que dá ao seu campeão, mas apenas a ele, a chance de escolher entre uma vaga na Copa do Brasil ou, então, um lugar na Série D do ano seguinte. Do elenco que fracassou no torneio nacional, sete jogadores já foram dispensados – o mais conhecido deles é o lateral-direito Amaral, ex-Palmeiras e Corinthians.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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